segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Sivuca e Rosinha de Valença

 Por Ronaldo Faria

 

Onde juntar duas virtuoses num só lugar? Hoje, no céu. Um dia, porém, estiveram juntos... Afinal, se não houver beleza nessa Terra, não valeria a pena viver.
 
-- E aí, Mané, vai aonde?
-- Vou lá no bar do “Esconde da Véia, Data Vênia”, tomar umas e algumas. Vamos.
-- Estou mesmo coçando. Estou nessa.
A tarde ardia e fervia. Pedia goles e goles, desses que embriagam até gaitas de fole.
-- Vá entender esse tempo...
-- Estão dizendo que é o fim.
-- Será? Se for, estamos umas duas dúzias atrasados.
A rua, cheia de mães que carregavam os filhos de volta pra casa, fervilhava de suor.
-- Você viu o Damião?
-- O que aconteceu com ele? Largou o Cosme?
-- Melhor: ganhou no bicho. Deu cobra na cabeça. Valeu sonhar com a sogra.
A risada dos dois irrompeu o lugar. Nas casas, cheiro de janta que ainda vai chegar.
-- Ô Seo Gumercindo, manda a que está nos trinques pro senhor levar!
-- E nada de lápis maluco, que marca duas no lugar de uma...
-- Isso. Só o tomado que entrar na garganta santa!
Sentados à mesa, feito senhores de seus destinos, vararam a quente tarde caída.
-- Porra, que bom que existe boteco no mundo. Não fosse, a vida entornou-se.
-- Sem dúvidas. Seca só no sertão. Seca de cerveja, nem com falta de oração...
-- Juntar dois em retidão é agradecer a Deus por tanta comemoração.
No derredor, o sol já foi dormir. Agora é convencer a lua a aceitar tal vastidão.

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