segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Com João Cavalcanti

 Por Ronaldo Faria 

 

Põe óculos, troca óculos, ajeita óculos numa espera de ósculos que foram, vêm ou virão. Na poesia que entardece, a noite aquiesce e se aquece. Na brancura da ternura da poesia ainda não escrita, o imbróglio que se desmancha na mancha que não some entre sabões em pó e um pós caminhar de estrada onde a terra sucumbe aos pés perdidos e ardidos de sol, urdidos em lençóis. Entre a cama, o drama e a trama, Cesarino, feito quando o vaqueiro, de facão ligeiro, rompe a carótida do bicho, se embrenha feito vaca prenha que toma banho num poço qualquer à espera da cria logo chegada. Nas letras da vida abstrata de quem trata as troças do mundo como um vazadouro de vertedouros, sucumbe a si mesmo. A esmo, se esmera em aços que brincam de brilhar em esmerilho. Parte de um todo que não tem início e nem meio e nem fim, vive em parcimônia que cheira amônia. Sentencia e chantageia o tempo, vive trôpego e banal como fosse marginal, desses letal ou/e coisa e tal. Num aforismo que cabe num quadrilátero enfiado num triângulo que existe no retângulo que a esfera faz, seguimos em rodopios e centenas de pios do pássaro preso na gaiola de gravetos. Feito substrato de quem espera receber um trato, o tratado do tempo que blasfema ao destino. Em desatino, uma tina de álcool se derrama à madrugada concebida.

-- Que ideia mal concebida. Acho que a nossa cabeça está mesmo fodida.

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