Por Ronaldo Faria
No silêncio chorado feito
arcanjo que desce do céu, no aguardo de algum milagre no miolo cinza que há
entre a garganta e os dentes, Sandoval faz da sua espera a quimera final.
Acomodado entre samba e fado, atabalhoado de versos e versículos que nunca leu,
ao léu do mundo, quase Quasimodo, era fã de Gil e Caetano, Chico e Noel,
Mautner e Tom Zé. Amava ouvir Elis, Bethânia e Gal. Mas, no mundo de tantas músicas
muxoxas de agora, fechava os ouvidos sem uma nota dar permissão ou flertava
vozes e notas que surgiam quase que em prece e transbordar de reza pra Iemanjá.
-- Pedrinho, tem coisa nova?
-- Você só pode estar de
brincadeira. A MPB sempre se renova. Graças à musicalidade que não é só paulista,
mineira, pernambucana ou carioca.
-- Aí você me fode. Amante da
música em geral, terei de gastar mais milhares de bytes para sorver o tanto que
ainda se tem pra descobrir.
-- Não tenho culpa. Da próxima
vez, na futura reencarnação, nasça num país monocórdico ou que não tenha veia
musical...
-- Não, melhor não. Aí
deixaria de escrever e crer que emoção foi feita pra se viver. Manda descer o
que tiver de bom! Dinheiro foi feito pra se gastar e ouvidos pra se encantarem de notas e acordas, vozes.
(Com outra das centenas de descobertas, Marco Vilane)
