Pandeiro a tocar seu ritmo
arrítmico diante da madrugada malfadada que me apraz. Um pedaço de arremedo. Um
incansável e inefável sofrer. A dor que bate no pinho o dedilhar que o punho
segue os dedos e se refaz. Uma voz a soar a sina. O sonho de um lábio molhado
onde o arcanjo voraz sorve sua sede de pecado. Quem sabe a imensidão dos
impropérios etéreos que se desdenham nas notas de um mascarado poeta na
quarta-feira de cinzas a se desdobrar entre ser ou não ser. Um embriagado viver
de memórias inenarráveis e o futuro que não existe por não ter. Há muito a se
ver. Brincadeiras de asneiras e as ladeiras de uma Olinda finda no subir e
descer. O inglório desdenhar de pesadelos em desmazelo, o zelo de cuidar do que
resta de você. Cancioneiro de notas deletérias e etéreas. Um desgrenhado
mistério que se joga em sobras devagar. A vagar me faço sem ser.
sábado, 26 de março de 2022
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Já que a dor é exequível, façamo-nos
Por Ronaldo Faria Aqui, a brincar com as letras esotéricas e elétricas que surgem bêbadas e cansadas de se repetirem, a frágil frigidez do...
-
Por Ronaldo Faria A chuva miúda amiúde traz flamboyants vermelhos a juntarem o casal que viaja em ervas mil onde o senhor mais senil pensa...
-
Por Ronaldo Faria -- E aí, vamos? -- Claro. Só se for agora... Carlos e Kelé, amigos de infância, suburbanos desde os primeiros panos de ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário