Por Ronaldo Faria
A noite adentra na madrugada que traz tragos, gregos, anjos e demônios que esperam despertar antes que o sol se faça outra vez dono do lugar. Saltimbancos de brancos delírios e lamúrias mil correm e percorrem notas e sílabas destrambelhadas na loucura de duas mãos a descobrirem nas coxas da mulher amada seu porto de chegada. E vão a rolar e desenrolar todos os sonhos e esperas de mesa em mesa, de camas em camas engomadas ou não, nos copos de vinho ou cerveja, a sorver o que a vida traz quem sabe por último no seu rimar. Sem olhos para ver o que corre ao redor, quiçá, tudo será apenas eterna dó. Mas agora, nessa hora, introito do proselitismo que vive entre a maré e o istmo, o mundo viaja insano e lúdico. Na fuga da realidade, a sanidade de quem sabe que a loucura é o lugar a viver e morar.
O vento que sai das
hélices do ventilador unem prazer e dor. O queimar de incenso que se sabe lá na
Índia quem fez, fecha as cortinas dos corticoides que, igual quem sabe, fluirão
logo mais. No ar a melodia flui num fluir desmesurado que nada pode ou quer parar.
Entre a nostalgia e a angina que volta e meia se faz em dor persecutória e
voraz, a vista do cais que se desdobra para ser mais e mais ou apenas um a mais. Talvez um terço
decantado em mililitros de álcool na voz de carolas que não sentem o calor do
chão brotar. Quem sabe o padre a pastorear suas ovelhas negras e brancas que se
perdem no pasto inexistente da vida. Na verdade, tanto fez como tanto faz. No
bar escuro e nunca soturno, com beijos e bocas a vivenciarem seu chegar, o
casal se acasala em separação mútua e tátil, fútil até dirão. Mas qual, de que
vale o que acham aqueles que, anchos do nada, vomitam ao léu sentimentos e sensações num canto qualquer?
No escuro obscuro do universo do verso que existirá entre a prosa e a rima, no
mimetismo etéreo da chegança final, o fim da prosa pede que rezemos aos deuses
e orixás onde a emoção e o amor possam, ainda, proliferar e existir.
