Por Ronaldo Faria
O chamego do casal no calor
das chamas da fogueira intermedia algo que transpira amor e paixão. Traz novas lágrimas
aos olhos translúcidos e aflitos que se entregam ao tempo frio. Atemporais, déspotas
do mundo que os rodeia e os une nas pernas e braços como fossem animais, homem
e mulher dão os braços na dança que serpenteia a saudade. Ao tempo que se esvai
e vai sabe-se lá para que lugar, as labaredas ardem etéreas a cobrir a terra
orvalhada do chão. Na dança a levantar pó e poeira que vagueiam sem eira e bem
beira, um copo pinga a gota quente da mais leviana aguardente. No cérebro que
espirra seu torpor gripal, falácias doidivanas e vãs tentam se achegar. Tiritante
no vento que se refaz feminino na saia rendada da prenda, o casal viaja mil
caminhos na metáfora de ser feliz. Bravo com tanto barulho, o pássaro aquietado
no galho seco caga na cabeça do padre contrito a fingir que sabe rezar.
(Ao som de Vitor Ramil)
