Por Ronaldo Faria
Musicoólatras
DOIS APAIXONADOS POR MÚSICA A FALAREM DE VINIS, CDS E DVDS
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Como pode?
sábado, 8 de agosto de 2026
Meleca melecada
Por Ronaldo Faria
Melhor parar e dormir. Na cama dura, nas lapelas do som, saber sobreviver aos pesadelos de sonhos e ensejos mil. Todos loucos e com (in)certezas do que virá. A cada noite/madrugada um enredo tresloucado, drogado ou não, na insana loucura de ser. Mas, calma, o personagem em questão precisa esperar o horário dos remédios tomar. Enfim, quando a vida se resume a isso, ela vira algo nada pra se viver...
(Com Gil e Caetano)
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Hora de mudar para o Gil junino, ou não
Numa esquina qualquer no Rio de
Janeiro em pleno janeiro cheio de calor e quentura que o corpo normal não sabe
se está no inferno ou no apocalipse do fogo, Clara e José vivem a festa junina
antecipada. Soltam balões incandescentes de chamas de amor, pregam bandeirinhas
num varal milimetricamente definido e juram juras para algum João, Pedro ou Antônio.
A todos, certamente, serão bons dias em amor. Estorvos feito corvo profético ou
fétido, nos façamos olvidar.
Nas vozes de algozes que vivem
e sobrevivem em raros momentos de lucidez, sons rotineiros e algum silêncio
prematuro e maduro do dia que sequer se esqueceu de ser e escurecer. Uma
pequena chuva de verão nada mais é do que o chegar de poucas gotas no mundo.
Cataclismos e cismo retardados ou catastróficos. Na utopia de cada um de nós,
utópicos e sombrios poemas envolvidos numa eterna lembrança. Na lambança de contar
frases, paráfrases etéreas ao nada.
Na praça cheia de pombos cagões,
unções de histórias histriônicas a se volatizarem, um ou outro babaca ou herói
joga milho para saciar a fome dos pássaros que dividem amores e ódios. Perdido
no ardido saber de viver, Jeremias se antecipa a Clara e José e diz que tem que
existir um meio termo, mesmo seja este jogado ao léu do haver. Na loucura da
procura, pouco há que se responder. Mas o que é essa tal de vida senão um imbróglio
de tanto faz o quente ou tanto faz o frio? Tanto faz...
(Na saudade do Céu da Boca)
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Do vinho à cerveja
Por Ronaldo Faria
domingo, 2 de agosto de 2026
Um gênio aos 80 anos
Por Edmilson Siqueira
E vou continuar curtindo esse gigante da nossa música, pois comprei mais um CD dele com o filho, que deve chegar por esses dias.
Artistas como João Bosco não aparecem todos os dias, nem todos os anos, talvez nem em décadas. Portanto, seus 80 anos, gravando e fazendo shows é um presente enorme para o fã da boa música brasileira. Vamos aproveitar e aplaudir esse gênio!
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Amanhã ou depois de amanhã?
Por Ronaldo Faria
Amanhã ou depois de amanhã?
Saberemos lá. Saber-se-á. Nunca um dia será como o outro em suas descobertas,
tédios, olhares, sabores, sentenças, clamores, saudades, açoites, restos de
dias passados, tempos terminados ou consagrados, respostas nunca respondidas, afagos
ou tragos. Afinal, nada foi como antes. Nem beijos tresloucados em bares de
lagoas, matas ou ruas de subúrbio no estapafúrdio declinar de seu primeiro
amor...
Amanhã ou depois de amanhã?
Qual tarô ou jogo de cartas poderia prever? Na imprevisibilidade que sequer a
bondade ou a maldade dos tempos pode determinar, não existiu destino
antecipado. Páginas do calendário se tornaram erário nunca visto, decisões se volatizaram.
O único amigo morreu logo depois de desfilar. Nem fotos há. O Interior se
rendeu ao mar. Mas o poeta seguiu quem dizia para não ficar de costas ao
Brasil...
Amanhã ou depois de amanhã? Ambos existirão no próximo segundo? Alternativos da brincadeira que a eira e a beira da faca do tempo nos deixa a caminhar no limiar do corte, são indivisíveis e indissolúveis. Não cabe a nós defini-los. Nunca houve e nem haverá sequer com IA. Afinal, para onde íamos um segundo atrás? Tivéssemos mudado gesto, sílaba ou toque, seríamos iguais? Na roda-viva que a vida traz, algo ao destino ainda apraz.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Logo cedo?
Por Ronaldo Faria
terça-feira, 28 de julho de 2026
Bill Evans: um mestre do jazz ao piano *
Para se ter uma ideia melhor de sua influência, ele estava, no fim dos anos 1950, no sexteto de Miles Davis que culminou com o lançamento de "Kind of Blue", um disco que ajudou a redefinir a linguagem harmônica do jazz e é considerado um dos mais importantes da história do gênero.
Ao longo da década seguinte, seus trios estabeleceram novos padrões de interação entre piano, baixo e bateria, criando um diálogo mais democrático para a música improvisada.
Mas os anos 1970 muitos artistas estavam numa encruzilhada: o mercado se revirou com as novas tendências musicais, principalmente o pop e o rock, levando muitos deles a tentarem novos rumos. Alguns até fizeram sucesso, mas foram poucos.
Bill Evans, porém, decidiu não seguir modismos. Em vez disso, procurou se aprimorar naquilo que fazia de melhor, incorporando novos elementos ao seu universo sonoro. É nesse contexto que surge esse "The Bill Evans Album", com ele ao piano acústico e elétrico, Eddie Gomez no contrabaixo acústico e Marty Morell na bateria.
O trio demonstra uma impressionante unidade musical. E jazz, como se sabe, se baseia no improviso, onde a comunicação entre os músicos é essencial. No caso, ela é instantânea, permitindo que cada composição se desenvolva com grande liberdade e espontaneidade.
Ao não se apegar ao modismo da época, a impressão que passa é que Bill Evans era um artista tradicionalista, preso a uma única maneira de mostrar sua arte. Pois ao usar um piano elétrico Fender Rhodes no álbum, ele demostra a abertura de seus horizontes e que sua permanência no gênero não era sinal de teimosia, apenas de talento e de gosto musical. Um ótimo gosto musical por sinal, pois ele o novo instrumento sem abrir mão de suas características essenciais. O resultado não se aproxima do fusion mais agressivo praticado por outros músicos da época; ao contrário, mantém a elegância, o lirismo e a profundidade harmônica que sempre marcaram sua obra.
O LP original, lançado em 1971, tinha sete faixas. Ao produzir um CD do álbum, decidiram colocar mais três faixas, todas elas como "takes" alternativos. As sete faixas são de autoria de Bill Evans (somente numa delas ele tem a parceria de Carol Hall).
O repertório combina composições originais e releituras cuidadosamente escolhidas. Entre os destaques está “Funkallero”, uma peça que havia sido composta anos antes, mas que ganhou aqui sua primeira gravação oficial. A música revela uma faceta menos conhecida de Evans, marcada por um balanço sutil e por uma estrutura harmônica rica e inventiva. A composição tornou-se uma das favoritas dos admiradores do pianista e passou a integrar o repertório de inúmeros músicos de jazz.
Outra faixa importante é “The Two Lonely People”, que é a parceria de com a letrista Carol Hall. A melodia delicada e contemplativa exemplifica a capacidade do pianista de criar temas de grande beleza emocional sem recorrer ao sentimentalismo excessivo. A peça tornou-se uma das composições mais duradouras de seu catálogo.
O reconhecimento da crítica foi imediato. O álbum recebeu o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Jazz por Grupo, um prêmio que confirmou a relevância artística do trabalho. Mais do que um simples sucesso de crítica, a gravação consolidou a imagem de Evans como um artista capaz de permanecer relevante em um cenário musical em constante transformação.
Bill Evans morreu 9 anos depois do lançamento desse disco, em 1980, aos 51 anos. Sua carreira foi encurtada devido a problemas com drogas que minaram severamente sua saúde. Apesar da saúde abalada, ele conseguiu manter um alto padrão de qualidade musical em sua discografia.
De acordo com o famoso crítico de jazz Joachim E. Berendt, "Evans foi o primeiro pianista moderno modal. Seu fraseado elegante e suas harmonias sofisticadas indicam influências de Debussy, Ravel e, recuando um pouco no tempo, até mesmo Chopin."
Hoje, mais de cinco décadas após seu lançamento, The Bill Evans Album continua sendo uma obra fundamental para compreender a evolução do pianista e do próprio jazz.
O CD pode ser comprado nos bons sites do ramo (encontrei na Amazon) e pode ser ouvido na integra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=IDDx9icnm28&list=PLgc-c3Upo-dCu8ORREuzQwhqsZu670Spy .
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Na novidade
Por Ronaldo Faria
Coisa nova, porque afinal toda novidade merece ter de nascer, que chegue e se achegue num maior florescer. Assim, na leviandade da vida, na idade que o calendário lendário e etário nos dá, se crie e se torne solstício no recriar. No caminhar dos dias, a dialética, disléxica, seja apenas uma pena que a ave no voo derrama por inteira.
sábado, 25 de julho de 2026
Vale a pena ser enlouquecido
Por Ronaldo Faria
Conversas antigas, antagônicas
e afônicas, atônitas de ter acontecido, sobressaem no entardecer que a penumbra
traz e traduz. Decerto, alhures, algum beijo está a acontecer. E terá sido dado
por um casal que, fugaz, sequer sabe por que está a sorrir. Afinal, conversas transversas
e voláteis surgem e somem sem mais ou fugazes ais. Mas, decerto, existem.
E persistem encruadas e criadas num mundo sobremaneira disperso e entre a realidade
e a etérea luz. Nalgum momento o amor decerto se traduz...
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Com Zé Renato
Por Ronaldo Faria
Na mesa do bar, a filtrar a cena que acena aos olhos que ainda podem enxergar, José vê-se às benesses que o resto de lucidez dá. Enxerga os limites translúcidos que a finitude deixa estar, caminha feito Pero Vaz de Caminha a dizer que em se plantando tudo pode dar, mente a si mesmo que o dia de amanhã será feito em reluzir. Andarilho de suas trilhas desde os desertos do Saara aos mares das Antilhas, José se sente Josué a abrir mares e marés, sempre na falsa fé. Perpetua a lua translúcida que reluz no céu que transborda de escurecer o ser a queimar os dedos no incenso sem noção daquilo a que veio fazer. “Sacanagem sofrer na dor quando se perpetua e se perpetra um tanto de tal querer...”
Nas notas que denotam outros tons e letras que a canção dá, onde gemer pode virar foder, a vida vira orelhão perdido numa esquina, a sina do amor se reveste na rede a balançar perdida no passado, os corpos se revestem de nudez e prazer. E casas derrubadas e calcinadas trazem recordações fátuas, tocares táteis e imponderáveis soluções malucas e fáceis. Feito mamelucas, rosários frágeis que nem a maior carola sabe recitar, emoções permeiam toques frígidos e voláteis. Na tristeza de um vai e outro vem, num vaivém, a rede a se dependurar nas paredes que as estrelas reluzem no infinito de alguém. Talvez algum violão solitário, uma voz em santuário, a incerteza de ser só querer ser. E assim, a ressoar ou ressonar, as casas perdidas numa rua do até logo em até mais se esmeram de tudo saudar.
terça-feira, 21 de julho de 2026
Questiúnculas
-- De novo essa pergunta sem noção e já com a resposta sabida?
-- Desculpe. Foi só pra saber se você sabe e antecipa a realidade logo ali próxima.
-- Claro que sei. Mas, se não existir isso, resta o que mais para aqui fazer?
-- Tem razão. Bebamos e sejamos, então...
domingo, 19 de julho de 2026
Cannonball de novo. Agora bossa nova
Agora imagine um dos grandes saxofonistas do jazz dos EUA se juntando a esse time para gravar um disco só de músicas brasileiras, mais precisamente da bossa nova.
Pois pode parar de imaginar que esse disco existe e se chama: "Cannonball Adderley and the Bossa Nova Rio Sexteto.
O leitor mais atendo deve estar perguntando: "Dois artigos seguidos sobre Cannonball?" Pois é. O artigo da semana passada era do saxofonista e sua união com Mlies Davis, jazz puro na veia.
Mas, ao acessar aquele CD na gaveta do armário, esse outro estava, obviamente, junto, já que tento manter a ordem alfabética na minha humilde coleção. E como estava pensando em escrever sobre algum artista brasileiro, acabei juntando tudo: um grande artista norte-americano e nada menos que seis grandes artistas brasileiros.
O crítico de jazz Orrin Keepnews, escreve logo na abertura de seu texto no encarte do disco: "Este álbum, que combina, de forma única, os talentos de uma grande estrela com os talentos de um excelente grupo de jovens brasileiros, não é apenas mais uma apresentação fascinante dessa irresistível música latina conhecida como bossa nova, é também alguma coisa verdadeiramente inédita".
O termo "jovens brasileiros" não foi alguma generosidade do crítico: o disco foi gravado em 1962, ou seja, há 64 anos, quando a maioria dessa turma era quase imberbe. Sérgio Mendes, por exemplo, que morreu em 2024, tinha, 22 anos. Um dos mais velhos, Paulo Moura, estava com 30. O próprio Cannonball estava com 34.
Informa Orrin Keepnews novamente: "O Bossa Rio veio para Nova York apenas para uma única apresentação, mas seu entusiasmo por sua música, fez com que Cannonball conseguisse uma audiência privada com eles. E ele foi imediatamente tomado pela ideia de gravar com eles, uma sugestão que a que todos aderiram rapidamente."
Essa única apresentação era aquela famosa do Carneggie Hall que aconteceu em novembro de 1962.
Em 1985, Orrin Keepnews voltou a escrever sobre o disco: "Ao ouvi-lo novamente depois de tantos anos, ainda o considero incomum — e valioso. O álbum traz ritmos de uma autenticidade rara e melodias maravilhosas, incluindo duas das melhores composições de Antônio Carlos Jobim e outras quatro criadas em parceria por Maurício Einhorn e o violonista da banda, Durval Ferreira. Conta também com Cannonball em apresentações que estão, provavelmente, entre as mais líricas e profundamente românticas de sua carreira, lembrando de forma marcante que suas raízes musicais pessoais remontam a nomes como Benny Carter e Johnny Hodges, indo além de Charlie Parker. É um disco alegre e exuberante, e é muito bom tê-lo de volta.
Acho que não precisa dizer mais nada, né?
As faixas são as seguintes:
- Clouds (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
- Minha Saudade (João Donato)
- Corcovado (Tom Jobim)
- Batida Diferente (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
- Joyce's Samba (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
- Groovy Samba (Sérgio Mendes)
- O Amor em Paz (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
- Sambops (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
- Corcovado (Tom Jobim)
- Clouds (single version) (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Com Astor Piazzolla e Ilan Rogoff
Por Ronaldo Faria
-- O senhor deseja outra taça?
A voz do garçom, solícito e a crer que o melhor na descrença é tentar ser, lhe soa como último pedido em cadafalso.
-- Pode trazer, claro. Aliás, traga a garrafa e a deixe aqui.
Agora um piano personifica no salão as teclas ascetas que invadem a alma sem pedir permissão. E vem a lembrança ancha de paixão e famélica na ausência do amor. No torpor que o fim de tudo traz, as dores repicam pelo corpo. De fora vem o odor de damas da noite com seus perfumes baratos. Nos esgotos, vê-se um ou outro rato. Um motorista tresloucado buzina sem parar. Do alto do prédio o zumbi homofóbico grita a plenos pulmões: “Viado!” No bar, em sua acústica solitária, atávica, plenipotenciária, nada se ouve. As notas da canção são o verbo único e final.
O vinho, Devil’s Carnival, desce pela garganta entregue ao silêncio profano. No altar colocado no canto do bar, um anjo arcanjo abençoa a cena. Diante dos dedos que correm dos instrumentos em lamento, o casal – ele com perfil anasalado e ela esguia como enguia que aprendeu a bailar – dança no salão. Adamastor, contrito na sua dor, vê e revê o bailar da amada nas areias da praia que se entrega ao mar embriagada e tragada de ondas a pulular. E no seu silêncio que grita ao mundo seu sofrer, catatônico e atônito no limiar da lucidez, beija a tez da escolhida num tormento em lumiar. Defronte de tudo, encolhida de medo, uma criança sequer sabe por que está na narrativa de sortilégios que nem o autor, perdido na sua imensidão, consegue explicar.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Poeminha para o mar
Por Ronaldo Faria
Como pode?
Por Ronaldo Faria -- Como alguém pode passar uma vida inteira sem amar a mais ninguém? Sem sentir a dor da saudade, sem descobrir a alegr...
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Por Ronaldo Faria -- E aí, vamos? -- Claro. Só se for agora... Carlos e Kelé, amigos de infância, suburbanos desde os primeiros panos de ...
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Por Ronaldo Faria A chuva miúda amiúde traz flamboyants vermelhos a juntarem o casal que viaja em ervas mil onde o senhor mais senil pensa...







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