Por Ronaldo Faria
Clara e Moreno, casal largado
no meio de uma São Paulo onde Pedro e Maria, Rita e Saulo seriam mais outros uns,
se entregam em entregas plenas sem tréguas e tragédias antevistas. Com a vista
ao universo entre realidade e concreto, decerto certos prédios cheios de vidas
abruptas ao destino, seguem em desatino o descobrir do amor. Entre flores e
amores, odores e sabores, se jogam de corpo em corpo num decúbito dorsal cheio
de suor e sal. E são somente eles, entrementes mentiras se façam orgias e falsetes
de voz ao olhar descabido da imensidão. Submersos em versos e vestes jogadas ao
chão, são um só.
Clara e Moreno, sonhos transgênicos e orgânicos, monogâmicos e heterodoxos, falam de si e das cismas que a vida lhes deu. Contam em cantos os recantos que se volatilizam nos versos e reversos que a vida lhes dá. Brincam de carícias, malícias e vícios que se desdobram a cada dobrar de esquinas e sinas, se remetem ao amor, esse mistério etéreo que dá certezas e traz dores nas rimas. Dois seres sensoriais e letais, imorais e fatais na fatalidade que cada segundo remete ao feto do fato tardio da ilusão. Como viajantes entre marés frias e jusantes feito guias, vão se juntando em delírios e alegrias. Em meio a tudo, a plena e sublime orgia que a magia diuturna finda.
Clara e Moreno, silêncios desprovidos de sussurros e astro-guia, brincam de momento somente. Na mente que se faz demente um todo está ausente de si. Feito quase nada. Na distância histriônica que delimita morte e vida, beijos se desenrolam em dentes que agora conseguem se unir sem medo às línguas dobradas e rotundas, profundas. Em meio a lamúrias encruadas e corações desvairados, plenitude no assombro do amor que junta e desfaz, ambos se embriagam de devaneios que agora fazem do meio o fim. Em meio a tudo, no limite das partes que se desfazem a cada separação, apenas o mundo se deixa surgir no final transcendental. Nalgum lugar diria o poeta que existem e persistem dois quadradões. Em afagos, limiares e sensações.
Clara e Moreno, sonhos transgênicos e orgânicos, monogâmicos e heterodoxos, falam de si e das cismas que a vida lhes deu. Contam em cantos os recantos que se volatilizam nos versos e reversos que a vida lhes dá. Brincam de carícias, malícias e vícios que se desdobram a cada dobrar de esquinas e sinas, se remetem ao amor, esse mistério etéreo que dá certezas e traz dores nas rimas. Dois seres sensoriais e letais, imorais e fatais na fatalidade que cada segundo remete ao feto do fato tardio da ilusão. Como viajantes entre marés frias e jusantes feito guias, vão se juntando em delírios e alegrias. Em meio a tudo, a plena e sublime orgia que a magia diuturna finda.
Clara e Moreno, silêncios desprovidos de sussurros e astro-guia, brincam de momento somente. Na mente que se faz demente um todo está ausente de si. Feito quase nada. Na distância histriônica que delimita morte e vida, beijos se desenrolam em dentes que agora conseguem se unir sem medo às línguas dobradas e rotundas, profundas. Em meio a lamúrias encruadas e corações desvairados, plenitude no assombro do amor que junta e desfaz, ambos se embriagam de devaneios que agora fazem do meio o fim. Em meio a tudo, no limite das partes que se desfazem a cada separação, apenas o mundo se deixa surgir no final transcendental. Nalgum lugar diria o poeta que existem e persistem dois quadradões. Em afagos, limiares e sensações.
(A degustar nos ouvidos um Caetano Veloso)
