Por Ronaldo Faria
Escrever para quando nem
sabemos se vivos estaremos e como seremos num mundo que beira o fim e o limite a
cada momento, como cistite ou dermatite, é estranho. Mas, vamos lá. Sob os
auspícios de Tom Zé, esse mestre esotérico e real, nos façamos videntes, com
orgulho de ter todos os dentes. E venham as previsões:
1) Teremos no futuro um novo ou velho presidente. O novo será novidade, ou não. O velho terá passado
dos 80. Saibamos honrara os anciões.
2) A
Terra ainda estará a brigar contra o homem. Apesar de tê-lo de hóspede e passagem
passageira por aqui, Pacha Mama se verá, assim como todos os habitantes não
humanos, agredida no dia a dia. Espero que tenha ainda aguentado os rounds de
porradas diários. Se não tiver, não estarão lendo tal escrito na data dita.
3) Espero
que as dores alucinantes das vértebras L4 e L5 tenham de alguma forma acabado. Se
não tiverem, certamente terão calado este aprendiz de escrevinhador.
4) Que
as cervejarias tenham resistido aos planos econômicos, sardônicos, catatônicos
e astronômicos dos ministros das economias pobres e ricas. E que eu tenha
sobrevida para continuar a dar lucros aos seus acionistas e proprietários.
5) Que
os bares, botecos e biroscas tenham sobrevivido igualmente para deixarem o(a)s
louco(a)s, poetas, proxenetas, tristes e altruístas encontrarem seus pares. Tal
crença se estenda, claro, a todos os gêneros mil que o homem e a mulher criaram
ao longo dos tempos. Que Trump tenha perdido essa guerra.
6) Que
eu ainda tenha uns trocados para gastar com bobagens que nossas viagens diárias
e baratas nos dão para crer que vale a pena viver.
7) Que
os meus próximos, que não chegam a duas mãos contadas, estejam vivos e
respirando, apesar dos pesares e azares que cada um deve ter vivido em tal
período tido.
8) Que
o Flamengo tenha iniciado a construção do seu estádio para um dia, nesse
século, inaugurar. E, lógico, que o Zico esteja de corpo e alma para dar o
pontapé inicial.
9) Que
a gente (eu) se ligue que ainda resta um pouco de cerveja na lata de IPA e não
levante a toa para ver a coluna reclamar.
10) Que
sobrem ideias feéricas e malucas para a cada canção virar escrito de alguém do
além que vem por aqui baixar.
11) Que
tenha revisto o mar. Mesmo cria da Zona Norte carioca e nordestino do interior
em alma, esse tal de oceano Atlântico é onde eu vejo ser meu eterno lugar.
12) Que
os pesadelos tenham diminuído num percentual legal. Nada contra a cada noite
viver realidades que nem o melhor roteirista de Hollywood poderia pensar num
filme de terror e ficção, mas que sejam agora 10% do total. Que tal uns sonhos de coisas
prazerosas? O dia seguinte agradece de joelhos e tesão.
13) Que
esse tal de amor de longe se junte cada vez mais. Desde o fim das cartas
tardias não há razão para separar quem só quer se amar.
14) Que
os termômetros, alucinógenos e a queimar caixolas e ovos no asfalto, tenham dado uma pausa. Que os tais El menino e menina tenham vencido essa coisa de
religiosidade e resolvido seus conceitos e
complexos psicanalíticos para deixar o mundo continuar.
15) Que
Tom Zé ainda junte aqueles tantos e tantas Zés em esferas e efemérides nas
bancas resistentes e persistentes de jornal.
16) De
forma egoísta, que o INSS não tenha falido. E as obras aqui no prédio tenham
acabado.
17) Que
o fardo de cada bom tenha ficado igual, ou seja, bom. Já aos maus, lhes tenha faltado
hospital do INSS ou do plano de saúde. Se lhes sobrar ainda algo tétrico amiúde,
que venha de forma acelerada.
18) Que
os pedidos de justiça tenham ajuizado a favor dos necessitados e as prisões estejam
bem fechadas de grades e cadeados aos espertos e safados, não aos pobres e desvalidos de justiça.
19) Na
verdade, de verdade boba e tola, que o site que mantem tais vontades agora escritas
não tenha sido destruído ou desaparecido no mundo calcinado da web. E o parceiro
nessa empreitada esteja de bom grado no agrado.
20) E
por fim, porque querer mais do que vinte coisas é coisa de bebum ou sonhador
sem noção, nos aguentemos e brindemos aqueles que acreditam que a felicidade
sobrevive à dor. Porque afinal, no final, pouco certamente haverá para festejar.
Oxalá! E pé na tábua.














