O guitarrista Tuck Andress conheceu a cantora Patti Cathcart em São Francisco em 1978. Antes disso, Tuck estudou música clássica em Stanford e foi músico de estúdio. Patti também teve formação clássica e cantou num grupo chamado Brides of Funkenstein.
Viraram namorados e casaram-se em 1983. Depois de se mudarem para São Francisco, cidade natal de Cathcart, trabalharam numa banda de covers de rock and roll. Recusaram propostas de contratos de gravação enquanto trabalhavam para encontrar um som próprio.
Isso só foi acontecer em 1987, quando assinaram com a Windham Hill Jazz para quem gravaram o seu álbum de estreia, "Tears of Joy".
O som da dupla - violão e voz unicamente - fez sucesso e recebeu execuções em estações de rádio de jazz e pop nos EUA. Foi o início de uma carreira que geraria muitos frutos. Gravaram vários outros álbuns para a Windham Hill Jazz e, em 1995, assinaram com a Epic. Seguiram-se mais álbuns para a Windham Hill e para a 33rd Street . Criaram a editora T&P Records, que licencia os seus álbuns para distribuição mundial. Além de atuarem, dão aulas particulares e workshops de canto e guitarra.
Pois é esse disco - "Tears of Joy" - o primeiro da dupla, que tirei da gaveta para ouvir esta semana e comentar aqui.
Lançado em 1988, ele surgiu, segundo os críticos, em um momento em que o jazz contemporâneo buscava novos caminhos entre a tradição e a música popular, mas poucos trabalhos conseguiram alcançar a originalidade e a intimidade que caracterizam este disco. Gravado apenas com voz e guitarra, "Tears of Joy" tornou-se um dos registros mais marcantes do chamado crossover jazz dos anos 1980.
Esses mesmos críticos perceberam a riqueza extraída do vilão de Tuck: "O aspecto mais impressionante do álbum é justamente sua economia de meios. Sem bateria, baixo ou teclados permanentes, Tuck Andress cria uma base harmônica e rítmica extraordinariamente rica. Sua técnica combina acordes, linhas de baixo, melodias e elementos percussivos executados simultaneamente, produzindo a sensação de que há vários músicos tocando ao mesmo tempo." E não deixaram por menos ao se referirem à cantora: "Patti, por sua vez, canta com naturalidade e sensibilidade, evitando excessos e privilegiando a comunicação emocional direta."
A faixa-título, “Tears of Joy”, abre o álbum de forma luminosa. A composição apresenta imediatamente as qualidades que fariam do duo uma referência para músicos e apreciadores do jazz vocal.
Entre os momentos mais conhecidos do disco está a releitura de “Time After Time”, sucesso de Cyndi Lauper. A versão de Tuck & Patti transforma uma canção pop em uma peça de jazz intimista. Muitos ouvintes conheceram o trabalho do casal justamente por essa gravação, que recebeu significativa atenção em rádios de jazz e de música adulta contemporânea.
Outro destaque é “My Romance”, clássico do cancioneiro americano que recebe tratamento elegante e minimalista. Patti demonstra profundo entendimento da tradição vocal do jazz, enquanto Tuck oferece acompanhamento refinado.
“Better Than Anything” e “Everything's Gonna Be All Right” reforçam o clima otimista que percebemos em grande parte do álbum.
A produção do disco também merece elogios. Em vez de recorrer a overdubs complexos ou efeitos excessivos, os músicos optaram por uma sonoridade limpa e transparente. Como é explicado no encarte: "Todas as gravações foram ao vivo no estúdio (sem sobreposições e edições).”
Embora tenha sido lançado em uma época marcada por produções grandiosas e sintetizadores, "Tears of Joy" provou que a simplicidade podia ser igualmente impactante. O álbum conquistou tanto apreciadores de jazz quanto ouvintes vindos da música pop e da música acústica. Seu sucesso abriu caminho para uma carreira duradoura.
Mais de três décadas após seu lançamento, Tears of Joy continua soando atual. Sua força não depende de modismos nem de recursos tecnológicos específicos. O que permanece é a qualidade das canções, a excelência das interpretações e a rara sintonia entre dois artistas que transformaram a comunicação musical em uma forma de arte.
As dez faixas do disco são as seguintes:
- Tears of Joy (Patti Cathcart e Tuck Andress)
- Takes My Breath Away (Patti Cathcart e Tuck Andress)
- I've Got Just About Everything (Bob Dorough)
- Time After Time (Cyndi Lauper e Rob Hyman)
- Everything's Gonna Be All Right (Patti Cathcart)
- Better Than Anything Bill (Loughborough e David Wheat)
- My Romance (Richard Rodgers e Lorenz Hart)
- Up and At It (Wes Montgomery)
- Mad Mad Me (Patti Cathcart)
- Love Is the Key (Patti Cathcart e Tuck Andress)
O CD está à venda nos bons sites do ramo e pode ser ouvido na íntegra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=21neUq5e3MY&list=RD21neUq5e3MY&start_radio=1 .

















