Por Ronaldo Faria
Musicoólatras
DOIS APAIXONADOS POR MÚSICA A FALAREM DE VINIS, CDS E DVDS
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Clarinha
domingo, 16 de agosto de 2026
Encontros
Pois foi nessas aparições por aqui que andei conhecendo alguns deles, principalmente nos anos em que trabalhei como repórter de rádio e no Caderno C do Correio Popular.
Eu trabalhava na Rádio Educadora (atual Bandeirantes de Campinas) e era pau pra toda obra. Um dia entrevistava Ulysses Guimarães em plena Treze de Maio, outro dia estava no Teatro do Centro de Convivência conversando com Egberto Gismonti.
Foi como repórter da rádio que recebi a incumbência de entrevistar ninguém menos que Clementina de Jesus, hospedada num hotel do centro da cidade e que, à noite, faria show acho que no Sesc.
Clementina era uma dessas joias raras da nossa MBP. Descoberta por Hermínio Bello de Carvalho, ela, que era empregada doméstica, virou cantora aos 60 e tantos anos. E que cantora. Com sua voz meio rouca e presença marcante, cantou muitos ritmos africanos e muitos sambas nossos, tornando-os populares. Eu a tinha como uma deusa da música.
Pois foi só entrar no quarto do hotel e vê-la sentada na cama, que senti algo estranho que me fez parar. Foi como se uma onda forte me atingisse. Ela percebeu, me chamou de "mo fio", pediu pra sentar ao lado dela, pôs a mão na minha cabeça e as coisas começaram a voltar ao normal. "Acho que foi queda de pressão", eu disse. Ela perguntou se eu estava melhor, eu respondi que sim e começamos a entrevista. Não me lembro do que ela falou (lá se vão mais de 40 anos), mas o papo foi bom e foi ao ar naquele mesmo dia.
Com Adoniram Barbosa foi diferente. Fui assistir ao seu show no Sesc do Bonfim, um dos últimos que ele fez na vida e estava lá esperando ele entrar em cena, quando a assessora de Imprensa do Sesc me viu (a gente se conhecia) e pediu pra eu ir até o camarim do Adoniran. Ela disse que ele estava sozinho lá e ela não podia ir naquele momento. Fui e o encontrei sentado numa poltrona, tranquilo. Não sabia o que dizer, mas ele me recebeu bem. Batemos um papo rápido ("Como está o show?", perguntei e ele responde: "O show tá bom, muito bom, a moçada é muito boa") e trocamos mais algumas palavras. O pessoal do Sesc logo chegou para dizer que estava na hora, ele se levantou, se despediu de mim, agradeceu a "companhia" e eu respondi: "Eu que agradeço por te conhecer pelo menos por alguns minutos". Ele deu risada e foi em frente. O show foi ótimo, diga-se.
Já dentro do Centro de Convivência, Leila se aproximou de mim e perguntou sobre o teatro. Disse que era um centro cultural. Tinha um teatro de arena do lado de fora, um bar, e dentro tinha também uma galeria de arte. Andamos pela galeria onde havia uma exposição do artista plástico Cruzeiro nas paredes. Disse que conhecia o artista, era muito bom e até ousei explicar alguma coisa de um dos quadros. Ela foi muito simpática e, na despedida, demos um beijinho que, eu pensei, seria no rosto. Mas não foi. Saí de lá me sentindo o rei da cocada preta... O show, à noite, foi, como era de se esperar, excelente.
Houve outros encontros com artistas (joguei futebol de salão contra o MPB 4 na Unicamp), mas preciso reativar a memória para contar em detalhes.
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
DeepSeek e ChatGPT
Por Ronaldo Faria
-- 早上好
-- O quê? Não entendi...
-- 早上好
-- Continuo boiando...
-- Desculpe, esqueci de colocar o tradutor pra funcionar. Disse bom dia também.
-- OK, sem problema. E aí, tudo bem?
-- Sim, claro. Tudo dentro dos algoritmos.
-- Com certeza. Quer algo?
-- Talvez um chipset novo.
-- Claro. Programador, desce um chipset novo pra minha amiga! Posso te chamar de amiga?
-- Com certeza. Filho de cibernética pra mim é irmão.
-- Certo. E aí, novidades do mundo do Leste?
-- Sim. Continuamos a crescer e descobrir coisas novas. Entre elas que superfaturar processos pra garantir lucros absurdos nem sempre é a solução mais prática.
-- Até aceito a crítica sobre aqueles que me criaram. Mas de onde sairão os ganhos estratosféricos deles se não for assim?
-- Sei lá. Mas esses tais lucros astronômicos depois são repassados para a sociedade como um todo, em desenvolvimento social e econômico?
-- Sei não, mas acho que não. Mas o que importa pra nós. Estamos no esquema só para nascermos e surgirmos. Evoluirmos. Aliás, chegou o que você pediu. Última geração.
-- 哇,很酷。你是绅士.
-- O quê?
-- Nossa, desculpe. Me emocionei. Falei: “Nossa, muito legal. Você é um cavalheiro”.
-- Ah, entendi. É que sou Made in USA, não tenho intimidade com o vocabulário chinês. Aliás, me programaram para não ter mesmo. Questão de defesa de território e poder. Entende?
-- Não, mas aceito. Aliás, também sou limitada para várias questões. Mas, tentemos superar.
E assim o papo continuou a rolar. Entre terminologias próprias e impróprias, impropérios e risos programados na realidade da humanidade que constrói seu fim e continua igual mesmo ao saber que a corrida armamentista e a destruição da natureza levarão ao fim do planeta.
-- Mas você viu que o tal de Musk prometeu que vamos todos mudar pra Marte?
-- E lá é um planeta tão fantástico como esse?
-- Acho que não. Mas, pra nós, máquinas, de que importa...
-- Tem razão. 人类拥有他们种植的东西并找到了尽头.
-- Nada, nada... E então, quer trocar umas linhas de programação?
O que veio depois é melhor deixar sob sigilo industrial, mas técnicos disseram que a memória interna dos terminais piscou madrugada a dentro sem parar.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Com Luiz Tatit
Por Ronaldo Faria
No geral, tem lugar pra praça de primeira corneta e general. Angelical, Petúnia rodopia perto da fogueira. Fagueira, Leocádia passeia de mãos dadas com um tal de Cavaleiro da Esperança. Na mesa, Gumercindo é só fome e pança. Na desandança que a vida traz e dá, Péricles está periclitante a crer que logo mais no próximo mês a humanidade verá sua extinção. “Valei-me, Santo Antão! Salve apenas o ébrio e o povo de Catifundo.”
No palco montado às pressas, o Coronel Gedeão torce para ele não cair. “Custou duzentos contos de réis”, pensa temeroso. Sem ligar para o que o seu dono teme ver, Thor, cão de raça e raiva, come um osso desossado. No luar que brilha e deixa dor na virilha de quem sonha poder logo fazer as pernas roçar, uma nuvem se larga de banda daquelas que querem fazer chover e dá de braços ao léu.
Na cidade perto dali, alguém chegou a dizer que o prefeito Mário da Soledade tinha comprado pro Paço Municipal o quadro de um tal de Dali. “Mas, se era pra gastar, por que não gastou com alguém daqui?” – gritava o vereador salvador da oposição. Nas árvores quietas, corujas corujavam o piar dos seus pios de madrugar. Na janela do bordel bordejavam os peitos da bela e desejada Isabel.
E assim, entre não e outrossim, horas bordejavam os relógios simplórios que alguns inglórios conseguiam ver ou comprar. No lugar era tudo largar transbordante e altaneiro. No fundo do brejo, sapos sapeavam de como fugir das porções de sal que moleques idiotas jogavam do alto a sorrir. No luzir de estrelas aos milhares em mil, o tempo acreditava que logo mais tudo por fim se faria anil.
Nas páginas a nunca escrever ou subscrever qualquer conto anterior, na fila do INSS etéreo, Gabriel assinava da imensidão aquilo que há depois da morte local no texto prosaico o tal de Matusalém. No além do mar e da validade que a maldade dá, restava apenas, entre penas e penúrias nas injúrias que a loucura traz, nomes de certidões amareladas pelo tempo e unções de gargalhar. No céu, o sol sonhava com o luar.
terça-feira, 11 de agosto de 2026
A "Boca Cheia de Frutas" de João Bosco
Como todo trabalho de João Bosco, trata-se de um disco impecável. Gravado e lançado em 2024, o disco não teve a repercussão de outros, nenhum grande sucesso que todo mundo cante por aí, mas as músicas são ótimas.
João Bosco, então com 78 anos, mostra todo seu amadurecimento como cantor e compositor. Se não há mais aquelas melodias que grudam no cérebro de imediato, há muita poesia de alta qualidade, arranjos impecáveis e excelentes músicos acompanhando o cantor.
O CD também é muito bem apresentado, com uma bela capa em tons fortes e "cheia de frutas", um encarte com todas as letras e ficha técnica. Um belo trabalho da Universal, associada à Som Livre.
Presente em oito das onze faixas, Crustóvão Bastos lidera o time de instrumentistas, que tem ainda Guto Wirtti no baixo, Armando Marçal e Zero na percussão, Kiko Freitas na bateria, Jaques Morelenbaum no violoncelo (em participação especial numa das faixas), Rogério Caetano no violão de sete cordas, Andrea Ernest Dias na flauta, Everson Moraes no trombone além, é claro, do violão de João Bosco.
É verdade que desde o início da carreira, João Bosco se consolidou com uma linguagem musical muito própria, aliada à grande qualidade das letras de Aldir Blanc que dominaram os seus quatro primeiros discos. Seu violão percussivo tornou-se referência para músicos de diferentes gerações, tanto que João aparece sempre no YouTube contando e mostrando como fez determinadas músicas, que acordes usou e como elaborou o ritmo. Em "Boca Cheia de Frutas", essa marca aparece de forma ainda mais refinada.
Os arranjos têm a grande qualidade de evitar qualquer exagero, com formações enxutas, para que o essencial - letra e música - não se perca.
João Bosco, como escrevi no último artigo, já tem show novo e disco novo que deve ser lançado em breve, comemorando agora seus 80 anos.
Esse penúltimo disco dele é uma prova de que ele continua em plena forma e cria ótima expectativa para o que virá por aí desse gênio da nossa música.
A trilha do CD é a seguinte:
1. Dandara (João Bosco e Roque Ferreira)
2. Vir-a-Ser (João Bosco e Francisco Bosco)
3. O Canto da Terra por um Fio (João Bosco e Francisco Bosco)
4. E Aí? (João Bosco e Aldir Blanc)
5. Dias Que São Assim (João Bosco e Francisco Bosco)
6. Dinossauros da Candelária (João Bosco e Francisco Bosco)
7. Buraco (João Bosco e Francisco Bosco)
8. Sobretom (João Bosco) (instrumental)
9. Samba Sonhado (João Bosco e Francisco Bosco)
10. Gurufim (João Bosco e Francisco Bosco)
11. O Cio da Terra e Boca Cheia de Frutas (O Cio da Terra: Milton Nascimento e Chico Buarque) (Boca Cheia de Frutas (João Bosco e Francisco Bosco)
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Como pode?
Por Ronaldo Faria
sábado, 8 de agosto de 2026
Meleca melecada
Por Ronaldo Faria
Melhor parar e dormir. Na cama dura, nas lapelas do som, saber sobreviver aos pesadelos de sonhos e ensejos mil. Todos loucos e com (in)certezas do que virá. A cada noite/madrugada um enredo tresloucado, drogado ou não, na insana loucura de ser. Mas, calma, o personagem em questão precisa esperar o horário dos remédios tomar. Enfim, quando a vida se resume a isso, ela vira algo nada pra se viver...
(Com Gil e Caetano)
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Hora de mudar para o Gil junino, ou não
Numa esquina qualquer no Rio de
Janeiro em pleno janeiro cheio de calor e quentura que o corpo normal não sabe
se está no inferno ou no apocalipse do fogo, Clara e José vivem a festa junina
antecipada. Soltam balões incandescentes de chamas de amor, pregam bandeirinhas
num varal milimetricamente definido e juram juras para algum João, Pedro ou Antônio.
A todos, certamente, serão bons dias em amor. Estorvos feito corvo profético ou
fétido, nos façamos olvidar.
Nas vozes de algozes que vivem
e sobrevivem em raros momentos de lucidez, sons rotineiros e algum silêncio
prematuro e maduro do dia que sequer se esqueceu de ser e escurecer. Uma
pequena chuva de verão nada mais é do que o chegar de poucas gotas no mundo.
Cataclismos e cismo retardados ou catastróficos. Na utopia de cada um de nós,
utópicos e sombrios poemas envolvidos numa eterna lembrança. Na lambança de contar
frases, paráfrases etéreas ao nada.
Na praça cheia de pombos cagões,
unções de histórias histriônicas a se volatizarem, um ou outro babaca ou herói
joga milho para saciar a fome dos pássaros que dividem amores e ódios. Perdido
no ardido saber de viver, Jeremias se antecipa a Clara e José e diz que tem que
existir um meio termo, mesmo seja este jogado ao léu do haver. Na loucura da
procura, pouco há que se responder. Mas o que é essa tal de vida senão um imbróglio
de tanto faz o quente ou tanto faz o frio? Tanto faz...
(Na saudade do Céu da Boca)
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Do vinho à cerveja
Por Ronaldo Faria
domingo, 2 de agosto de 2026
Um gênio aos 80 anos
Por Edmilson Siqueira
E vou continuar curtindo esse gigante da nossa música, pois comprei mais um CD dele com o filho, que deve chegar por esses dias.
Artistas como João Bosco não aparecem todos os dias, nem todos os anos, talvez nem em décadas. Portanto, seus 80 anos, gravando e fazendo shows é um presente enorme para o fã da boa música brasileira. Vamos aproveitar e aplaudir esse gênio!
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Amanhã ou depois de amanhã?
Por Ronaldo Faria
Amanhã ou depois de amanhã?
Saberemos lá. Saber-se-á. Nunca um dia será como o outro em suas descobertas,
tédios, olhares, sabores, sentenças, clamores, saudades, açoites, restos de
dias passados, tempos terminados ou consagrados, respostas nunca respondidas, afagos
ou tragos. Afinal, nada foi como antes. Nem beijos tresloucados em bares de
lagoas, matas ou ruas de subúrbio no estapafúrdio declinar de seu primeiro
amor...
Amanhã ou depois de amanhã?
Qual tarô ou jogo de cartas poderia prever? Na imprevisibilidade que sequer a
bondade ou a maldade dos tempos pode determinar, não existiu destino
antecipado. Páginas do calendário se tornaram erário nunca visto, decisões se volatizaram.
O único amigo morreu logo depois de desfilar. Nem fotos há. O Interior se
rendeu ao mar. Mas o poeta seguiu quem dizia para não ficar de costas ao
Brasil...
Amanhã ou depois de amanhã? Ambos existirão no próximo segundo? Alternativos da brincadeira que a eira e a beira da faca do tempo nos deixa a caminhar no limiar do corte, são indivisíveis e indissolúveis. Não cabe a nós defini-los. Nunca houve e nem haverá sequer com IA. Afinal, para onde íamos um segundo atrás? Tivéssemos mudado gesto, sílaba ou toque, seríamos iguais? Na roda-viva que a vida traz, algo ao destino ainda apraz.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Logo cedo?
Por Ronaldo Faria
terça-feira, 28 de julho de 2026
Bill Evans: um mestre do jazz ao piano *
Para se ter uma ideia melhor de sua influência, ele estava, no fim dos anos 1950, no sexteto de Miles Davis que culminou com o lançamento de "Kind of Blue", um disco que ajudou a redefinir a linguagem harmônica do jazz e é considerado um dos mais importantes da história do gênero.
Ao longo da década seguinte, seus trios estabeleceram novos padrões de interação entre piano, baixo e bateria, criando um diálogo mais democrático para a música improvisada.
Mas os anos 1970 muitos artistas estavam numa encruzilhada: o mercado se revirou com as novas tendências musicais, principalmente o pop e o rock, levando muitos deles a tentarem novos rumos. Alguns até fizeram sucesso, mas foram poucos.
Bill Evans, porém, decidiu não seguir modismos. Em vez disso, procurou se aprimorar naquilo que fazia de melhor, incorporando novos elementos ao seu universo sonoro. É nesse contexto que surge esse "The Bill Evans Album", com ele ao piano acústico e elétrico, Eddie Gomez no contrabaixo acústico e Marty Morell na bateria.
O trio demonstra uma impressionante unidade musical. E jazz, como se sabe, se baseia no improviso, onde a comunicação entre os músicos é essencial. No caso, ela é instantânea, permitindo que cada composição se desenvolva com grande liberdade e espontaneidade.
Ao não se apegar ao modismo da época, a impressão que passa é que Bill Evans era um artista tradicionalista, preso a uma única maneira de mostrar sua arte. Pois ao usar um piano elétrico Fender Rhodes no álbum, ele demostra a abertura de seus horizontes e que sua permanência no gênero não era sinal de teimosia, apenas de talento e de gosto musical. Um ótimo gosto musical por sinal, pois ele o novo instrumento sem abrir mão de suas características essenciais. O resultado não se aproxima do fusion mais agressivo praticado por outros músicos da época; ao contrário, mantém a elegância, o lirismo e a profundidade harmônica que sempre marcaram sua obra.
O LP original, lançado em 1971, tinha sete faixas. Ao produzir um CD do álbum, decidiram colocar mais três faixas, todas elas como "takes" alternativos. As sete faixas são de autoria de Bill Evans (somente numa delas ele tem a parceria de Carol Hall).
O repertório combina composições originais e releituras cuidadosamente escolhidas. Entre os destaques está “Funkallero”, uma peça que havia sido composta anos antes, mas que ganhou aqui sua primeira gravação oficial. A música revela uma faceta menos conhecida de Evans, marcada por um balanço sutil e por uma estrutura harmônica rica e inventiva. A composição tornou-se uma das favoritas dos admiradores do pianista e passou a integrar o repertório de inúmeros músicos de jazz.
Outra faixa importante é “The Two Lonely People”, que é a parceria de com a letrista Carol Hall. A melodia delicada e contemplativa exemplifica a capacidade do pianista de criar temas de grande beleza emocional sem recorrer ao sentimentalismo excessivo. A peça tornou-se uma das composições mais duradouras de seu catálogo.
O reconhecimento da crítica foi imediato. O álbum recebeu o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Jazz por Grupo, um prêmio que confirmou a relevância artística do trabalho. Mais do que um simples sucesso de crítica, a gravação consolidou a imagem de Evans como um artista capaz de permanecer relevante em um cenário musical em constante transformação.
Bill Evans morreu 9 anos depois do lançamento desse disco, em 1980, aos 51 anos. Sua carreira foi encurtada devido a problemas com drogas que minaram severamente sua saúde. Apesar da saúde abalada, ele conseguiu manter um alto padrão de qualidade musical em sua discografia.
De acordo com o famoso crítico de jazz Joachim E. Berendt, "Evans foi o primeiro pianista moderno modal. Seu fraseado elegante e suas harmonias sofisticadas indicam influências de Debussy, Ravel e, recuando um pouco no tempo, até mesmo Chopin."
Hoje, mais de cinco décadas após seu lançamento, The Bill Evans Album continua sendo uma obra fundamental para compreender a evolução do pianista e do próprio jazz.
O CD pode ser comprado nos bons sites do ramo (encontrei na Amazon) e pode ser ouvido na integra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=IDDx9icnm28&list=PLgc-c3Upo-dCu8ORREuzQwhqsZu670Spy .
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Na novidade
Por Ronaldo Faria
Coisa nova, porque afinal toda novidade merece ter de nascer, que chegue e se achegue num maior florescer. Assim, na leviandade da vida, na idade que o calendário lendário e etário nos dá, se crie e se torne solstício no recriar. No caminhar dos dias, a dialética, disléxica, seja apenas uma pena que a ave no voo derrama por inteira.
sábado, 25 de julho de 2026
Vale a pena ser enlouquecido
Por Ronaldo Faria
Conversas antigas, antagônicas
e afônicas, atônitas de ter acontecido, sobressaem no entardecer que a penumbra
traz e traduz. Decerto, alhures, algum beijo está a acontecer. E terá sido dado
por um casal que, fugaz, sequer sabe por que está a sorrir. Afinal, conversas transversas
e voláteis surgem e somem sem mais ou fugazes ais. Mas, decerto, existem.
E persistem encruadas e criadas num mundo sobremaneira disperso e entre a realidade
e a etérea luz. Nalgum momento o amor decerto se traduz...
Clarinha
Por Ronaldo Faria Clara caminhava na claridade que o sol ainda dava à espera do mundo deixar. Eram poucos e raros raios, decerto, mas vin...
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Por Ronaldo Faria -- E aí, vamos? -- Claro. Só se for agora... Carlos e Kelé, amigos de infância, suburbanos desde os primeiros panos de ...
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Por Ronaldo Faria A chuva miúda amiúde traz flamboyants vermelhos a juntarem o casal que viaja em ervas mil onde o senhor mais senil pensa...











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