Por Ronaldo Faria
Fármaco, álcool e incenso. Creiam nessa tríade. Como diz
Pedro Salomão, “eu já passei por tanta zica que nada vai me assustar. Se chover, viro mar”.
DOIS APAIXONADOS POR MÚSICA A FALAREM DE VINIS, CDS E DVDS
Por Ronaldo Faria
Fármaco, álcool e incenso. Creiam nessa tríade. Como diz
Pedro Salomão, “eu já passei por tanta zica que nada vai me assustar. Se chover, viro mar”.
Por Ronaldo Faria
Por Ronaldo Faria
Verossimilhança entre a
lucidez e a loucura. Mistura de dor e ternura. Âmbar que sai da ambulância em
fortuita discrepância. Anuência do que resta de restar. Pois o restante é
somente semente que se joga ao chão na crença de brotar. Na placa do mundo tem
placa exposta de felicidade para se alugar. Mas precisa de fiador, imóvel
próprio, heterodoxos parentes cheios da grana para tal loucura bancar. Ou seja,
tudo será apenas falácia feito comer escargot com torresmo. Em mim, mero esmero.
Feito pintassilgo que bebe da chuva passageira o último pingo, vamos a tocar a
versão beta de ser. A viver a caçada de Cara de Cavalo nos telhados da Tijuca,
tartarugas d’água num insípido lugar de cimento, o lamento efêmero de incêndios
a queimar em flashes de memória. Na mera calmaria que a quimera da farmacologia dá,
anginas pernoitam sob a esquina. Decerto, logo perto, alguém optou pela
estricnina.
Por Ronaldo Faria
Por Ronaldo Faria
A dor voltou prenunciando a
faca que etra nas costas, a rasgar. Veio assim malandra, se aconchegando
devagar e berrou com tudo: "Cheguei". Retornou com fé e força. Destrambelhou geral. A carcomer
o pouco que ainda sobra para comer. A tornar cada gesto do corpo um sestro a
ser expurgado. A ordem é dar espaço à dor. Deixar tudo mero bagaço. Sem
direito sequer ao trago salvador. Nem aos deuses de umbanda poder pedir um tempo
regulamentar para conseguir ao menos num minuto ter mero tranquilo respirar. Na
azáfama do que isso seja lá o quer for virar...
(Com os Novos Baianos tentando amenizar a dor)
Por Ronaldo Faria
Tudo se vai um dia. Se esvai quando falta o respirar, os olhos perdem a visão, o tempo para de repente, como repente que o cantor faz brotar no seu cantar. E vai embora a entornar o que ainda resta num copo. Feito o que não foi feito por falta de tempo, de entrega, nesga de poesia no final da tarde. Vai como o pássaro que voa e revoa de galho em galho na busca de um dormir. Como casa ou jardim. E chega e se aconchega, se achega, igual burrega na noite tardia que nasce no morrer do dia. Na ilusão sombria da morte, alegria em ter saudade da vida nos restos que ainda brincam de torpor e dor, à sandice de crer na alegria. E assim o poeta e cantador dedilha métricas e notas a esperar que a eternidade lhe traga ao menos o fim dos lamentos. Ao longe surgem os derradeiros ventos e repentistas a lhe convidarem para na eternidade cantar e profetizar o amor na ilusão. Tudo meio poesia e outra metade canção.
(Vital Farias 1943/2025)
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