quinta-feira, 8 de junho de 2023

Lulu Santos

 Por Ronaldo Faria

 


Notívagas e vagas vogais que se misturam em consoantes, recondicionadas de emoções e junções nas sílabas que sibilam entre as frestas que todas as festas trazem e traem. Entre a comédia de uma Cinédia ou a dor de um tordilho que corre na vastidão. Na transpiração do amor que o sexo dá, a transposição da cisão entre o passado e a passagem para a vida que perfaz. No entremeio e no meio de tudo, a canção. Unção e remissão.

Lambidas e beijos num quarto de cama redonda e luzes que invadem a cena encenada há anos nas centelhas que a lembrança não desfaz. E perfaz a performance que falha na ansiedade que transpõe a vontade de ser e estar no restante que o restart dá. Coisa de um Quasimodo que é quase – quase ser, quase torto, quase modo. Simbologia da orgia que desvai nos segundos e põe dois a se entreolharem, nus, no espelho que mostra pelos e peles.

Imaginação que sopra no cangote feito fagote em orquestra numa sinfonia apócrifa e gótica. Na lógica do amor, a dor da separação que se transmuta em algoritmos que não têm ritmo e nem razão. Mas se trocam e se tocam à distância na infame realidade que prescinde da verdade. Dois juntos na louca razão de sentimentos e pensamentos, como fossem ambos unguentos de uma fantasia dessas que se conta entrecortada de separação.

Na superação do longe estar, uma estrela fulgura como star. E chega aos dois como uma rachada recheada de rompantes ilusórios e retóricos, que superam a própria dor. Dor de mais um dia longe, de mais uma junção desfeita, da perfeita treta que corre em cama de rodas, chão sem tapete, vinhos enviesados e derramados na ação. Na canção, a mansidão que só se faz no sossego do depois, na trama que a tramoia transpôs na curva da ilusão.

E assim, no acidente que todo Ocidente traz, nos seus pecados de afagos e amores desvairados, pegadas que se afundam no redemoinho de moinhos de ventos e ventres, o brincar de esconder e se fartar, à espera de um asilo juntar e untar. Senão, que a hora, que já é, seja a certeza de sensações cruzadas, emoções resvaladas, brincadeiras caladas. Até que o verso do poeta resvale no momento em que a vida nada mais seja do que imensidão.

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