terça-feira, 14 de março de 2023

Senise toca Gil

Por Ronaldo Faria 

Permeia entre a vontade e o desejo um mistério de valer-se solitário, etário, segregado de si mesmo, a esmo. Como nada fosse, fossilizado entre a realidade e o amargo, na forma de um caule que encapsulou para nunca ser.

Semeia no fundo de um canto escondido, entre o peito e o coração, numa oração inconstante e vadia, a semente de um amor nunca acabado, encostado e tardio a esperar, quem sabe, a ilusória razão de crer-se num fátuo crer.

Vagueia soturno e solitário um errante senhor que perdeu o rumo e o sumo, que brota num chão seco. Que rega de versos e prosas as rosas que teimam em solapar de cores e odores o amanhecer cheio de ínfimas nuvens segregadas.

Anseia uma incrédula vaidade que sobrevive só por maldade de saber-se. Que é profícua e fica única e volátil a vadiar entre canções e unções. Quem sabe um amor maior, desse que pensa ser único e fugaz, uma linha tênue e tenaz.

Tudo a permear, semear, vagar, ansiar e crer no solstício que nunca se fará. Como brinquedo sem enredo, solidão sem medo, frevo somado de liberdade e degredo. No imbróglio de ser, o poeta descobre-se emir da solidão em si.



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