sexta-feira, 19 de maio de 2023

No grande encontro de eu, da música e eu

 Por Ronaldo Faria

 


Cheiros, luzes e odores, vapores e descarregos ao luar minguante, infante e à natureza secular. Quem sabe um quase inverno entre o paraíso e o aluar. Desses momentos que a gente sabe que existe entre o que é o real e a realidade. Como um coração, diria o poeta, ainda batendo dentro do peito. Presto ou afeito às besteiras que eclodem e explodem em sinergia que diz apenas, às penas, que o momento é afeito ao feito que um dia poderíamos ter feito no proveito ou aceito. E o tempo nos impediu, impeliu, implodiu sem sequer perguntar se o melhor foi ou pior será. Do trono do destino o grão-mestre estava, nessa hora, está a cagar.

E o amante que habita no santo que desce pensou: “No dançar do forró/festa a que fomos levados, lavados e enlevados nos corpos de dois num só, na brincadeira intermitente da felicidade que nos foge entre os dedos e medos de saber que a vida também possa ser algo a se reverenciar, cravamos nas claves de sol que certamente a mente e instrumentos sorveram a derradeira felicidade sem maldade ou tempo.” De volta à realidade, na fragilidade destemperada e temperada do tempo, somente a cruel vista do incenso queimado e fátuo que sobe sabe-se lá para aonde. Nas ondas que em algum lugar batem, o ser sou só eu e você.

(Ao grande encontro de Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Elba Ramalho)

Lupicínio Rodrigues

 Por Ronaldo Faria

É noite, dessas quem não se sabe é fria ou quente. Daquelas que corre no asfalto e se dobra em esquinas infindas que terminam numa mesa de bar ou na cama. Em copos molhados de suores de cerveja ou corpos encharcados nos suores do amor. No ar, o som de Lupicínio Rodrigues. No cair de luares e vozes do vinil, a solidão de uma bola que brilha entre o amarelo e o prata, envolta num espaço que esbarra na geometria que a cidade dá e tira, que se estira em ilusões e premonições, lições que o passado não destrói.

É noite, as pessoas entoam uma canção monocórdica onde, crê-se, a felicidade chegará. Nos trilhos que correm em trilhas submersas, dessas que se entranham entre um coração e um pensamento, o lamento da amada que se embrenha desnuda ao nada, a intrínseca inverdade que teima entre viver e morrer. Ao longo do universo que se desdobra em letras, sílabas e versos, o reverso que a solidão perfaz. Ao fundo, um som performático de jazz. Ou será um blues ou nada que se derrama sempre no início sem começo, meio e fim?

É noite. Abre-se o leque de oportunidades, fortuitas saudades, imensas dores que descobrem na realidade seus estertores. E vão-se goles, goelas secas, coloridas luzes que se misturam de neons e faróis. Como pescadores, são lançados os anzóis nas almas que jogam no mar na ilusão para navegarem na razão. Mas há razão nas perdas e pernas que se envolvem na liturgia da conquista e da volúpia que se derrama nas palavras e olhares? No cabaré, entre a lâmpada volátil e o amor tátil, a tradução do que, em lágrimas, fez-se retrato.

 “Se somos dois tristonhos, vamos juntar nossos sonhos, talvez nasça um novo amor”. (Lupicínio Rodrigues em Os Tristonhos)

Um coletânea feita há 54 anos

  Por Edmilson Siqueira Em 1972, ou seja, há 54 anos, Sergio Mendes já tinha sucessos suficientes para produzir uma coletânea. Ela foi lança...