A Wikipédia nos informa que Germano Mathias nasceu na Rua Santa Rita no bairro do Pari, São Paulo, em 2 de julho de 1934, filho de Zulmira e Júlio Matias, ambos descendentes de imigrantes portugueses. Em seus primeiros empregos trabalhou como camelô, marreteiro e vendedor de pomadas e sabão anticoceira.
Aos 21 (1955) anos ganhou um concurso quando se apresentou no quadro "À Procura de um Astro", do programa Caravana da Alegria, que J. Silvestre, Cláudio Luna e Élcio Álvares tinham na Rádio Tupi de São Paulo. Na ocasião, ele cantou "Minha Nega na Janela" ao mesmo tempo em que tocava uma tampa de lata de gordura, composição sua com Firmo Jordão que mais tarde seria um dos seus sucessos em gravação pela Polydor. Dentre os 300 candidatos, Germano se sagrou vencedor e ganhou um contrato com a Tupi, com duração de catorze meses e salário de três mil cruzeiros (cerca de 160 dólares à época).
Em 1957, ganhou o Troféu Roquette Pinto de revelação masculina (ao lado de Maysa, que ganhou o de revelação feminina), o que lhe deu um impulso na carreira, que deslanchou.
Nos 3 anos seguintes, chegou a fazer sucesso com alguns sambas, mas de 1960 em diante, sabe-se lá por que, sua carreira entrou em declínio. Tabto declínio que quando Gilberto Gil lançou Antologia do Samba-Choro, um disco alternando gravações de Germano com interpretações de Gil, em vez de convidá-lo a regravar as canções, a gravadora usou registros antigos. O disco fez sucesso e prontificou o relançamento de discos antigos de Germano por parte da RGE e da CID, mas Germano sentiu-se relegado, obviamente a segundo plano.
Germano morreu aos 88 anos, em fevereiro de 2023, justamente numa quarta-feira de cinzas.
A maior parte de seus disco foi gravada na RGE. E é um desses (tenho dois dele) que estou ouvindo. É uma coletânea dentro do projeto "20 Preferidas", com mais de cem títulos tirados do acervo da gravadora.
É um bom retrato não só da carreira de Germano, mas da própria trajetória do tal do samba paulista, que não fica nada a dever às melhores manifestações do gênero por ai. Germano era amigo de Zé Kéti e de outros compositores e cantores cariocas. Nese disco mesmo há três músicas de Zé Kéti.
Como cantor, sempre acompanhado de uma latinha de graxa de sapato, Germano tinha qualidades que o remetiam aos grandes intérpretes. Ele não apenas cantava a melodia tradicionalmente. Como o grande Miltinho, dividia as frases com imensa categoria, inventando nuances que só encontram semelhança nos improvisos do jazz.
Por essas e outras, Germano Mathias merecia um lugar melhor na galeria dos nossos grandes sambistas. Fosse ele carioca e esse lugar, tenho certeza, já teria sido garantido em vida até.
O disco todo é diversão garantida e abarca não só os sucessos do cantor, mas também muitas outras músicas que mereciam ser mais lembras, tivéssemos uma sociedade preocupada em preservar seus valores culturais e artísticos reais.
A seleção é seguinte:
- Guarde a sandália dela (Sereno e Germano Mathias)
- Tem que ter mulata (Tulio Paiva)
- Lata de graxa (Mário Vieira e Geraldo Blota)
- Audiência ao prefeito (Orlando Líbero e Tobis)
- Figurão (Dóca e Germano Mathias)
- Chavecada na Pavuna (Basílio Alves e Gariba)
- Derrocada no Salgueiro (Jorge da Silva e Germano Mathias)
- Malvadeza Durão (Zé Keti)
- Maria Antonieta (Sereno e Germano Mathias)
- Romeu e Julieta (Tito Mendes e Tânio Jairo)
- Força do perdão (Jorge Costa e José Ramos)
- Paraíso da Tereza (Benedito Augusto e Antoninho Lopes)
- Mexi com ela (Zé Keti)
- Juca do Paulistano (Henricão e Conde)
- Vigarista de terreiro (Álvaro Xavier e Zé Keti)
- Amélia granfina (Oswaldo França e Germano Mathias)
- Braço a torcer (Alceu Menezes e Antônio Lopes)
- Recordando confusão (Tóbis)
- Bronca da Marilu (Jorge Costa e Américo de Campos)
- Feitiço fracassado (Silvio Sá e Germano Mathias)
Encontrei na rede dois exemplares deste disco à venda, um por 150 e outro por 290 reais. Há várias gravações em áudio e vídeo dele no YouTube, mas nenhum que seja a reprodução deste disco.


















