domingo, 17 de agosto de 2025

Uma coletânea de Chet Baker*

Por Edmilson Siqueira


Coletâneas com um dos maiore trumpetistas de todos os tempos não são raridade. Ele gravou muita coisa e copilar seus grandes momentos, embora seja um trabalho difícil (quase tudo é muito bom), foi - e continua sendo - obra das várias gravadoras pelas quais ele passou.
Chet Baker, hoje um cult mais que admirado, não teve a vida fácil que o talento e a beleza da juventude podem sugerir. Viciado em drogas, praticamente moldou sua carreira em torno delas, talvez abreviando uma vida (ele morreu aos  59 anos de forma misteriosa) que ainad tinha muito para dar.
A coletânea em questão é "White Blues" e tem uma caractarística que a diferencia das outras. Lançada em 1997 pela gravadora Camden (selo BMG) como parte da série Camden Jazz Masters, ela reúne gravações instrumentais de destaque de Chet Baker, extraídas de duas fases distintas de sua carreira: as sessões italianas da RCA Bluebird, em 1962, e gravações para a Timeless Records, realizadas em 1983 e 1986 na Holanda. 
O melhor vem agora: são onze faixas clássicas do jazz, abrangendo desde standards consagrados até composições originais contemporâneas, com duração aproximada de 72 minutos. 
Como se trata de uma compilação de momentos distintos, a variedade de temas corre solta.
A primeira faixa traz "White Blues" (Michel Graillier) composição que dá título à coletânea, com cerca de 5 minutos de duração.  
A seguir vem o clássico "Round Midnight" (Thelonious Monk e Williams) – um dos mais profundos standards do jazz, onde Chet solta sua imaginação durante mais de 10 minutospara deleite de todos nós. 
O disco segue com criteriosa seleção em termos de qualidade.
A terceira faixa é "Blues in the Closet" (Pettiford), onde o swing de Chet, coisa rara em suas gravações, sobressai, com ótimo acompanhamento de piano, bateria e contrabaixo. 
"Swift Shifting" (Danko) é a quarta faixa, um pouco mais contida que a anterior, mas sempre agradável aos ouvidos.
Outro clássico não só do jazz, mas da própria música norteamericana, vem a seguir: "Somewhere Over the Rainbow (Arlen / Harburg). Chet passeia pelas longas notas da melodia. Curiosamente, com apenas 3 minutos e 28 segundos, é a menor faixa do disco. 
"Caravelle" (Jon Burr o baixista da faixa), sexta faixa, já retorna ao jazz tradicional do quarterto de trompete, piano, baixo e bateria. 


A sétima faixa é outro clássico: "Dolphin Dance" (Herbie Hancock), uma das musicas do álbum do autor que provocou o reconhecimento dele como um grande compositor e pianista de jazz.
O disco se completa com as seguintes faixas: 
"Ellen and David" (Charlie Haden); "Star Eyes" (Raye / DePaul); "Well You Needn’t" (Monk) e 'These Foolish Things" (Maschwitz / Strachey). 
 Vale acrescentar que as gravações trazem músicos distintos conforme a origem das sessões. As sessões de 1962, da RCA, em Roma, tiveram Amadeo Thommasi (piano), Benoit Quersin (contrabaixo), "Daniel Humair" (bateria), René Thomas (guitarra) e Bobby Jaspar (sax tenor e flauta)
Já as sessões de 1983 e 1986, no Studio 44 na Holanda) tiveram Michael Graillier e Harold Danko piano), Riccardo Del Fra e John Burr (contrabaixo) e Ben Riley (bateria)
Para alguns críticos, essa coletânea serve como uma ponte entre momentos distintos de sua carreira: a década de 1960, marcada por um jazz mais introspectivo e sutil, e os anos 1980, período de renascimento criativo na Europa. Já para fãs e estudiosos, "White Blues" é um atestado da versatilidade de Baker — capaz de transitar entre introspecção e fluidez — e sua capacidade de manter a integridade musical mesmo em fases diferentes da vida.
Enfim, para ouvintes que buscam melodia, sensibilidade e história, esse disco é um ótimo convite.
O CD está à venda nos bons sites do ramo e pode ser pouvido na íntegra em https://www.youtube.com/watch?v=Mcr1AtIhEgA&list=PLWvoWtBMKQZKgST69mozCnr4khF_NfMBw

*A pesquisa para este artigo fpoi feita com o auxílio da IA do ChatGPT.

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