Por Ronaldo Faria
Leia-se pelo Google que 1957 foi um ano
comum do século XX que começou numa terça-feira e teve a letra dominical F.
Segundo o horóscopo chinês, foi o ano do Galo.
Alguns acontecimentos que marcaram 1957 foram:
O lançamento do Sputnik 1, russo, o primeiro satélite artificial a orbitar a Terra, em 4 de outubro.
O lançamento da Sputnik II, russo, que levou a cadela Laika, o primeiro ser vivo a orbitar a Terra.
A criação do rock'n'roll nos Estados Unidos.
A premiação do drama Around the World in 80 Days como melhor filme no Oscar.
No Brasil, o início da construção da Usina Hidrelétrica de Três Marias, no norte de Minas Gerais.
No Brasil, o início da construção de Brasília, a nova capital federal.
No Brasil, a estreia de Pelé na Seleção Brasileira de Futebol, aos 16 anos.
Criação da Rede Ferroviária Federal, reunindo 18 ferrovias regionais e tendo como intuito promover e gerir o desenvolvimento no setor de transportes ferroviários.
Presidente Juscelino Kubitschek sanciona a lei
que fixa a data da mudança da nova capital federal para Brasília.
Em novembro um ataque extraterrestre a duas sentinelas no Forte de Itaipu acontece em Praia Grande, no estado de São Paulo.
Um ano depois surgiria a Bossa Nova.
-- Duas décadas a mais, quem diria...
-- Como assim?
-- Tinha a certeza de que morreria aos 47 anos. Desde que me entendo por gente tinha essa premonição.
-- Mas, viu, ela não se fez...
-- Não. Ganhei mais duas décadas por tabela.
-- E por que 47?
-- Sei lá. Era um número mágico.
-- Certo...
-- Bem depois descobri que Fernando Pessoa se foi nessa idade. Isso me deixava até orgulhoso.
-- Morrer na idade do poeta maior?
-- É. Ser mais um heterônimo, mas desconhecido e patético. Nem um grão do que ele foi.
-- Sei. Fã tem umas ideias fodas...
Clarividêncio e Kajamarino conversavam num boteco onde o treco central era apenas despirocar de doideira e tomar. Talvez até despistar a realidade e a saudade de idos atrás.
-- E sabe, foram tempos bons esses 20 a mais. E ruins, claro. Nem tudo é só alegria, ou dor. Fatos nos fatos vieram forjados nas lembranças do passado, como Cara de Cavalo caçado nos telhados da Tijuca, perto de casa. Um transformador explodindo. Espocar de tiros e chamas coloridas. Um Réveillon fora de época.
-- Certo. Pena que não havia celular para registrar.
-- Celular? Isso nem existia na ficção científica. Luxo era ter telefone de discar em casa...
-- Certo, muito luxo. Quase fato esdrúxulo.
-- Mas é isso: na vida você ganha mais duas décadas. Se for pensar direito, um puta ganho de causa.
-- Com certeza.
-- Agora é torcer para que o quatro não seja um seis...
-- Tá com medo da profecia rolar agora?
-- Sei lá. Quem tem cu, tem medo. E todos temos medo, e cu. É inerente ao homem. Medo de ver que tudo passou tão rápido e pensar se tanta desandança e contradança serviu para alguma coisa. Que o fim vai vir, isso é lógico que sim. Na verdade, hoje nem ligo se vier. É a certeza final da existência. Ademais, com alguém que amo de loucura de uma forma ou de outra, vou me rejuntar. Logo, tudo bem. Mas, aí me pergunto: será que quem me toma como pena de aluguel e cria um monte de milhares de coisas escritas já cumpriu seu papel?
-- Sei lá. Talvez sim, talvez não. Depende da missão. Mas aí já é deixar de ser ateu.
-- Pode ser. Como o caso das bruxas, onde não se crê, mas se sabe que existem. Com toda a certeza, em chiste. Dezenas de coincidências já comprovaram essa tese no tal de destino.
-- Pois é. Talvez seja o fato de esperar pra ver.
-- Podes crer! Joacir, manda mais outras cervejas na mesa que o papo vai rolar até o cérebro parar de responder!
Na orla que orna de lua cheia, areia de cristais diminutos a desabrocharem cada vez que a espuma da ressaca os deixa em paz, os minutos se misturam nos calendários romano, gregoriano, chinês, budista, hebraico, muçulmano, persa, asteca, celta, helênico, maia, inca, babilônico, holoceno, tantos mil a mais e outros que tanto fazem, fizeram ou farão nexo e presto. Na prosa e verso, os dois amigos somente redescobrem que a ampulheta do tempo não vale uma punheta bem dada.
Alguns acontecimentos que marcaram 1957 foram:
O lançamento do Sputnik 1, russo, o primeiro satélite artificial a orbitar a Terra, em 4 de outubro.
O lançamento da Sputnik II, russo, que levou a cadela Laika, o primeiro ser vivo a orbitar a Terra.
A criação do rock'n'roll nos Estados Unidos.
A premiação do drama Around the World in 80 Days como melhor filme no Oscar.
No Brasil, o início da construção da Usina Hidrelétrica de Três Marias, no norte de Minas Gerais.
No Brasil, o início da construção de Brasília, a nova capital federal.
No Brasil, a estreia de Pelé na Seleção Brasileira de Futebol, aos 16 anos.
Criação da Rede Ferroviária Federal, reunindo 18 ferrovias regionais e tendo como intuito promover e gerir o desenvolvimento no setor de transportes ferroviários.
Em novembro um ataque extraterrestre a duas sentinelas no Forte de Itaipu acontece em Praia Grande, no estado de São Paulo.
Um ano depois surgiria a Bossa Nova.
-- Como assim?
-- Tinha a certeza de que morreria aos 47 anos. Desde que me entendo por gente tinha essa premonição.
-- Mas, viu, ela não se fez...
-- Não. Ganhei mais duas décadas por tabela.
-- E por que 47?
-- Sei lá. Era um número mágico.
-- Certo...
-- Bem depois descobri que Fernando Pessoa se foi nessa idade. Isso me deixava até orgulhoso.
-- Morrer na idade do poeta maior?
-- É. Ser mais um heterônimo, mas desconhecido e patético. Nem um grão do que ele foi.
-- Sei. Fã tem umas ideias fodas...
Clarividêncio e Kajamarino conversavam num boteco onde o treco central era apenas despirocar de doideira e tomar. Talvez até despistar a realidade e a saudade de idos atrás.
-- E sabe, foram tempos bons esses 20 a mais. E ruins, claro. Nem tudo é só alegria, ou dor. Fatos nos fatos vieram forjados nas lembranças do passado, como Cara de Cavalo caçado nos telhados da Tijuca, perto de casa. Um transformador explodindo. Espocar de tiros e chamas coloridas. Um Réveillon fora de época.
-- Certo. Pena que não havia celular para registrar.
-- Celular? Isso nem existia na ficção científica. Luxo era ter telefone de discar em casa...
-- Certo, muito luxo. Quase fato esdrúxulo.
-- Mas é isso: na vida você ganha mais duas décadas. Se for pensar direito, um puta ganho de causa.
-- Com certeza.
-- Agora é torcer para que o quatro não seja um seis...
-- Tá com medo da profecia rolar agora?
-- Sei lá. Quem tem cu, tem medo. E todos temos medo, e cu. É inerente ao homem. Medo de ver que tudo passou tão rápido e pensar se tanta desandança e contradança serviu para alguma coisa. Que o fim vai vir, isso é lógico que sim. Na verdade, hoje nem ligo se vier. É a certeza final da existência. Ademais, com alguém que amo de loucura de uma forma ou de outra, vou me rejuntar. Logo, tudo bem. Mas, aí me pergunto: será que quem me toma como pena de aluguel e cria um monte de milhares de coisas escritas já cumpriu seu papel?
-- Sei lá. Talvez sim, talvez não. Depende da missão. Mas aí já é deixar de ser ateu.
-- Pode ser. Como o caso das bruxas, onde não se crê, mas se sabe que existem. Com toda a certeza, em chiste. Dezenas de coincidências já comprovaram essa tese no tal de destino.
-- Pois é. Talvez seja o fato de esperar pra ver.
-- Podes crer! Joacir, manda mais outras cervejas na mesa que o papo vai rolar até o cérebro parar de responder!
Na orla que orna de lua cheia, areia de cristais diminutos a desabrocharem cada vez que a espuma da ressaca os deixa em paz, os minutos se misturam nos calendários romano, gregoriano, chinês, budista, hebraico, muçulmano, persa, asteca, celta, helênico, maia, inca, babilônico, holoceno, tantos mil a mais e outros que tanto fazem, fizeram ou farão nexo e presto. Na prosa e verso, os dois amigos somente redescobrem que a ampulheta do tempo não vale uma punheta bem dada.





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