quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Fogueira a arder

Por Ronaldo Faria

 

O chamego do casal no calor das chamas da fogueira intermedia algo que transpira amor e paixão. Traz novas lágrimas aos olhos translúcidos e aflitos que se entregam ao tempo frio. Atemporais, déspotas do mundo que os rodeia e os une nas pernas e braços como fossem animais, homem e mulher dão os braços na dança que serpenteia a saudade. Ao tempo que se esvai e vai sabe-se lá para que lugar, as labaredas ardem etéreas a cobrir a terra orvalhada do chão. Na dança a levantar pó e poeira que vagueiam sem eira e bem beira, um copo pinga a gota quente da mais leviana aguardente. No cérebro que espirra seu torpor gripal, falácias doidivanas e vãs tentam se achegar. Tiritante no vento que se refaz feminino na saia rendada da prenda, o casal viaja mil caminhos na metáfora de ser feliz. Bravo com tanto barulho, o pássaro aquietado no galho seco caga na cabeça do padre contrito a fingir que sabe rezar.

(Ao som de Vitor Ramil)

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