sexta-feira, 5 de julho de 2024

Farelos de Emicida

 Por Ronaldo Faria

 

Farelos de vira-latas caramelos se misturam com o inverso do universo onde o verso sai trôpego e trágico. Atávico, cármico, delirante, procrastina o que, numa tina vazia e entregue à azia, se enche de vinho e rotina na retina. Nesse plano, onde mapas e rotas viram restos no reto discreto projeto que nunca está ereto, o caminho é torto e difuso. Confuso. Na junção em que a oração musical torna tudo carnal e Carnaval fora de hora, o final em que milhares de letras e notas norteiam a poesia e o desmazelo que chegam sem zelo.

Farelos de anos que repousam quietos e tétricos, onde o profano é insano e a magia se volatiliza em frágeis momentos que os tormentos brincam de orações e orgias. Nas lamúrias do bêbado caído nas suas ruas sem esquinas, no flagelado que morre gelado no calor do inverno, a odisseia de navegar mil mares secos e milhares de ressequidas e esquecidas bocas vermelhas e tetas febris. No agora que já virou depois, presente cheio de passado, o amargo saber que há nessa história tanto de mim e pouco de você.

Farelos de farofas sem perfume, oratória da amante que diz esperar que agora, no presente e no passado, role na metrópole a orquestra de gaitas de fole. No rolê emblemático que sobrevive há décadas na roda da Terra a rodar sem sair do lugar, centilhões de fonemas e temas, loucuras e beijos e perdas que perdigotos derramaram à saliva salva nos lençóis. A cantar, o menestrel de bordel deseja todas coxas. No olhar negro de vilipêndios e compêndios, o largar que se esparrama nas tramas dos loucos tremas mortos.

Farelos de logo mais é hora de parar de escrever e viajar, no garimpar de vírgulas e pontos, consoantes e vogais, coisas morais e amorais. Sevícias e vícios desconjurados e descomunais. Pelos canais dos rios e mares, veias que correm em sangue exangue, volúpias e coisas de quem se acha sagaz, o mistério da busca limítrofe entre a loucura e a paz. Nas avenidas desconexas que levam a nenhum lugar, casais juntados pelo amor tentam chegar e se achegar para na essência da madrugada doentia fazerem a vida desabrochar.

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