Por Ronaldo Faria
Por Ronaldo FariaO corpo da mulher em sua manta
branca vira tela viva onde mil pinceladas desbravam a dança que envolve o pintor
em seu sonho de universo em derradeiro verso. No painel sobre a mesa, a sobremesa
da criação em que as cores se misturam num dilúvio de emoções e pequenas
porções de mímica sonora na música que se esvai na noite anteposta à madrugada
fria. Ao redor, a plateia é quase que mera prosopopeia de tudo. Desnudo no seu
mundo, o poeta introjeta a espera que o tempo desfaz em segundos perdidos e
achados em cada letra que se junta em sílabas e frases algozes de si mesmas.
Mas a dançar pelo palco, rodeada de respingos lúdicos e únicos de tintas e ações e reações das mãos do pintor em êxtase de criador, a mulher é seu mundo próprio, feito ópio que se queima para uma viagem lisérgica transcendental. E gira e roda, se contorce e retorce o corpo em devaneios que nem o maior enleio consegue juntar ou untar. Em volta, nos volteios de olhares que surgem e ressurgem de cada rosto em cena, pensamentos mil surgem entre lamentos fugidios e unguentos no maior fastio. Ao longe, detrás das lentes que a tudo gravam, o universo se torna perplexo pela magia em ode da performance.
No tempo que atropela a pele branca da mulher e sua manta agora envolta em colorações mil, o deserto que separa prazeres e sexos se faz de mantra fugaz. Atropelos de braços misturados, bocas que envolvem latitudes e longitudes dos traços dispostos no painel e no corpo feminino, todos são unções e traduções da arte que escorre em nuances coloridas e doloridas, tímidas declarações de amor. São festas e farsas em esferas obliquas e lineares, limiares da arte que aos poucos chega ao final. Logo mais, quando tudo acabar, numa mesa de bar alguém irá lembrar de que um quadro existe onde existir emoção pra se entornar. Saciados, pintor e musa que se deixou pintar rirão por saber que a vida retornou ao lugar.
Mas a dançar pelo palco, rodeada de respingos lúdicos e únicos de tintas e ações e reações das mãos do pintor em êxtase de criador, a mulher é seu mundo próprio, feito ópio que se queima para uma viagem lisérgica transcendental. E gira e roda, se contorce e retorce o corpo em devaneios que nem o maior enleio consegue juntar ou untar. Em volta, nos volteios de olhares que surgem e ressurgem de cada rosto em cena, pensamentos mil surgem entre lamentos fugidios e unguentos no maior fastio. Ao longe, detrás das lentes que a tudo gravam, o universo se torna perplexo pela magia em ode da performance.
No tempo que atropela a pele branca da mulher e sua manta agora envolta em colorações mil, o deserto que separa prazeres e sexos se faz de mantra fugaz. Atropelos de braços misturados, bocas que envolvem latitudes e longitudes dos traços dispostos no painel e no corpo feminino, todos são unções e traduções da arte que escorre em nuances coloridas e doloridas, tímidas declarações de amor. São festas e farsas em esferas obliquas e lineares, limiares da arte que aos poucos chega ao final. Logo mais, quando tudo acabar, numa mesa de bar alguém irá lembrar de que um quadro existe onde existir emoção pra se entornar. Saciados, pintor e musa que se deixou pintar rirão por saber que a vida retornou ao lugar.
(Ao som de Jazz)

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