Terminar o inacabável, o impensável,
o imponderável, o fortuito tempo sem termo assinado ou assassinado de viver
como o tempo fosse foice a ceifar a vida. Foi-se. E voltar ao passado remoto e impróprio
que o impropério esconde entre o cheio e o vazio d’alma, para o retorno ser
mais claro e sentido. Saber ser sem sê-lo, virar carta sem selo, ouvir a música
num cello perdido no meio da madrugada tragada na dor. Brincar de se afogar no
vagar de um sonho inesperado. Ser samba e jazz. Assim, se valer de coisa
qualquer, sentir os lábios da mulher, afagar os pelos da filha que habita o
corpo em quatro patas e lascas de felicidade finda. Ser a vida linda e incrédula,
depender da cédula suja de sangue e suor, cerzir o que ainda há de vir no
próximo porvir. Ser o que ainda se quer ser na etérea e redonda cama. E brincar
nas ondas de espuma na banheira quente e frenética que se esconde numa vicinal
entre duas estradas e veias mil. Quem sabe depois alguém não passa de cor anil para
fazer tudo rebrilhar outra vez. Ou haverá um esconderijo nas profundezas mais superficiais
que habitam e coabitam o ser e estar. Daqui, entre goles de copo e Che vindo de
um canavial, brinco de recriar trilhas e trovas entre falésias e fusões
nucleares de molares a baterem. Talvez umas línguas em perfídia, pérfidas e
banais pernas que se dobram impávidas ao colosso do amor. Num canto, à espera
do fim, a mesma dor. Aquela que se desdobra profícua como abóbora num plantio
infindo. Quem a haverá de comer? Quem sabe um poeta louco e roto a dedilhar,
uma mulher a cravar têmporas e trovas nas trevas que a dor do outrem traz, um
par de bonecos que alguém mexe com as mãos feito marionetes sem alma e sem
vestes. Assim, quem sabe ao fim de outra peça sem pregas e portais, haverá um
sentimento único e sem mais. Um limite entre a limítrofe saudade que a maldade
da separação faz. Afinal, nada me apraz. Nem o sol, nem a lua ou a chuva que
pinga incapaz. Talvez, quem saberá, no além-mar, chegue o alvará da soltura de
ninguém. Ou, como diria o poeta, “a casa é sua, porque não chega agora... nem o
prego aguenta mais o peso desse relógio”.
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