sábado, 10 de junho de 2023

Gilviandando

 Por Ronaldo Faria


Na passagem do passado, ultramarino e largado, ladeado de tempos, temperos e prosa, vem do fundo a frase em grifo: “É foda!” É foda seguir sem querer, ter que ir sem ter porque, caminhar até que o corpo não possa tremer ou temer.

Na verborragia que se intromete entre a sede e a orgia, picos de glicemia, os entreveros daqueles que versejam como marinheiros sem porto ou canção. Moribundos senhores a quem se pede apenas a pena a troçar e escrevinhar, aquém.

Na costa aonde a onda não bate, a poesia que se traveste de azul e de verde para deixar a terra mais viva. Para sorrir de soslaio para qualquer vida, dizer que não se fez aguerrida apenas por ser. A somente crer e, quem sabe, até descrer.

Ser talvez um pedaço de atabaque e tamborim, afoxé e até coisa chinfrim. Ou nada ser. Algo que parece prece e parafernália, dessas que a gente quer somente um amor que se chame Amália. Quem sabe, no fim, Amélia também valha.

E destemperar como louco ao ver o tempero fazer da gororoba mais do que uma alucinógena sobra. Pedaço de arquétipo milimétrico e aquiescente de toda uma vida. Sentimento alucinógeno de bolhas, colarinhos e sabores mil.

Porque, enfim, no sempre fim que sempre há de se caminhar nas cruzes e obuses que varrem o chão, descer dias transversos. Como o aprendiz de poeta que passeia no passado e anseia a ceia de sexo, amor e tesão que dorme na criação.

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