Por Ronaldo Faria
José está perto de furar os olhos e o oftalmologista diz que “tudo bem”.
Se depois das furadas em ambos ainda vai enxergar, saber-se-á. Crê-se e espera-se
que sim. Pois hoje dá pra ler e escrever bem. Ao menos até o início de um tempo ainda existirão textos para em algum lugar ele crer que alguém os poderá
ler. E torce para também o poder ainda ter como fazer.
-- Caralho, como você é otimista.
-- Se não o fosse, estaríamos fodidos há tempos...
-- Talvez tenha razão. Mas imagine, perder a visão é morrer em vida...
-- Vai dar tudo certo, decerto.
-- Nem que seja por decreto. Certo?
-- Aí só pra quem estudou Direito pra responder.
-- Ou seja, pode ser tudo de qualquer jeito. Logo, rolemos a roleta da vida.
II
-- Como é que é?
-- Uma pergunta: limpa ou não?
-- Sei lá. Se a partir do segundo tem menos borbulhas? Temos. Mas, até aí, quem vai saber. Há tese escrita? Talvez opiniões, coisas descritas, reeditadas, transcritas de alguma revista especialista em cerveja. Mas, pra mim, basta beber.
O papo de mesa de bar entre Benício e Felício até serviria para compor uma crônica lacônica sobre as gotículas internas no copo de cerveja e o ensejo de poder processar judicialmente a informação na versão que ela se dá. Afinal, quem nasceu primeiro: a sujeira do copo ou o gás que se segura pra sobreviver antes de no mundo vazar? Feito foguete que vai e volta, tanto faz como tanto fez. Porque a dúvida bate na junção de mar em rio de Caraíva ou no Canal de Suez, onde todos nós temos a nossa vez.
-- Vamos ou não pedir outra?
-- Com certeza, sim.
-- E a colombina depende do arlequim?
-- Essa conversa logo em botequim? Coisa mais chinfrim,
Na mesa do lado, arquibaldos vazios, exterminados dos estádios, geraldinos destrambelhados, discutem se o VAR merece sordidez ou vagos aplausos.
