segunda-feira, 12 de junho de 2023

Gilviandando 2 (para boêmios, aposentados e doidões da madrugada)

 Por Ronaldo Faria


 

Aonde escrever os últimos versos, desses que se deixa como epitáfio e coisa grafada na cova que não existirá?

Aonde perpetrar as últimas ideias, aquelas mesmas que surgiam sabe-se lá de onde vieram no vocábulo finito?

Aonde frigir os derradeiros versos, cataclismos perplexos de uma existência entre a lucidez e o hermético plexo?

Aonde cantarolar a saudade que não passa e perpassa nos istmos que unem lugar nenhum até nenhum lugar?

Aonde ondear as ondas que batem na praia que se espraia feito passageiro que perdeu sua última viagem?

Aonde perpetrar a infundada e estapafúrdia prosopopeia deletéria que se faz infausta e quase delirante aquiescência?

Aonde reverenciar nossas loucuras, agruras, semeaduras e viver como enfeitiçados de uma única e sublime mulher?

Aonde reviver um viver a quem não daremos explicações, satisfações, emoções derramadas como esmola de ter?

Aonde conquistar o palco que irá desabrochar a cortina vermelha em centelha que não se apaga ou se apega quiçá?

Aonde viver o lugar em que o passado e o futuro, nesse presente ausente, far-se-ão uniformes e algozes apenas por ser?

Um coletânea feita há 54 anos

  Por Edmilson Siqueira Em 1972, ou seja, há 54 anos, Sergio Mendes já tinha sucessos suficientes para produzir uma coletânea. Ela foi lança...