Por Ronaldo Faria
Musicoólatras
DOIS APAIXONADOS POR MÚSICA A FALAREM DE VINIS, CDS E DVDS
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Em Lupicínio
sábado, 18 de abril de 2026
Parindo segunda parceria
Nessa estrada que é reencontro de mim em você... só você.
Vem descobrir o mistério tecer versos que a vida brotou.
Tudo é tempo demais, é sorrir e cantar. Você voltou!
Corre até a varanda, sobe nas nuvens que o céu espalhou.
Brinca de olhar lá na frente, se redescobrir sonhador.
Segue na luz desse sol que se arranca nos lábios em flor.
Vem viver a esperança ressurgir do nosso amor. Amor...
Chega de mala e cuia, desembrulha o presente sem dor.
Depois, se atira em meus braços e sente que nada mudou.
Feito criança, lambança na chuva que a aurora deixou.
Largados em meio ao nada, serenata perdida em louvor.
Vamos reviver a vida demais.
Vamos ser apenas nós, no nosso aliás.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Nas memórias das letras e grutas
Por Ronaldo Faria
O entardecer se faz crepúsculo
na orgia que une luz de sol e nuvens brancas que escurecem sob as montanhas que
nada mais são do que entranhas que viajam no céu avermelhado e amarelo que bronzeia
a cadela caramelo. Entre pedras de um santo que pede para ver e crer, nas
letras diversas das efemérides plenas, o tempo se perde em pedras e paixões.
Nas entranhas, de mochilas encilhadas na própria estrada, calcinadas nas
montanhas brancas de pó e fuligem, casais vão a se misturar na maré além-mar.
No olhar, mistura de paixão e brancas névoas de brisa a se largar, o amor de
dois corpos se entrega a mais um trago. Largado em seus próprios pensamentos, feito
unguentos que curam até o santo preso numa cruz, o poeta cumpre a complacência
de apenas sê-lo. Ser do tempo de lamber selos e envelopes de carta com a língua
pra se entregar à saudade transitória que está em trânsito entre os olhos e o
coração. Na cachoeira que se estreita aos sentidos vãos, uma brincadeira entre
a dor e o sobrenatural.
(Com Ventania na cuca)
terça-feira, 14 de abril de 2026
Na vibe de crer e acreditar
domingo, 12 de abril de 2026
O Jazztet de Art Farmer e Benny Golson*
E é um jazz exatamente "pessoal" que deparamos ao ouvir o CD "Blues On Down", com as performances de Art Farmer ao trompete e Benny Golson no sax tenor, com o seu Jazztet.
O álbum em vinil foi lançado em 1960 pela Argo Records e representa um dos momentos mais elegantes e refinados do hard bop, um estilo muito mais suave que o be pop. Mais do que apenas um encontro entre dois grandes músicos do jazz, o disco marca a consolidação de um grupo com identidade própria, sonoridade sofisticada e liberdade de improvisar.
Para nos dar uma perfeita aula de sonoridade, Golson e Farmer juntaram-se a Tom McIntosh no trombone, Cedar Walton no piano, Tommy Willians no baixo e Albert "Tootie" Hearh na bateria.
Uma composição que não foge muito do usual, na combinação de metais, cordas e percussão. O que torna esse disco especial é justamente o modo de encarar não só as partituras que Golson escreveu, como olhar para clássicos como My Funny Valentine (quarta faixa) com o respeito e originalidade.
Quando Golson e Farmer criaram o Jazztet, os dois músicos que já haviam conquistado reputação no cenário jazzístico dos anos 1950. Golson, além de instrumentista, era um dos grandes compositores do jazz moderno, autor de standards como "I Remember Clifford", "Whisper Not" e "Killer Joe". Farmer, por sua vez, era reconhecido pelo timbre suave, pela técnica impecável e por sua abordagem melódica extremamente refinada, que contrastava com o estilo mais explosivo de outros trompetistas da época.
A proposta do Jazztet era clara: criar um grupo que funcionasse como uma espécie de “pequena big band”, com arranjos elaborados e forte preocupação com a arquitetura musical. Isso diferenciava o conjunto de muitos quintetos e sextetos da época, que privilegiavam mais a espontaneidade do que o trabalho de arranjo. Nesse sentido, a influência da experiência de Golson como arranjador foi decisiva.
Não que outros grupos estivessem fazendo algo que não agradava. É que o Jazztet surgiu com um som diferente que também caiu nas graças dos apreciadores de jazz. Isso porque, o que tocavam refletia bem a proposta artística do Jazztet. E isso fica claro no disco: as composições alternam momentos de grande sofisticação harmônica com passagens de forte apelo melódico.
Art Farmer demonstra ao longo do disco porque era considerado um dos trompetistas mais elegantes de sua geração. Seu fraseado é sempre econômico, priorizando a beleza melódica em vez do virtuosismo exibicionista. Sua capacidade de construir solos lógicos e cantáveis reforça o caráter acessível, mas sofisticado, do álbum.
Segundo a crítica da época, "um dos aspectos mais interessantes do disco é justamente a complementaridade entre Farmer e Golson. Enquanto o trompete traz leveza e lirismo, o saxofone oferece densidade e profundidade. Essa combinação cria um contraste expressivo que se torna a marca registrada do Jazztet."
Historicamente, o álbum também é importante por representar uma alternativa estética dentro do hard bop. Em vez de enfatizar apenas a energia e o blues, o Jazztet buscava sofisticação formal e refinamento sonoro. Essa proposta antecipava, de certa forma, a valorização de arranjos mais elaborados que se tornaria comum em grupos posteriores.
Embora o Jazztet não tenha tido a mesma longevidade de outros grupos históricos, sua influência é perceptível na maneira como pequenos conjuntos passaram a valorizar mais o trabalho de arranjo e o coletivo. O disco permanece como um exemplo de como o jazz pode equilibrar emoção e inteligência musical.
O Jazztet, criado em 1959, viveu até 1962. Farmer e Golson reviveram o Jazztet em 1982 para turnês e gravações, incluindo uma notável apresentação no North Sea Jazz Festival.
O disco, mais de seis décadas após seu lançamento, continua sendo uma audição essencial para quem deseja compreender o jazz moderno. Trata-se de um álbum que recompensa a escuta atenta, revelando novos detalhes a cada audição.
Art Farmer morreu em outubro de 1979 aos 71 anos e Benny Golson em setembro de 2024 aos 95 anos.
As músicas do álbum são as seguintes:
- Hi-Fly (Randy Weston)
- Blues On Down (Benny Golson)
- Five Spot After Dark (Benny Golson)
- My Funny Valentine Richard Rodgers e Lorenz Hart)
- Wonder Why (Sammy Cahn e Nocholas Brodszky)
- Con Alma (Dizzy Gillespie)
- Bean Bag (Benny Golson)
- Junction (Benny Golson)
- Farmer's Market 9Art Farmer)
- 'Round Midnight (Thelonius Monk, Cootie Willians e Bernie Hanighen)
- A November Afternoon (Tom McIntosh
O CD (importado) ainda está à venda nos bons sites do ramo. Não encontrei o áudio no YouTube, mas encontrei um vídeo de mais de 30 minutos com o retorno do grupo no North Sea Jazz Festival em 1982, que eu cito no artigo. O link é https://www.youtube.com/watch?v=rumaonfAMvo .
sexta-feira, 10 de abril de 2026
A nóia da paranoia que virou joia de camelô
Por Ronaldo Faria
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Viagem no tempo atrás
Alguns acontecimentos que marcaram 1957 foram:
O lançamento do Sputnik 1, russo, o primeiro satélite artificial a orbitar a Terra, em 4 de outubro.
O lançamento da Sputnik II, russo, que levou a cadela Laika, o primeiro ser vivo a orbitar a Terra.
A criação do rock'n'roll nos Estados Unidos.
A premiação do drama Around the World in 80 Days como melhor filme no Oscar.
No Brasil, o início da construção da Usina Hidrelétrica de Três Marias, no norte de Minas Gerais.
No Brasil, o início da construção de Brasília, a nova capital federal.
No Brasil, a estreia de Pelé na Seleção Brasileira de Futebol, aos 16 anos.
Criação da Rede Ferroviária Federal, reunindo 18 ferrovias regionais e tendo como intuito promover e gerir o desenvolvimento no setor de transportes ferroviários.
Em novembro um ataque extraterrestre a duas sentinelas no Forte de Itaipu acontece em Praia Grande, no estado de São Paulo.
Um ano depois surgiria a Bossa Nova.
-- Como assim?
-- Tinha a certeza de que morreria aos 47 anos. Desde que me entendo por gente tinha essa premonição.
-- Mas, viu, ela não se fez...
-- Não. Ganhei mais duas décadas por tabela.
-- E por que 47?
-- Sei lá. Era um número mágico.
-- Certo...
-- Bem depois descobri que Fernando Pessoa se foi nessa idade. Isso me deixava até orgulhoso.
-- Morrer na idade do poeta maior?
-- É. Ser mais um heterônimo, mas desconhecido e patético. Nem um grão do que ele foi.
-- Sei. Fã tem umas ideias fodas...
Clarividêncio e Kajamarino conversavam num boteco onde o treco central era apenas despirocar de doideira e tomar. Talvez até despistar a realidade e a saudade de idos atrás.
-- E sabe, foram tempos bons esses 20 a mais. E ruins, claro. Nem tudo é só alegria, ou dor. Fatos nos fatos vieram forjados nas lembranças do passado, como Cara de Cavalo caçado nos telhados da Tijuca, perto de casa. Um transformador explodindo. Espocar de tiros e chamas coloridas. Um Réveillon fora de época.
-- Certo. Pena que não havia celular para registrar.
-- Celular? Isso nem existia na ficção científica. Luxo era ter telefone de discar em casa...
-- Certo, muito luxo. Quase fato esdrúxulo.
-- Mas é isso: na vida você ganha mais duas décadas. Se for pensar direito, um puta ganho de causa.
-- Com certeza.
-- Agora é torcer para que o quatro não seja um seis...
-- Tá com medo da profecia rolar agora?
-- Sei lá. Quem tem cu, tem medo. E todos temos medo, e cu. É inerente ao homem. Medo de ver que tudo passou tão rápido e pensar se tanta desandança e contradança serviu para alguma coisa. Que o fim vai vir, isso é lógico que sim. Na verdade, hoje nem ligo se vier. É a certeza final da existência. Ademais, com alguém que amo de loucura de uma forma ou de outra, vou me rejuntar. Logo, tudo bem. Mas, aí me pergunto: será que quem me toma como pena de aluguel e cria um monte de milhares de coisas escritas já cumpriu seu papel?
-- Sei lá. Talvez sim, talvez não. Depende da missão. Mas aí já é deixar de ser ateu.
-- Pode ser. Como o caso das bruxas, onde não se crê, mas se sabe que existem. Com toda a certeza, em chiste. Dezenas de coincidências já comprovaram essa tese no tal de destino.
-- Pois é. Talvez seja o fato de esperar pra ver.
-- Podes crer! Joacir, manda mais outras cervejas na mesa que o papo vai rolar até o cérebro parar de responder!
Na orla que orna de lua cheia, areia de cristais diminutos a desabrocharem cada vez que a espuma da ressaca os deixa em paz, os minutos se misturam nos calendários romano, gregoriano, chinês, budista, hebraico, muçulmano, persa, asteca, celta, helênico, maia, inca, babilônico, holoceno, tantos mil a mais e outros que tanto fazem, fizeram ou farão nexo e presto. Na prosa e verso, os dois amigos somente redescobrem que a ampulheta do tempo não vale uma punheta bem dada.
terça-feira, 7 de abril de 2026
Sinatra em ótima companhia
Para este disco, ou para as músicas brasileiras, os arranjos ficaram a cargo de Eumir Deodato e o próprio Jobim participa das gravações tocando violão.
No outro lado do LP, Sinatra canta um repertório mais alinhado ao pop orquestral norte-americano do início dos anos 1970, com arranjos de Don Costa, que era um colaborador frequente do cantor.
O lado A, com as músicas de Jobim, acaba sendo mais sofisticado, mas o lado B colabora para mostrar a versatilidade de Sinatra naquele momento de sua carreira: de um lado, o intérprete intimista e refinado que se adapta com naturalidade à estética econômica da bossa nova; de outro, o crooner grandioso que domina as baladas orquestrais com sua já lendária segurança interpretativa.
As faixas gravadas com Tom Jobim mantêm atmosfera elegante que marcou o álbum de 1967. Canções como “Drinking Water (Água de Beber)”, “Someone to Light Up My Life" ("Se Todos Fossem Iguais a Você") e “Wave” demonstram como Sinatra compreendia perfeitamente a essência da bossa nova: cantar menos para expressar mais. Aliás, é famosa a foto que mostra Jobim sentado, segurando com um dos braços um violão e com a outra mão fazendo um sinal de "pequeno" com os dedos para Jobim. Ruy Castro, no livro "Chega de Saudade", botou a seguinte legenda para esta foto: "Cantar baixinho: Tom dá a medida da voz a The Voice". Sinatra, por sua vez, disse que a última vez que ele cantara tão baixo foi quando teve laringite.
Mas, ao contrário de muitos cantores norte-americanos que tentaram interpretar o repertório brasileiro apenas como uma curiosidade exótica, Sinatra percebeu o caráter sofisticado dessa música. Sua interpretação evita exageros e vibratos excessivos, privilegiando uma emissão vocal mais suave e um fraseado relaxado, muito próximo da estética criada por João Gilberto. Ou seja, ele ouviu o conselho de Jobim e percebeu que sua interpretação só seria enriquecida respeitando o autor.
Jobim, por sua vez, aparece não apenas como compositor, mas como pianista, violonista e parceiro artístico. Seu toque econômico e sua harmonia refinada ajudam a criar o ambiente perfeito para a voz de Sinatra. O diálogo entre os dois artistas revela um respeito mútuo evidente: Sinatra canta com discrição para não invadir o espaço musical de Jobim, enquanto os arranjos preservam o protagonismo do intérprete.
Essa escolha estética mostra a inteligência musical do cantor. Já consagrado como uma das maiores vozes do século XX, ele não precisava provar nada tecnicamente. Em vez disso, preferiu adaptar-se ao espírito das canções. Esse tipo de postura demonstra uma qualidade rara entre artistas consagrados: a humildade musical.
A segunda metade do disco apresenta uma mudança clara de atmosfera. Sob a direção de Don Costa, Sinatra retorna ao território das grandes baladas orquestrais. Faixas como “I'll Drink The Wine” e “Leaving on a Jet Plane” mostram o cantor dialogando com o repertório contemporâneo da época, aproximando-se da canção pop que dominava as paradas no início da década de 1970.
Sinatra & Company surge em um momento de transição na carreira do artista. O cantor já não era apenas o ídolo juvenil dos anos 1940 nem apenas o intérprete sofisticado dos anos 1950 e 60. Ele agora buscava reafirmar sua relevância em um cenário musical dominado pelo rock e pelas novas tendências da música pop.
Embora não seja considerado um dos álbuns mais famosos de sua discografia, Sinatra & Company tem grande valor artístico. Especialmente as gravações com Jobim são frequentemente redescobertas por admiradores da bossa nova e do jazz vocal.
Com o passar do tempo, muitos críticos passaram a ver essas faixas como uma continuação natural do encontro histórico entre a música americana e a música brasileira que marcou os anos 1960. Sinatra ajudou a legitimar internacionalmente o repertório de Jobim, apresentando essas canções a um público ainda mais amplo.
Hoje, o disco é apreciado principalmente por quem busca conhecer as facetas menos óbvias da obra do cantor. Não é um álbum de grandes sucessos radiofônicos, mas sim um trabalho de nuances, de detalhes e de encontros musicais sofisticados.
Sinatra & Company é um álbum que talvez não ocupe o centro das atenções na vasta discografia de Frank Sinatra, mas representa muito bem sua inteligência artística e sua abertura para novas experiências musicais. A parceria com Tom Jobim continua sendo o ponto alto do trabalho, oferecendo momentos de rara elegância e sensibilidade.
Em última análise, Sinatra & Company mostra que o verdadeiro talento não está apenas na potência da voz, mas na capacidade de ouvir, aprender e compartilhar a música com outros grandes artistas.
- Drinking Water (Água de Beber) - (Vinicius de Moraes, Antônio Carlos Jobim, Norman Gimbel )
- Someone To Light Up My Life (Se Todos Fossem Iguais a Você) (Antonio Carlos Jobim, Viniciu de Moraes e Gene Lees )
- Triste (Antonio Carlos Jobim)
- Don't Ever Go Away (Por Causa de Você) " (Ray Gilbert, Dolores Durán e Antonio Carlos Jobim)
- This Happy Madness (Estrada Branca) (Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e Gene Lees)
- Wawe (Vou Te Contar) (Antonio Carlos Jobim)
" One Note Samba (Samba de uma Nota Só)" (Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça e Jon Hendricks)
- I'll Drink The Wine (Paul Ryan)
- Close To You (Burt Bacharach e Hal David)
- Sunrise In The Morning (Paul Ryan)
- Bein' Green (Joe Raposo)
- My Sweet Lady (John Denver)
- Leaving On A Jet Plane (John Denver)
- Lady Day (Bob Gaudio e Jake Holmes)
O disco (vinil e CD) pode ser encontrado nos bons sites do ramo e pode ser ouvido no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=thS3uO9pnPA&list=PLph8hEsdeSe0NgYfvMoZZoycYYVZ1i2_1
segunda-feira, 6 de abril de 2026
Esquinado no amargo charqueado
Por Ronaldo Faria
sábado, 4 de abril de 2026
Com Gil
Por Ronaldo Faria
Para Ferdinando, nos gracejos e ensejos do tempo que gostaria de fazer voltar e violar, a saudade é a maldade maior. Antes lhe entregassem aos grilhões daqueles tresloucados a morrerem nas masmorras do final inacabado e fadado a se repetir no fim. E tudo no universo que nem o melhor verso de Camões ou Bandeira, Drummond ou Pessoa, fará deslumbrar o começo do alento a se criar. O infinito místico que o finito falar não saberá sequer balbuciar uma sílaba para admoestar a paz que apazigua as feridas que o tempo se esmera em não cicatrizar.
E assim, crivado de prazeres solitários, versos enviesados, mandrágoras que curam dores, alforjes colados em cavalos alados, blasfêmias de fêmeas e pesadelos, desmazelos da Luanda que nunca fomos, Ferdinando é seu mando e mandado para seguir em frente até o fogo do inferno ou de um forno a lhe consumir. No encanto que tanto persegue à verve e se entrega em loucura antiga e ameríndia, ele sabe que está só no condado onde outros tantos solitários são solícitos ao solstício e faz-se tenor de uma ópera inacabada. No céu, surge enfim uma fada. Do alto de tudo, no ato, porém, o Criador grita desesperado: “Cuidado, garota, esse anjo de bosta não te ama. Ele só quer uma transa!”
quinta-feira, 2 de abril de 2026
O par perfeito
Por Ronaldo Faria
terça-feira, 31 de março de 2026
À bossa velha
Por Ronaldo Faria
domingo, 29 de março de 2026
Como Miles Davis começou a reinventar o jazz
É o caso do CD "Morpheus" com Miles Davis. Ele foi lançado dentro da série Quadromania pelo selo Membran em 2005, reunindo, veja você, gravações de Miles de 1949 a 1954, distribuídas em 4 CDs, totalizando 63 músicas. Ou seja, com essa coletânea dá pra conhecer a trajetória inicial de Miles Davis, com diferentes momentos de sua carreira, onde já é perceptível sua constante capacidade de reinvenção estética e sonora.
E poucos artistas na história da música tiveram uma trajetória tão marcada pela inovação quanto Miles Davis. Desde sua participação no movimento bebop ao lado de Charlie Parker nos anos 1940, passando pela criação do cool jazz, pelas experiências modais e posteriormente pela fusão com o rock e o funk, Davis nunca permaneceu artisticamente parado.
Essa característica aparece claramente na seleção de faixas de Quadromania – Morpheus. O disco funciona quase como um pequeno panorama de sua linguagem musical: o fraseado econômico, o uso expressivo do silêncio, a sonoridade intimista do trompete com surdina e a escolha criteriosa dos músicos que o acompanhavam.
Mais do que um virtuose no sentido tradicional, Miles era um verdadeiro arquiteto do som. Sua genialidade estava tanto na forma de tocar quanto na maneira de organizar os grupos e direcionar a música. Ele sabia extrair o melhor de cada instrumentista, transformando seus conjuntos em verdadeiros centros de experimentação musical.
Como sempre aconteceu em sua carreira, ele se cercava de instrumentistas de grande sensibilidade, capazes de compreender sua proposta baseada na interação e na escuta coletiva.
Uma das maiores contribuições de Miles Davis para o jazz foi sua compreensão do silêncio como elemento musical. Influenciado por uma visão mais lírica da improvisação, ele desenvolveu um estilo em que as pausas têm tanta importância quanto as notas.
E mesmo sendo uma coletânea, o disco tem valor documental por reunir registros que ajudam a entender a evolução do jazz no século XX. Miles Davis foi um dos poucos músicos que conseguiram participar ativamente de várias revoluções estéticas dentro do gênero.
Seu trabalho influenciou não apenas trompetistas, mas músicos de todas as áreas. Sua visão artística ajudou a moldar o jazz contemporâneo e também impactou a música popular de forma mais ampla.
A coletânea "Morpheus" reafirma assim a importância de Miles Davis como um dos maiores nomes da história da música, mesmo abrangendo seus anos iniciais. Sua capacidade de reinventar o jazz, sua sonoridade inconfundível e sua busca constante por novos caminhos fazem dele uma referência permanente.
Miles Davis faleceu em 28 de setembro de 1991 em consequência de um AVC combinado com uma pneumonia e insuficiência respiratória, resultado de muitos cigarros e outras drogas, aos 65 anos. Foi enterrado no Cemitério de Woodlawn, no Bronx, Nova Iorque.
CD 1
Israel (Carisi)
Rouge (Davis)
Darn That Dream (De Lange e Van Heusen)
Odjenar (G. Russel)
Hibeck (L. Konitz)
Yesterdays (O. Harbach e J. Kern)
Ezz-Thetic (Russell)
Morpheus (Lewis)
Down (Davis)
Blue Room (Rodgers e Hart)
Whispering (Schonburger, Cobuurn e Rose)
Dig (Davis)
It's Only A Papermoon (Arlen, Harburg e Rose)
Denial (Davis)
Bluing (Davis)
Out Of The Blue (Davis)
CD 2
Donna (Parker)
Yesterdays (O. Harbach e J. Kern)
Chance It (Davis)
How Deep Is The Ocean (Berlin)
Dear Old Stockholm (Davis)
Woody 'N You (Davis)
The Serpent's Tooth -take 1 (Davis)
The Serpent's Tooth - take 2 (Davis)
'Round Midnight (Monk, Willians e Hanigheni)
Compulsion (Davis)
Tasty Pudding (Cohn)
Floppy (Conh)
CD 3
Willie The Wailer (Cohn)
For Adults Only (Cohn)
Ray's Idea (Brown e Fuller)
Kelo (Johnson)
Enigma (Johnson)
Tempus Fugit (Powell)
I Waited For You (Fuler e Gilespie)
C.T.A (Heath)
Tune Up (Davis)
Well You Needn't (Davis)
Take Off (Davis)
Weirdo (Davis)
Lazy Susan (Davis)
It Never Entered My Mind (Rodgers e Hart)
The Leap (Davis)
CD 4
Old Devil Moon (Harburg e Lane)
It Never Entered My Mind (Rodgers e Hart)
I'll Remember April (DePaul, Johnson e Raye)
Walkin' (G. & I. Gershwin)
Blue 'N' Boogie (Gillespie e Paparelli)
But Not For Me (G. & I. Gershwin)
Airegin (Rollins)
Oleo (Rollins)
Doxy (Rollins)
Bags' Groove (Jackson)
A caixa com os 4 CDs encontra-se à venda nos bons sites do ramo. No YouTube há centenas de horas de músicas com Miles Davis, mas não encontrei o CD Quadromania Morpheus por lá.
sexta-feira, 27 de março de 2026
Deslumbre de ver
Por Ronaldo Faria
quarta-feira, 25 de março de 2026
Parabéns ao Paulinho da Viola
Por Ronaldo Faria
Em Lupicínio
Por Ronaldo Faria João estava sentado e só a ver a vida passar. E passavam as moças com seus vestidos soltos, moços com cabelos desfeitos...
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Por Ronaldo Faria -- E aí, vamos? -- Claro. Só se for agora... Carlos e Kelé, amigos de infância, suburbanos desde os primeiros panos de ...











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