domingo, 20 de julho de 2025

Ray Charles, a essência musical de um gênio *

Por Edmilson Siqueira



"The Classic Years", de Ray Charles, é mais do que uma simples coletânea de sucessos: trata-se de um mergulho profundo nas raízes da genialidade musical de um dos artistas mais influentes do século XX. Lançado como uma compilação retrospectiva, o disco reúne gravações fundamentais da fase mais prolífica e inovadora de Charles, principalmente entre o final dos anos 1940 e início dos anos 1960 — período em que ele moldou o rhythm and blues e abriu as portas para a soul music como a conhecemos hoje. 
Ray Charles Robinson nasceu em 1930, em Albany, Geórgia, e perdeu a visão ainda na infância. Essa deficiência, no entanto, jamais limitou seu talento. Ao contrário, parece ter aguçado sua sensibilidade musical. Em The Classic Years, podemos ouvir como sua voz encorpada, muitas vezes rouca e visceral, expressa uma gama emocional raramente alcançada por outros cantores de sua época. Seu canto ia do lamento do blues ao êxtase do gospel, passando pela suavidade do jazz e pela força pulsante do R&B. 
Um dos maiores legados de Ray Charles é sua habilidade ímpar de fundir estilos musicais distintos. Tanto que começou com blues, passou pelo country (gravou um disco inteiro só com pérolas desse gênero), namorou o pop (gravou Beatles) e era um jazzista sensacional, tanto com seu piano, como na composição e no canto. 
E era um pianista sofisticado, fortemente influenciado por Nat King Cole e Art Tatum, o que fica evidente nos arranjos elaborados e nas passagens rítmicas precisas ao longo dessa coletânea. 
Carismático, mesmo nas gravações de estúdio, sua performance parece ao vivo, cheia de energia, risos e espontaneidade.  
Além disso, embora o disco não seja explicitamente político, é impossível ignorar a importância cultural de Charles como artista negro num período de segregação racial nos Estados Unidos. Sua ascensão ao estrelato, sem abrir mão de sua identidade e de suas raízes musicais, foi um marco de resistência e afirmação. 
Seus biógrafos assinalam que "The Classic Years" também funciona como uma janela para compreendermos o impacto duradouro de Ray Charles, destacando que ele pavimentou o caminho para artistas como Aretha Franklin, Stevie Wonder, Marvin Gaye e tantos outros. Sua coragem estética, sua capacidade de inovar sem perder a conexão com as tradições afro-americanas, e seu virtuosismo técnico tornaram-no um ícone. 


Em 2004, poucos meses após sua morte, o filme "Ray" reacendeu o interesse por sua vida e obra, apresentando-o a novas gerações. Mas é em coletâneas como esse "The Classic Years" que seu verdadeiro legado pode ser sentido: não como lenda distante, mas como artista vibrante, cheio de vida, paixão e criatividade. 
Muitos críticos consideram que Ray Charles, mas foi ele quem os uniu de maneira singular e revolucionária o rhythm and blues, o gospel, o jazz e o soul. "The Classic Years" não é apenas uma compilação — é um testemunho histórico e emocional de um artista no auge de sua criação. Cada faixa ecoa com a força de quem cantava com o coração, tocava com a alma e vivia com intensidade. É um disco essencial para qualquer amante da música, e uma prova viva de que a genialidade de Ray Charles permanece tão impactante hoje quanto foi em seus anos clássicos. 
O disco é composto por 14 faixas, 9 das quais de autoria de Ray Charles.  
- Baby Let Mew Hold Ypur Hand (R. Charles) 
- Kiss Me Baby (R. Charles) 
- C. C. Rider (Traditional) 
- I Wonder Who's Kissing Her Now (Howard e Adams) 
- I'm Going Down To The River (R. Charles) 
- All To Myself (R. Charles) 
- Sitting On The Top Of The World (Carter e Jacobs) 
- Alone In The City (R. Charles) 
- Ray Charles Blues (R. Charles) 
- Rockin' Chair Blues (York) 
- Can Anyone Ask For More (York) 
- Baby Tell Me What You've Been Done (R. Charles) 
- Hey Now (R. Charles) 
- They're Crazy About Me (R. Charles) 
Há outros discos de Ray Charles na praça com o mesmo título ("The Classic Years"), com músicas que fizeram mais sucesso nos anos 70 e 80 do século passado. Há inclusive uma caixa com 3 CDs que deve abranger a obra de Ray Charles de forma mais completa. O CD comentado aqui, como já disse, trata mais de suas origens, quando ele se firmou como um artista completo na arte que se propunha: compor, tocar e cantar.  E, claro, no Youtube há inúmeros discos completos ou singles para se ouvir do genial Ray Charles. 

*A pesquisa para este artigo foi auxiliada pela IA do ChatGPT.

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