sábado, 25 de novembro de 2023

Na forrozada inchada de ciúmes paternais

Por Ronaldo Faria


A viola rasga o espaço que está partido de risos branqueados das donzelas namoradeiras e rapazes enlouquecidos pelos batons cor de carmim que bronzeiam os lábios a se conquistar. Coitados, terão muito que esperar. Quem sabe a vida inteira. As meninas, embranquecidas pelo pouco de sol imposto pelos pais donos de cintos às mãos e ciúmes atrozes, apesar de suas artroses, sabem que dançar um forró colado é coisa que há de se privar. “Painho, é só um chegar junto sem encoxar. É uma dancinha só.” Com olhos vermelhos de aguardente e ódio pelo pequeno garanhão que quer chegar, o velho, a mascar fumo de rolo e bater a espora no chão, só diz um simples e definitivo não. “Esse bosta que vá carpir um terreirão!”

O violeiro, que nada tem com a cena, chama o sanfoneiro pra ajudar. Aí a festa vira um festão. E as coitadas das meninas, de pernas finas de tanto ficarem sentadas sem aceitar uma dancinha, vão vendo o tempo passar até as dez da noite chegar. “Está na hora de moça direita parar.” E lá se iam todas, com seus progenitores a ver uma esperança feminina sucumbir. No salão ficavam os moçoilos prestes a buscar a casa que queimava lampião com celofane vermelho ou o que desse para esquecer mais esse sombrio viver. No palco, sem microfone ou infames, os músicos faziam aquilo que podiam para deixar o dono do forró sorrir. No balcão, Zé Formiga gritava que a pinga estava em promoção final. Era só achegar e tomar.

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