Por Edmilson Siqueira
Ele nasceu em Angola, então colônia portuguesa, morou um tempo no Canadá e depois veio para o Brasil, onde se naturalizou. Pois luso-brasileiro é o maior nome do blues no Brasil e reconhecido mundialmente, inclusive na terra do blues, os Estados Unidos. E é branco, o que é raro no gênero.
Pois quando se fala em blues no Brasil, poucos nomes alcançam o respeito quase unânime que Nuno Mindelis conquistou ao longo de sua trajetória. Guitarrista de técnica refinada, compositor com identidade própria e intérprete profundamente conectado à tradição afro-americana do blues, Mindelis construiu uma carreira singular, distante de modismos e profundamente comprometida com a essência do gênero. O álbum Nuno Mindelis & The Cream Crackers, lançado em 1998, ocupa um lugar central nessa história, funcionando como uma síntese estética, musical e conceitual de sua visão artística naquele momento.
Na verdade, esse disco é mais velho do que isso. Ele foi gravado entre maio e junho de 1992 e lançado nesse mesmo anco com o nome de "Long Distance Blues". E, segundo a Wikipédia, foi relançado em 1998 com o nome mudado para "Nuno Mindelis & The Cream Cracker" sem consulta ou conhecimento do autor.
E o disco é bom, muito bom. Claro que o blues é um gênero que pode não agradar todo mundo, mas Nuno Mindelis é cantor dos bons e seu blues tem muito a ver, como nas melhores famílias, com o rock.
É um blues urbano, sofisticado, com raízes claras na tradição norte-americana, mas filtrado por uma vida que atravessa Angola, Europa e Brasil. Ao lado da banda The Cream Crackers, Mindelis entrega um trabalho coeso, vibrante e tecnicamente irretocável, que se tornaria referência não apenas em sua discografia, mas também no cenário do blues brasileiro como um todo.
Os músicos que formam a banda são todos do primeiro time e ainda conta com algumas participações especiais todas ótimas.
Além de Nuno na guitarra e vocais, temos Paulo Fernandes na bateria; Jefferson Bergamini no baixo e José Roberto Bohn nos teclados. Fabio Colombini toca guitarra e violão em duas faixas; Larry McCray toca guitarra numa faixa e faz vocal em outra e J. J. Milteau toca harmônica em três faixas.
No encarte do disco de 1992 (o que eu tenho é de 98 e o encarte não traz esse texto), Nuno escreveu: “Não há dúvida de que os opostos, longe de se afastarem definitivamente, acabam por se encontrar, como a vida e a morte. Prova disso é a aparente oposição entre a poesia de um Robert Johnson, pela sua extrema simplicidade, e a de um Fernando Pessoa, por exemplo. A primeira, de tão simples, é de extrema profundidade; a segunda, de tão profunda, é de extrema simplicidade. O mesmo ocorre em relação ao blues, enquanto gênero musical. É simples, mas por isso mesmo, profundo e nada fácil.”
Antes do lançamento de Nuno Mindelis & The Cream Crackers, o guitarrista já havia se destacado com trabalhos que chamaram a atenção pela qualidade técnica e pela autenticidade de sua interpretação. Mas, segundo a crítica, foi nesse álbum que sua estética ganhou contornos mais definidos, especialmente no diálogo intenso com afiada banda, capaz de responder com precisão às suas ideias musicais.
Pois quando se fala em blues no Brasil, poucos nomes alcançam o respeito quase unânime que Nuno Mindelis conquistou ao longo de sua trajetória. Guitarrista de técnica refinada, compositor com identidade própria e intérprete profundamente conectado à tradição afro-americana do blues, Mindelis construiu uma carreira singular, distante de modismos e profundamente comprometida com a essência do gênero. O álbum Nuno Mindelis & The Cream Crackers, lançado em 1998, ocupa um lugar central nessa história, funcionando como uma síntese estética, musical e conceitual de sua visão artística naquele momento.
Na verdade, esse disco é mais velho do que isso. Ele foi gravado entre maio e junho de 1992 e lançado nesse mesmo anco com o nome de "Long Distance Blues". E, segundo a Wikipédia, foi relançado em 1998 com o nome mudado para "Nuno Mindelis & The Cream Cracker" sem consulta ou conhecimento do autor.
E o disco é bom, muito bom. Claro que o blues é um gênero que pode não agradar todo mundo, mas Nuno Mindelis é cantor dos bons e seu blues tem muito a ver, como nas melhores famílias, com o rock.
É um blues urbano, sofisticado, com raízes claras na tradição norte-americana, mas filtrado por uma vida que atravessa Angola, Europa e Brasil. Ao lado da banda The Cream Crackers, Mindelis entrega um trabalho coeso, vibrante e tecnicamente irretocável, que se tornaria referência não apenas em sua discografia, mas também no cenário do blues brasileiro como um todo.
Os músicos que formam a banda são todos do primeiro time e ainda conta com algumas participações especiais todas ótimas.
Além de Nuno na guitarra e vocais, temos Paulo Fernandes na bateria; Jefferson Bergamini no baixo e José Roberto Bohn nos teclados. Fabio Colombini toca guitarra e violão em duas faixas; Larry McCray toca guitarra numa faixa e faz vocal em outra e J. J. Milteau toca harmônica em três faixas.
No encarte do disco de 1992 (o que eu tenho é de 98 e o encarte não traz esse texto), Nuno escreveu: “Não há dúvida de que os opostos, longe de se afastarem definitivamente, acabam por se encontrar, como a vida e a morte. Prova disso é a aparente oposição entre a poesia de um Robert Johnson, pela sua extrema simplicidade, e a de um Fernando Pessoa, por exemplo. A primeira, de tão simples, é de extrema profundidade; a segunda, de tão profunda, é de extrema simplicidade. O mesmo ocorre em relação ao blues, enquanto gênero musical. É simples, mas por isso mesmo, profundo e nada fácil.”
Antes do lançamento de Nuno Mindelis & The Cream Crackers, o guitarrista já havia se destacado com trabalhos que chamaram a atenção pela qualidade técnica e pela autenticidade de sua interpretação. Mas, segundo a crítica, foi nesse álbum que sua estética ganhou contornos mais definidos, especialmente no diálogo intenso com afiada banda, capaz de responder com precisão às suas ideias musicais.
A influência de mestres como B.B. King, Albert King, Freddie King e Buddy Guy é perceptível. Mindelis absorve essas referências e as devolve transformadas, com sotaque próprio, com dinâmica extremamente controlada, permitindo que a guitarra soe ora agressiva, ora delicada, conforme a necessidade emocional da canção.
O repertório do álbum tem Nuno com principal participante. Das onze faixas, ele assina dez, duas com parceiros. A única que não é de Nuno, é simplesmente de B. B. King.
Há várias músicas cantadas, mas há também espaço para momentos mais instrumentais, nos quais a banda explora grooves e atmosferas com liberdade, sem perder o foco narrativo. Esses trechos reforçam a dimensão musical do blues como linguagem expressiva, não apenas como veículo para letras confessionais.
Um dos aspectos mais importantes do disco é sua contribuição para a afirmação de um blues brasileiro livre de caricaturas. Mindelis nunca tentou “tropicalizar” o blues de forma artificial, nem mascarar suas raízes afro-americanas. Ela se insere de maneira natural, dialogando com um público que reconhece ali algo autêntico, mesmo que estrangeiro em origem.
Tanto que à época de seu lançamento, o álbum foi recebido com entusiasmo por críticos e músicos, consolidando Nuno Mindelis como uma das maiores referências do blues no Brasil. Mais do que sucesso imediato, o disco construiu um legado duradouro, influenciando gerações de guitarristas e bandas que passaram a enxergar o blues como um campo fértil para expressão artística sofisticada.
Mais de duas décadas após seu lançamento, Nuno Mindelis & The Cream Crackers permanece como um marco do blues no Brasil. Uma audição obrigatório para se compreender a obra de Nuno e também o início da trajetória do blues no Brasil que tem esse registro como uma espécie de marco inicial do amadurecimento do gênero por aqui.
O repertório do álbum tem Nuno com principal participante. Das onze faixas, ele assina dez, duas com parceiros. A única que não é de Nuno, é simplesmente de B. B. King.
Há várias músicas cantadas, mas há também espaço para momentos mais instrumentais, nos quais a banda explora grooves e atmosferas com liberdade, sem perder o foco narrativo. Esses trechos reforçam a dimensão musical do blues como linguagem expressiva, não apenas como veículo para letras confessionais.
Um dos aspectos mais importantes do disco é sua contribuição para a afirmação de um blues brasileiro livre de caricaturas. Mindelis nunca tentou “tropicalizar” o blues de forma artificial, nem mascarar suas raízes afro-americanas. Ela se insere de maneira natural, dialogando com um público que reconhece ali algo autêntico, mesmo que estrangeiro em origem.
Tanto que à época de seu lançamento, o álbum foi recebido com entusiasmo por críticos e músicos, consolidando Nuno Mindelis como uma das maiores referências do blues no Brasil. Mais do que sucesso imediato, o disco construiu um legado duradouro, influenciando gerações de guitarristas e bandas que passaram a enxergar o blues como um campo fértil para expressão artística sofisticada.
Mais de duas décadas após seu lançamento, Nuno Mindelis & The Cream Crackers permanece como um marco do blues no Brasil. Uma audição obrigatório para se compreender a obra de Nuno e também o início da trajetória do blues no Brasil que tem esse registro como uma espécie de marco inicial do amadurecimento do gênero por aqui.
As onze faixas são as seguinte:
- Talk About The Blues (Nuno Fidelis, Valeur e Jefferson Bergamini)
- Don't Hide Away (Nuno Mindelis)
- Pay The Cost To Be The Boss (B. B. King)
- Three Days StraightNuno Mindelis e Valeur)
- It's Your Fault (Nuno Mindelis)
- Dog's Day Night ((Nuno Mindelis)
- Answer To Ronnie (Nuno Mindelis)
- Talk About Somebody(Nuno Mindelis)
- It's My Turn(Nuno Mindelis)
- Blues Time (Nuno Mindelis)
- Iberic Blues (Nuno Mindelis)
O CD está à venda nos bons sites do ramo e pode ser ouvido na íntegra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=HAD0TxqEGF8&list=PLkGQAKgRh6aprYmn9yfLO2xwOlK5zTE2H .
- Talk About The Blues (Nuno Fidelis, Valeur e Jefferson Bergamini)
- Don't Hide Away (Nuno Mindelis)
- Pay The Cost To Be The Boss (B. B. King)
- Three Days StraightNuno Mindelis e Valeur)
- It's Your Fault (Nuno Mindelis)
- Dog's Day Night ((Nuno Mindelis)
- Answer To Ronnie (Nuno Mindelis)
- Talk About Somebody(Nuno Mindelis)
- It's My Turn(Nuno Mindelis)
- Blues Time (Nuno Mindelis)
- Iberic Blues (Nuno Mindelis)
O CD está à venda nos bons sites do ramo e pode ser ouvido na íntegra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=HAD0TxqEGF8&list=PLkGQAKgRh6aprYmn9yfLO2xwOlK5zTE2H .
*A pesquisa para este artigo teve o auxílio da IA do ChatGPT.


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