Agora imagine um dos grandes saxofonistas do jazz dos EUA se juntando a esse time para gravar um disco só de músicas brasileiras, mais precisamente da bossa nova.
Pois pode parar de imaginar que esse disco existe e se chama: "Cannonball Adderley and the Bossa Nova Rio Sexteto.
O leitor mais atendo deve estar perguntando: "Dois artigos seguidos sobre Cannonball?" Pois é. O artigo da semana passada era do saxofonista e sua união com Mlies Davis, jazz puro na veia.
Mas, ao acessar aquele CD na gaveta do armário, esse outro estava, obviamente, junto, já que tento manter a ordem alfabética na minha humilde coleção. E como estava pensando em escrever sobre algum artista brasileiro, acabei juntando tudo: um grande artista norte-americano e nada menos que seis grandes artistas brasileiros.
O crítico de jazz Orrin Keepnews, escreve logo na abertura de seu texto no encarte do disco: "Este álbum, que combina, de forma única, os talentos de uma grande estrela com os talentos de um excelente grupo de jovens brasileiros, não é apenas mais uma apresentação fascinante dessa irresistível música latina conhecida como bossa nova, é também alguma coisa verdadeiramente inédita".
O termo "jovens brasileiros" não foi alguma generosidade do crítico: o disco foi gravado em 1962, ou seja, há 64 anos, quando a maioria dessa turma era quase imberbe. Sérgio Mendes, por exemplo, que morreu em 2024, tinha, 22 anos. Um dos mais velhos, Paulo Moura, estava com 30. O próprio Cannonball estava com 34.
Informa Orrin Keepnews novamente: "O Bossa Rio veio para Nova York apenas para uma única apresentação, mas seu entusiasmo por sua música, fez com que Cannonball conseguisse uma audiência privada com eles. E ele foi imediatamente tomado pela ideia de gravar com eles, uma sugestão que a que todos aderiram rapidamente."
Essa única apresentação era aquela famosa do Carneggie Hall que aconteceu em novembro de 1962.
Em 1985, Orrin Keepnews voltou a escrever sobre o disco: "Ao ouvi-lo novamente depois de tantos anos, ainda o considero incomum — e valioso. O álbum traz ritmos de uma autenticidade rara e melodias maravilhosas, incluindo duas das melhores composições de Antônio Carlos Jobim e outras quatro criadas em parceria por Maurício Einhorn e o violonista da banda, Durval Ferreira. Conta também com Cannonball em apresentações que estão, provavelmente, entre as mais líricas e profundamente românticas de sua carreira, lembrando de forma marcante que suas raízes musicais pessoais remontam a nomes como Benny Carter e Johnny Hodges, indo além de Charlie Parker. É um disco alegre e exuberante, e é muito bom tê-lo de volta.
Acho que não precisa dizer mais nada, né?
As faixas são as seguintes:
- Clouds (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
- Minha Saudade (João Donato)
- Corcovado (Tom Jobim)
- Batida Diferente (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
- Joyce's Samba (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
- Groovy Samba (Sérgio Mendes)
- O Amor em Paz (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
- Sambops (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)
- Corcovado (Tom Jobim)
- Clouds (single version) (Durval Ferreira e Maurício Einhorn)






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