sábado, 9 de março de 2024

João Gilberto em canção

 Por Ronaldo Faria


Desatino entre os amantes deixa o contrabaixo solitário a tocar. Nas mesas ao redor, na rotativa retórica da vida, um astrolábio ou uma bússola teriam enlouquecido no frenesi sem cessar. Talvez o revés que há na contradição do amor e da dor, uma gargalhada hilária que sobrevive plúmbea na efêmera felicidade que, já dizia o poeta, é uma pluma. Senão, a rotina hedionda que faz dois corpos viverem ao longe, entre cópulas postergadas e copos vazios. Na ânsia demasiada da fala que cala, o sorver de trôpegos beijos, benfazejos, quiçá. O tocar de peles, no alisar da penugem que se agarra entre o limiar e o prazer. A discrepante nostalgia tardia que existe quando o sonho de juntar é somente um inseto a brincar na semente que brota. E ele sabe, no seu voar desandado e desvairado, irá morrer antes mesmo da flor brotar. O fruto, este perecerá sem o gosto que a língua molhada traz e refaz a cada beijo. Mas, no desatino cretino que traz o choro para regar de lágrimas a despedida nunca finda, o poema se renova e dá sombra àquele que, na ilusão derradeira e fagueira, ainda crê que viver requer ser feliz. Na esquina escondida pela luz queimada do poste, uma prostituta acena de volta...


Um coletânea feita há 54 anos

  Por Edmilson Siqueira Em 1972, ou seja, há 54 anos, Sergio Mendes já tinha sucessos suficientes para produzir uma coletânea. Ela foi lança...