quarta-feira, 11 de maio de 2022

Ao Celso Fonseca

Por Ronaldo Faria


“Como juntar uma porção esquisita de metonímia e uma pitada de metáfora, fazer um bolo recheado de mil emoções e depois cortá-lo com uma faca serrilhada e cega só para ti?”

O pensamento do amado delira em vórtices mentais e voltas de palavras em lavras e rimas cretinas. Sobra-lhe emoção, falta-lhe creatina. “Mas, para que tanto ser insólito a voar no ar? Que turvas imagens são essas que permeiam minha vista e meu pecado?”

 “Como separar um bocadinho de ervas pífias pegas na horta do mundo e juntá-las ao tempero no esmero do amor para fazer um bolo hermético à solidão? Ligar o forno ou findar a canção?”

Os delírios mentais da amada se travestem de pensamento e lamento indolor transbordado de dor. Resta-lhe desejo, sobra-lhe muito medo. “De que forma, mesmo deformada, poderei mandar-lhe uma fada madrinha? Como matar um galo que sempre viveu na rinha?”

“Como deixar o acaso viver ao ocaso, rastilho de fogo que não espocou na lenha queimada na madrugada, e ser a eternidade do nada? Pegar a caçarola para cozinhar ou deixar tudo cru?”

Nas loucuras soltas e roucas dos dois, passos e braços se entrecortam no caminho que para na esquina onde o pó dá nó no peito. Faltam-lhes carícias, sobram-lhes poemas de Vinicius de Moraes. Restam-lhes a verve dos ensandecidos e faltam-lhes a insana fala do que dizer.

II

Corpos nus no desnudar onde só a pele e as penugens podem vestir o amor. Olhares que brilham e tornam em centelhas meras performances de se juntar. Coisa tão milimétrica que nem a métrica poética sabe explicar. Onde está o demônio que não desaparta? Onde está o pai que não vê pecado no tal desenrolar? Por detrás da cortina de uma tela de LCD, o poeta profetiza nas músicas e no violão de um cantor o coração a sorrir e sambar na etérea batucada...

Um coletânea feita há 54 anos

  Por Edmilson Siqueira Em 1972, ou seja, há 54 anos, Sergio Mendes já tinha sucessos suficientes para produzir uma coletânea. Ela foi lança...