sexta-feira, 28 de março de 2025

À Justiça quase tardia

 Por Ronaldo Faria


Rolou a tal determinação de julgamento. Agora o jumento, cansado e manco de tanta espera, poderá ver a carroça pelo homem se levar. A justiça, antes tardia do que nunca, em manchetes e preces lúdicas e sofridas far-se-á. Gregos e troianos juntarão exércitos para cantar na praça a prosaica canção de almas lavadas e renovadas, enxaguadas quiçá. Crenças enxovalhadas às milhares de mortes conspurcadas e jogadas a sete palmos servirão de aplausos tardios, mas vindos por fim. Bem vindos. A história, essa senhora tantas vezes entregue ao nada, tragada por páginas mal escritas ou proscritas, até riu discreta e soberba ao saber o desenrolar. Ao derredor de tanta dor, condoída e torpe a estátua estática tira a venda que a cega e se entrega ao clamor geral. Coisa de tempos antes que já sofrem de artroses por tal esculacho. Num planalto seco e distante, entre ecos e outros tantos, o calendário marca o tempo em que se escreverá nos capítulos dos livros de História, em homenagem a Capitu, “perdeu, Mané”.

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