sexta-feira, 9 de agosto de 2024

A cor dos cheiros, no samba

 Por Ronaldo Faria


Incenso de rosas amarelas para Exu Bará a queimar e exalar. Odor de dor e esperança. Afinal, abaixo do quadrilátero que existe entre a lucidez e a loucura, pouco há ou haverá Talvez um axé calado e exalado dos poros que suam ebó e marafo. Nos portos perdidos de Angola, Maria Conga dava ao menino os ensinamentos certos para desbravar o coração da índia que dançava linda no salão.
José, rapa de um tacho cheio de pormenores e tristezas, como se a vida pedisse perdão permanente na mente, ao menos estava em encontro consigo mesmo, na mata que escondia a cachoeira que desce em cascatinhas da pedra que existe há milhares de anos. E foi o beijo primeiro, a língua enroscada, a fábula desnaturada de amor desvairado no telefone que pedia linha para discar.
Incenso a se desdobrar em voláteis texturas de crendices etéreas e efêmeras saudades. Num ônibus qualquer o motorista exorciza seus medos a correr quilômetros em efemérides do tempo que o Rei mandou e a vida parecia não ter desamor. Na memória, a eufórica tragédia que a ilusão guardou para se fazer blasfêmia. Na ilusão da felicidade, a iniquidade daquilo que o nevoeiro escondeu.

Um coletânea feita há 54 anos

  Por Edmilson Siqueira Em 1972, ou seja, há 54 anos, Sergio Mendes já tinha sucessos suficientes para produzir uma coletânea. Ela foi lança...