Pandeiro a tocar seu ritmo
arrítmico diante da madrugada malfadada que me apraz. Um pedaço de arremedo. Um
incansável e inefável sofrer. A dor que bate no pinho o dedilhar que o punho
segue os dedos e se refaz. Uma voz a soar a sina. O sonho de um lábio molhado
onde o arcanjo voraz sorve sua sede de pecado. Quem sabe a imensidão dos
impropérios etéreos que se desdenham nas notas de um mascarado poeta na
quarta-feira de cinzas a se desdobrar entre ser ou não ser. Um embriagado viver
de memórias inenarráveis e o futuro que não existe por não ter. Há muito a se
ver. Brincadeiras de asneiras e as ladeiras de uma Olinda finda no subir e
descer. O inglório desdenhar de pesadelos em desmazelo, o zelo de cuidar do que
resta de você. Cancioneiro de notas deletérias e etéreas. Um desgrenhado
mistério que se joga em sobras devagar. A vagar me faço sem ser.