sábado, 26 de março de 2022

À Roberta Sá

Pandeiro a tocar seu ritmo arrítmico diante da madrugada malfadada que me apraz. Um pedaço de arremedo. Um incansável e inefável sofrer. A dor que bate no pinho o dedilhar que o punho segue os dedos e se refaz. Uma voz a soar a sina. O sonho de um lábio molhado onde o arcanjo voraz sorve sua sede de pecado. Quem sabe a imensidão dos impropérios etéreos que se desdenham nas notas de um mascarado poeta na quarta-feira de cinzas a se desdobrar entre ser ou não ser. Um embriagado viver de memórias inenarráveis e o futuro que não existe por não ter. Há muito a se ver. Brincadeiras de asneiras e as ladeiras de uma Olinda finda no subir e descer. O inglório desdenhar de pesadelos em desmazelo, o zelo de cuidar do que resta de você. Cancioneiro de notas deletérias e etéreas. Um desgrenhado mistério que se joga em sobras devagar. A vagar me faço sem ser.

Um coletânea feita há 54 anos

  Por Edmilson Siqueira Em 1972, ou seja, há 54 anos, Sergio Mendes já tinha sucessos suficientes para produzir uma coletânea. Ela foi lança...