-- Pode ser ou não.
-- Como assim?
-- Depende. Se você estiver virado para a parede ou meio embriagado, é meio. Se estiver de frente no alvo e bombado, vem merda por aí.
O papo quase escatológico de João e José vem sem pé e nem cabeça. Na retreta da treta, histórias diferentes e rentes. Descrentes e tementes de inviabilizar amizade desde a infância que já se foi desde seis décadas, seguem bêbados e unilaterais a se ouvirem na cabeça de cada um (que na verdade é uma mesma e só).
No mundo que inunda o profano devasso e retórico há pouco a deduzir. Talvez um luzir de faróis, anzóis que jogamos ao léu à felicidade pescar, retreta de tango tangente e pungente. Na verdade, de verdade verdadeira que se esgueira na solidão, há ao menos um espelho que reflete a felicidade num pedaço de dia à revelia. Meio realidade e outro tanto de nostalgia. Catarse que surge e arde à perfídia para se tornar somente si. Ensimesmada de saudade e vontade de ver, falar, beijar. Na volúpia que somente Cazuza sabe cantar. Aqui e na loucura, outro lugar.
-- Afinal, me responde: fodido é meio fodido ou fodido e meio?
-- Sei lá, caralho. E nem estou aí para saber.
Diante do colóquio sem noção da mesa, Gastão, garçom que conhecia há tempos os dois, coloca logo um balde com seis garrafas deitadas no monte de gelo a suar.
-- Valeu parceiro nosso. Os dez por cento estão cravados, marcados e garantidos.
Do garçom surge um riso claudicante. E a conversa ressurge no mesmo instante.
-- E aí, crava ou não crava?
-- Porra, João, se é tão importante pra você, vai. Foda-se, irmão.
No som do local rola Águas de Março. E ainda estamos em fevereiro fervendo a mil graus.
-- Vamos parar. Nosso escriba tomou uma garrafa de vinho e a tal cerveja alemã de 500 ml.
-- Paremos. Deu! Deixemos pra discutir a vida quando estivermos apenas na loucura que já temos por genealogia e DNA.
-- Isso. Posso dizer algo de coração: você é do caralho.
-- Eu sei, eu sei...
-- Sabe nada. Precisa de mim pra fazer valer.
No entorno, no torto desvencilhar do mundo, o tempo é atemporal e pira, decepcionado, por ser apenas algo pirado.
-- Cacete, cadê a erva que você sonhou que o doidão da terra da maconha achou que ia rolar?









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