Por Ronaldo Faria
O cartaz era bem claro: se for
mijar, mire; se for cagar, não tem papel. Pra bom entendedor, mesmo bêbado ou
diarreico, estava bem mais do que claro. Era só cumprir o dito. Afinal, como
diz o ditado, combinado não é caro. Mas Beraldo, bebum de tradição, estava
naqueles dias em que o corpo do umbigo pra baixo não atendia os ditames do
cérebro para dentro. “E agora eu faço o quê? Me limpar como, se nem guardanapo
trouxe?” (Ps.: guardanapo nas mesas não existia por lá). No boteco, de fora do quadrado em questão, a fila nunca tardia
da bexiga esvaziar aumentava cada minuto mais. O mais carente ou apertado da
vez, diante da porta do banheiro fechada, batia nela frenético. “Caralho, vai dormir
aí?” Beraldo, na sina que determina se a vontade morre naquela hora ou faz logo tudo de vez, sua em cântaros. No termômetro do celular faz,
porém, 15 frios graus.
-- Já vai, cacete! Calma! Aqui não é fila do INSS. Dá pra esperar um pouco mais...
Do lado de fora do pequeno cubículo de excrementos, os urros aumentam a cada apertar de pernas dos que esperam para não desandar calças e bermudas a vazar. No interior do 1x1, Beraldo beirava o cúmulo de fazer voltar ao estômago o que queria simplesmente sair e descer. Da cozinha, o cheiro desmedido de torresmo só fazia a vontade de evacuar aumentar. “Meu Oxalá, não se esquece de mim. Se a merda descer, só se for com a camisa para me limpar.” No cume da espada que corta pra que lado tiver de cair, ele desaba mesmo a contragosto no esgoto que tem logo depois da descarga ativar. “E agora, saio daqui borrado ou não?” No limite entre um pedaço de folha de madeira e o que há depois da porta, os clientes vociferam tresloucados: “Seu cuzão, vai sair ou não?”
Sem ter como fazer a cera de goleiro em jogo zero a zero no campo do adversário, Beraldo decide sair, só de bermuda. A camiseta agora estava “guardada” em algum lugar na descarga do lado, depois e abaixo da privada. “Que calor do cacete está fazendo. Sem camisa já está foda. Assim a humanidade vai morrer no inferno a queimar”, proferiu exultante.
-- Já vai, cacete! Calma! Aqui não é fila do INSS. Dá pra esperar um pouco mais...
Do lado de fora do pequeno cubículo de excrementos, os urros aumentam a cada apertar de pernas dos que esperam para não desandar calças e bermudas a vazar. No interior do 1x1, Beraldo beirava o cúmulo de fazer voltar ao estômago o que queria simplesmente sair e descer. Da cozinha, o cheiro desmedido de torresmo só fazia a vontade de evacuar aumentar. “Meu Oxalá, não se esquece de mim. Se a merda descer, só se for com a camisa para me limpar.” No cume da espada que corta pra que lado tiver de cair, ele desaba mesmo a contragosto no esgoto que tem logo depois da descarga ativar. “E agora, saio daqui borrado ou não?” No limite entre um pedaço de folha de madeira e o que há depois da porta, os clientes vociferam tresloucados: “Seu cuzão, vai sair ou não?”
Sem ter como fazer a cera de goleiro em jogo zero a zero no campo do adversário, Beraldo decide sair, só de bermuda. A camiseta agora estava “guardada” em algum lugar na descarga do lado, depois e abaixo da privada. “Que calor do cacete está fazendo. Sem camisa já está foda. Assim a humanidade vai morrer no inferno a queimar”, proferiu exultante.
Pediu a conta ao Gervásio, gerente
do bar, e saiu rapidinho do lugar. “Ainda bem que aqui é raiz e não tem câmera
de vídeo”, sentenciou na rara esperança vulgar. Mas, ledo engano, o prefeito que
buscava reeleição tinha enchido a cidade de espiões da vida alheia para melhor arrecadar. Ele foi pego no
flagra atrasado e filmado quando a companhia municipal responsável foi chamada para
desentupir a rede de esgoto e descobriu uma camisa branca "pintada" de marrom. Identificado e multado, só então Beraldo decidiu
que era hora de escolher finalmente: ou iria beber num lugar que incluía papel higiênico
no cardápio ou virava ermitão sem direito a mesas mais transitar. A resposta,
como diria o caipira, nem por bosta qualquer um saberia responder...

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