sábado, 14 de janeiro de 2023

Pro Zeca Baleiro

Por Ronaldo Faria

Lua lunar que vagueia no crescer dissonante como uma balada no asfalto, porque escondes o rosto em desgosto de abandonar o lar que era uma pocilga proscrita em indelével quadro de fotograma só? Jeito de frágil e ágil na fuga para o nada, onde estarão teus beijos sem amor? O que dizer da saudade e o que falar da volátil realidade de se estar vivo por segundos e dor? Hoje, perguntas se fundem e se unem em quadrantes alcoólicos e torpes, entorpecidas lacunas em plêiade singular na busca do melhor verso, em presto, pronto para dizer tudo sem nada falar. Tudo como um irreal e volátil desejo de ser. Sem asco, o mendigo dorme nos beirais e esquinas da vida.

Lunar lua que vagueia em crescer dissonante como uma balada no asfalto, onde o homem olha e entende tudo: o sono fora de hora, o beber em cinco doses, a osmose de querer saber mais do que os mortos e vivos. Ser vivente em um canto de escorpião no descalabro de marchar feito ninguém, vivo à margem do ganha-pão. O meu poema é apenas eu, ser imaginário que deflagra a ópera como fosse à eternidade um museu. Acendo um cigarro e penso: o que faço aqui? O cinzeiro, de camelo, procrastina a sina. Nada há que falar. De fato, me faltam o ar e o mar. Faltam-me palavras a falar ou talvez um seio para beijar. Quem sabe um devaneio tolo e bêbado feito conta de celular. Se um dia eu me for, que fiquem aqui o falar e o declamar. Os dois num só: embriagado, enfumaçado e vulgar.
 
“Amor não cura com aspirina. Sexo também é bom negócio. O melhor da vida é isso e o ócio. Até o canário precisa de afeto. Calma alma minha, calminha, você tem muito o que aprender". 
(Zeca Baleiro)

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