Musicoólatras
DOIS APAIXONADOS POR MÚSICA A FALAREM DE VINIS, CDS E DVDS
terça-feira, 5 de maio de 2026
Josee Koning, a holandesa quase brasileira*
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Gabriela
Por Ronaldo Faria
Gabriela, dessas que faz uma viela virar avenida, caminha a deixar sob seus passos o descompasso que a porta-bandeira tem no asfalto ao ser reverenciada pelo seu mestre-sala. Vai a rebolar toda a sua beleza pelo lugar que pouca formosura tem. Casebres de madeira, alumínios que brilham na luz, telhas de amianto e tantos prantos de mães que buscam encontro para o término da dor nas bênçãos das mães de santos, ela serpenteia o mundo enquanto as nuvens se penteiam no vento ao relento. No alto da comunidade, a cidade parece perene no solene, incansável e próximo fim.
Gabriela, dessas que qualquer poeta gostaria de ter ao lado para quando a inspiração decidisse lhe largar, caminha entre tramas e dramas que a vida dá. É a sentença que mostra que a demência nunca deveria chegar. É um quadro pintado em cores que nenhum olho pode enxergar. Caminha devagar, como se fosse vagar em vagas que as ondas do mar logo embaixo quebram nas pedras sujas do verão. Ela e mais ninguém sabe que a vida, sobremaneira, corre a cada dia para o dia em que tudo vai terminar. Mas o tempo, resiliente e temente à morte, apenas entrega minutos onde a beleza é a dona do lugar.
Gabriela, dessas que a ausência nas íris faz tudo parecer sem razão de ser, caminha como fosse parte da carta de Caminha para o rei no além-mar: “Aqui, em se embelezando, Gabriela decerto dá”. Aos poucos, o fim da descida se faz merecer. O asfalto plano, pleno, desses que mistura planos de vida com planícies cheias de prédios e luzes de neon, está perto de receber seu corpo. Daí deixará de ser tosco. Voltará à vida que a perfídia o fez perder em piche e negror. Logo acima, no meio da sina, algum poeta popular irá rimar no próximo samba-enredo que cerveja e remédio com opioide dá um barato legal.
sábado, 2 de maio de 2026
A querer ainda rimar
Por Ronaldo Faria
Já que é pra estar vivo e enrolar uma palhinha do careta, que venha
tudo como fosse à madrugada uma linda e anarquista ... (os sábios saberão como rimar). Aos caretas, trombeta.
-- Certamente. Nossa mente sabe que só há uma vida a se viver.
-- E ela será vivida na loucura ou nas linhas escritas por drones?
-- Tanto faz no tanto que no meio se fez. Nos poucos segundos de lucidez que nos resta, tanto faz ser colado ao momento ou simples tormento. Como no mundo do futebol, pra um ou outro lado tudo se faz felicidade ou dor no tal de tento.
Macambuzio e sorumbático, atônito e performático, Miranda, no cataclismo trágico, cirúrgico e atávico, se faz fratricida e, em homilia, homicida de si mesmo. Algo como um livre funk a tocar. A agradecer por mais vinte anos no calendário legendário, marcado desde a infância, o destino em desatino que vira nicho no lixo utópico do trópico quente além do mais. Aliás, na doideira da saideira que não existe e nem há, surjam alhures as dores traumáticas e trágicas que postergam o texto final. Afinal, entre o bem e o mal, a utopia do laranjal em flor pode ser de alegria ou dor.
(Com Gil e um corta-dor quiçá a me livrar da dor)
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Cogumelo azul
Por Ronaldo Faria
terça-feira, 28 de abril de 2026
Às águas de Nanã Buruque
Por Ronaldo Faria
Metamorfose desde ser parido à fimose. Conglomerado de ideias, pesadelos, transtornos, torniquetes e celebrações promíscuas e pífias, nas perfídias e desditas. Talvez simbiose em quântica osteoporose que junta ossos, destroços e mil outros troços. Afinal, tanto faz como tanto fez. Num dia qualquer só irá sobrar "um aqui jaz". Assim, para por fim no fim, ouçamos o som das águas como fosse um prelúdio em jazz. Água que do alto cai, cairá...
domingo, 26 de abril de 2026
O "20" de Harry Connick Jr.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
No celular no recôndito do lar
Por Ronaldo Faria
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Devagar a gente chega lá
Por Ronaldo Faria
terça-feira, 21 de abril de 2026
Uma coletânea de Joe Cocker
Ainda em 1969, ele apareceu no Festival de Woodstock, com um show consagrador, sobre o qual Cocker fala no livro "Woodstock", do jornalista Pete Fornatale: "Tivemos uma reação emocionante quando tocamos 'With a Little Help from My Friends'. Foi como um sentido maravilhoso de comunicação. Era o último número do show, eu lembro, mas senti que finalmente tínhamos nos comunicado com alguém".
Depois teve mais alguns hits com "She Came Through the Bathroom Window" (outra versão de uma canção dos Beatles), "Cry Me a River" e "Feelin Alright". Em 1970 sua versão ao vivo do sucesso "The Letter" dos Box Tops, lançado na compilação Mad Dogs & Englishmen tornou-se sua primeira canção a entrar no Top Ten americano.
Como muitos artistas de sua geração, começou a ter problemas com drogas e sua carreira foi praticamente interrompida. Mas, felizmente, ele conseguiu se livrar do problema e retornar nos anos 1980, conseguindo grande sucesso até os anos 1990 com as canções "Don't You Love Me Anymore", "Up Where We Belong", "You Are So Beautiful", "When The Night Comes", "You Can Leave Your Hat On" e, um dos maiores dele, "Unchain My Heart".
A canção mais vendida de Cocker foi " Up Where We Belong ", um dueto com Jennifer Warnes que alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos e lhe rendeu um Grammy em 1983. Ele lançou um total de 22 álbuns de estúdio ao longo de uma carreira de 43 anos.
Como não tinha nenhum disco dele, acabei comprando, não me lembro quando, uma coletânea, "The Best of Joe Cocker", que dá uma ótima noção do que foi esse cantor britânico, que bem aliou o rock e o soul.
Ao contrário de outras coletâneas mal cuidadas, essa foi bem produzida, com 16 músicas e um encarte com a ficha técnica de todas elas, além de belas fotos e um artigo extraído da biografia dele escrita por J.P. Beans. Ao final do artigo - e provavelmente também do próprio livro - o autor faz uma pergunta que é respondida pelo próprio Joe:
- E o futuro?
- Enquanto eu estiver no palco for divertido, enquanto eu gostar dessa parte e ainda sentir aquela adrenalina de me apresentar, continuarei me apresentando.
Joe Cocker, considerado uma das maiores vozes do rock, morreu em dezembro de 2014, aos 70 anos.
As músicas da coletânea são as seguintes:
"Unchain My Heart" (Bobby Sharp e Teddy Powell)
"You Can Leave Your Hat On" (Randy Newman)
"When the Night Comes" (Bryan Adams, Jim Vallance e Diane Warren)
"Up Where We Belong" (Dueto com Jennifer Warnes) (Jack Nitzsche, Buffy Sainte-Marie e Will Jennings)
"Now That the Magic Has Gone" (John Miles)
"Don't You Love Me Anymore" (Albert Hammond e Diane Warren)
"I Can Hear the River" (Don Dixon)
"Sorry Seems to Be the Hardest Word" (Elton John e Bernie Taupin)
"Shelter Me" (Nick Di Stefano)
"Feels Like Forever" (Bryan Adams e Diane Warren)
"Night Calls" (Jeff Lynne)
"Don't Let the Sun Go Down on Me" (Elton John e Bernie Taupin)
"Now That You're Gone" (Klaus Lage, Diether Dehm, Tony Carey e Joe Cocker)
"Civilized Man" (Richard Feldman e Pat Robinson)
"When a Woman Cries" (Joshua Kadison)
"With a Little Help from My Friends" (John Lennon e Paul McCartney)
O CD está à venda nos bons sites do ramo. Não encontrei essa coletânea especificamente no YouTube, mas há muitas outras e, provavelmente, todas as músicas citadas aqui estão nelas.
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Em Lupicínio
Por Ronaldo Faria
sábado, 18 de abril de 2026
Parindo segunda parceria
Nessa estrada que é reencontro de mim em você... só você.
Vem descobrir o mistério tecer versos que a vida brotou.
Tudo é tempo demais, é sorrir e cantar. Você voltou!
Corre até a varanda, sobe nas nuvens que o céu espalhou.
Brinca de olhar lá na frente, se redescobrir sonhador.
Segue na luz desse sol que se arranca nos lábios em flor.
Vem viver a esperança ressurgir do nosso amor. Amor...
Chega de mala e cuia, desembrulha o presente sem dor.
Depois, se atira em meus braços e sente que nada mudou.
Feito criança, lambança na chuva que a aurora deixou.
Largados em meio ao nada, serenata perdida em louvor.
Vamos reviver a vida demais.
Vamos ser apenas nós, no nosso aliás.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Nas memórias das letras e grutas
Por Ronaldo Faria
O entardecer se faz crepúsculo
na orgia que une luz de sol e nuvens brancas que escurecem sob as montanhas que
nada mais são do que entranhas que viajam no céu avermelhado e amarelo que bronzeia
a cadela caramelo. Entre pedras de um santo que pede para ver e crer, nas
letras diversas das efemérides plenas, o tempo se perde em pedras e paixões.
Nas entranhas, de mochilas encilhadas na própria estrada, calcinadas nas
montanhas brancas de pó e fuligem, casais vão a se misturar na maré além-mar.
No olhar, mistura de paixão e brancas névoas de brisa a se largar, o amor de
dois corpos se entrega a mais um trago. Largado em seus próprios pensamentos, feito
unguentos que curam até o santo preso numa cruz, o poeta cumpre a complacência
de apenas sê-lo. Ser do tempo de lamber selos e envelopes de carta com a língua
pra se entregar à saudade transitória que está em trânsito entre os olhos e o
coração. Na cachoeira que se estreita aos sentidos vãos, uma brincadeira entre
a dor e o sobrenatural.
(Com Ventania na cuca)
terça-feira, 14 de abril de 2026
Na vibe de crer e acreditar
domingo, 12 de abril de 2026
O Jazztet de Art Farmer e Benny Golson*
E é um jazz exatamente "pessoal" que deparamos ao ouvir o CD "Blues On Down", com as performances de Art Farmer ao trompete e Benny Golson no sax tenor, com o seu Jazztet.
O álbum em vinil foi lançado em 1960 pela Argo Records e representa um dos momentos mais elegantes e refinados do hard bop, um estilo muito mais suave que o be pop. Mais do que apenas um encontro entre dois grandes músicos do jazz, o disco marca a consolidação de um grupo com identidade própria, sonoridade sofisticada e liberdade de improvisar.
Para nos dar uma perfeita aula de sonoridade, Golson e Farmer juntaram-se a Tom McIntosh no trombone, Cedar Walton no piano, Tommy Willians no baixo e Albert "Tootie" Hearh na bateria.
Uma composição que não foge muito do usual, na combinação de metais, cordas e percussão. O que torna esse disco especial é justamente o modo de encarar não só as partituras que Golson escreveu, como olhar para clássicos como My Funny Valentine (quarta faixa) com o respeito e originalidade.
Quando Golson e Farmer criaram o Jazztet, os dois músicos que já haviam conquistado reputação no cenário jazzístico dos anos 1950. Golson, além de instrumentista, era um dos grandes compositores do jazz moderno, autor de standards como "I Remember Clifford", "Whisper Not" e "Killer Joe". Farmer, por sua vez, era reconhecido pelo timbre suave, pela técnica impecável e por sua abordagem melódica extremamente refinada, que contrastava com o estilo mais explosivo de outros trompetistas da época.
A proposta do Jazztet era clara: criar um grupo que funcionasse como uma espécie de “pequena big band”, com arranjos elaborados e forte preocupação com a arquitetura musical. Isso diferenciava o conjunto de muitos quintetos e sextetos da época, que privilegiavam mais a espontaneidade do que o trabalho de arranjo. Nesse sentido, a influência da experiência de Golson como arranjador foi decisiva.
Não que outros grupos estivessem fazendo algo que não agradava. É que o Jazztet surgiu com um som diferente que também caiu nas graças dos apreciadores de jazz. Isso porque, o que tocavam refletia bem a proposta artística do Jazztet. E isso fica claro no disco: as composições alternam momentos de grande sofisticação harmônica com passagens de forte apelo melódico.
Art Farmer demonstra ao longo do disco porque era considerado um dos trompetistas mais elegantes de sua geração. Seu fraseado é sempre econômico, priorizando a beleza melódica em vez do virtuosismo exibicionista. Sua capacidade de construir solos lógicos e cantáveis reforça o caráter acessível, mas sofisticado, do álbum.
Segundo a crítica da época, "um dos aspectos mais interessantes do disco é justamente a complementaridade entre Farmer e Golson. Enquanto o trompete traz leveza e lirismo, o saxofone oferece densidade e profundidade. Essa combinação cria um contraste expressivo que se torna a marca registrada do Jazztet."
Historicamente, o álbum também é importante por representar uma alternativa estética dentro do hard bop. Em vez de enfatizar apenas a energia e o blues, o Jazztet buscava sofisticação formal e refinamento sonoro. Essa proposta antecipava, de certa forma, a valorização de arranjos mais elaborados que se tornaria comum em grupos posteriores.
Embora o Jazztet não tenha tido a mesma longevidade de outros grupos históricos, sua influência é perceptível na maneira como pequenos conjuntos passaram a valorizar mais o trabalho de arranjo e o coletivo. O disco permanece como um exemplo de como o jazz pode equilibrar emoção e inteligência musical.
O Jazztet, criado em 1959, viveu até 1962. Farmer e Golson reviveram o Jazztet em 1982 para turnês e gravações, incluindo uma notável apresentação no North Sea Jazz Festival.
O disco, mais de seis décadas após seu lançamento, continua sendo uma audição essencial para quem deseja compreender o jazz moderno. Trata-se de um álbum que recompensa a escuta atenta, revelando novos detalhes a cada audição.
Art Farmer morreu em outubro de 1979 aos 71 anos e Benny Golson em setembro de 2024 aos 95 anos.
As músicas do álbum são as seguintes:
- Hi-Fly (Randy Weston)
- Blues On Down (Benny Golson)
- Five Spot After Dark (Benny Golson)
- My Funny Valentine Richard Rodgers e Lorenz Hart)
- Wonder Why (Sammy Cahn e Nocholas Brodszky)
- Con Alma (Dizzy Gillespie)
- Bean Bag (Benny Golson)
- Junction (Benny Golson)
- Farmer's Market 9Art Farmer)
- 'Round Midnight (Thelonius Monk, Cootie Willians e Bernie Hanighen)
- A November Afternoon (Tom McIntosh
O CD (importado) ainda está à venda nos bons sites do ramo. Não encontrei o áudio no YouTube, mas encontrei um vídeo de mais de 30 minutos com o retorno do grupo no North Sea Jazz Festival em 1982, que eu cito no artigo. O link é https://www.youtube.com/watch?v=rumaonfAMvo .
sexta-feira, 10 de abril de 2026
A nóia da paranoia que virou joia de camelô
Por Ronaldo Faria
Josee Koning, a holandesa quase brasileira*
Por Edmilson Siqueira "Eu nasci na Holanda, mas na primeira vez que fui ao Brasil fui fisgada. Fascinada pela beleza do país, do povo...
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Por Ronaldo Faria O CD Cazas de Cazuza – A Ópera-Rock é de 2000. Dez anos após a sua morte, vítima da Aids. Dos discos que homenagearam d...
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Por Ronaldo Faria -- E aí, vamos? -- Claro. Só se for agora... Carlos e Kelé, amigos de infância, suburbanos desde os primeiros panos de ...




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