quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Na rapadura e no forró

 


Hoje (ontem para os muitos sonolentos sedentos de cama) foi dia de São João? Bem provavelmente foi. Portanto, uma cerveja de rapadura após tantas transgênicas nada melhor. Em flor, a frágil e frígida dor parece sumir. Talvez um destempero que só o melhor tempero faz surgir num urgir de pouca lucidez e tanta ignóbil rigidez de emoções. Quem sabe um forró de pé de serra, mesmo sabendo que a serra foi serrilhada do mapa. Talvez uma sanfona em desarmonia com a vida, a tocar um baião de saudades mil. Uma certa incerteza cândida e fragilizada como a flor no cabelo da morena que se banha no rio seco que no passado levou o avô que só queria um carneiro para comemorar seu amor de décadas atrás.

Hoje, na oração que junta coração e canção de ver alguém que nunca foi humanamente ninguém, vou cantar o futuro que o tempo não tempera com pimenta e nem lamenta ter deixado partir. Talvez um cavalo desembestado a correr nos pastos cheios de fuligem de um fogo que veio para fazer a vida renascer. Senão, um senão entre o que existe e aquilo que nunca existirá. Talvez um roçado verde e cheio de comer para o gado, um cemitério vazio de anjinhos carregados feito fardo que pesa mais do que a vida possa prever. No antever de algo que volatiliza como fosse apenas um pelo a mais naquilo que pode se lamber. No sorver do futuro, o útero de uma vida que ainda acreditamos poder viver e acreditar. 

Somos seres eólicos e alcoólicos. Tragicômicos e icônicos, restos de esperanças e vestimentas que trajamos para não andarmos nus como rei de fábula nenhuma. Daqui, apenas espero juntar saudade e algo a ser para um momento onde sanfona e folia estejam além da saudade.

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