segunda-feira, 28 de março de 2022

A ouvir Macalé

Panificadora partida entre pães e bolachas, ou biscoitos. Há um forno crepitando maluco e um padeiro meio tarado e meio eunuco a correr entre fumaças e odores, flores despejadas na rua e um cais a borbulhar de ondas os brocados das saias das mulheres a comprarem bolos e sonhos. O tintilar de moedas e voo de notas denota que a tarde chega tardia para a noite que a envolve de luzes e cores. No asfalto, de fato, a fotografia delimita a orgia futura. No caixa, o português dono de tudo, grita entre cifras e cifrões. “Tenho aluguel para pagar, seus sem colhões!” No verbete que vira verbo na porta da padaria, o lembrete de que o tempo não para e quente é melhor de comê-lo. Defronte do prédio, dois moleques que têm na rua o seu lugar vêm para sentir no nariz que a fornada chegou. 

Jards Macalé é um dos caras, talvez o cara. Ps.: Antes de flamenguista, tijucano, sou americano, como Macalé.

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