domingo, 3 de agosto de 2025
Um gigante do jazz que viveu só 30 anos *
sexta-feira, 1 de agosto de 2025
Creiam na Clementina
Por Ronaldo Faria
Ela, Clementina, tinha o mesmo
sobrenome do marido – Silva Camões. Coisa de casal antigo, em que a mulher
virava posse lavrada em cartório do marido. Na pose do tempo do porta-retratos,
um possesso tormento das frágeis ilusões de cada um. A casa seria quase um casebre
se levarmos em conta o jeito rotundo com que ela se espelhava diante da linha
de trem que carregava as pessoas à sua tragédia, quase comédia, de viver para
trabalhar e minguar. Mas nessa casa, construída nos Anos 40 do século que já se
foi, Clementina era um ser clemente de vida, temente da sorte, ciente de que o
ser humano é mais um mero vivente.
Seu marido era Astrogildo. Astrogildo Soares da Silva Camões, escrevente num escritório de contabilidade no Centro da cidade. Antes, na juventude, tinha sido professor de datilografia numa escola do subúrbio – Time Is Money. E anteriormente era engraxate de sapatos na Estação Leopoldina. Ali, entre cruzeiros velhos, apitos de locomotivas e fumaça de lotações com seus escapamentos cinzentos, sonhava em viajar. Conhecer o Brasil, juntar sabores e odores, sotaques e suores, olhares e toques noturnos em bares e biroscas. Mas o tempo passara e ele ficou por ali mesmo, a seguir a Avenida Brasil a torcer para fugir dos tiroteios matinais. E dizia a si mesmo: “Já está bom demais”.
Eram um casal como tantos outros milhares, feito espigas de milharal que servem de pombal aos pássaros sem lar. Há muito não faziam amor, se é que um dia o tenham feito. Afinal, amor é coisa de dois iguais, como animais. E Clementina e Astrogildo eram partes diferentes do astrolábio a indicar a direção das estelas que costumam brilhar nos céus surgidos quando as paixões urgem maiores que o destino em comum. Logo, apenas eram. Erráticos no seu dia a dia, diários na rotina redundantemente igual, díspares seres que nunca deveriam ter se juntado. Mas Astrogildo a vira numa noite já bêbado, nos raros percalços daquele jovem descalço, e Clementina, perto de ser apenas a tia preferida, achou que era a hora de sair da surdina. E se juntaram e deu no que deu: um constante adeus mesmo sob o mesmo teto.
Mas, tão abrupto como o cocô
de pomba que lavou o busto do marechal, o destino resolveu a questão de forma
quase informal. Foi quando um périplo de crentes, desses chatos que acham que ninguém
dorme e batem palmas logo quando o dia ainda raia, chegou ao portão de
Clementina e Astrogildo. “Podemos falar a palavra do Senho!” – disse o crente
mais velho e fanho, sem o mínimo brilho no olhar. Clementina, que não tinha
mesmo muito com quem falar, aceitou ouvir a ladainha. E se sentiu rainha por
ter um bando de mequetrefes à sua frente. Ouviu com tal atenção que queimou o feijão.
Enquanto isso, Astrogildo terminava outro dia de batente. Desceu as escadas do prédio
de escritórios com seus notórios amigos de trabalho, todos suados porque o proprietário
do lugar não tinha mandado consertar o ar-condicionado, e pegou o ônibus para
voltar ao lar. Viu as mesmas ruas, a mesma avenida, o trânsito lento, o tráfego
interrompido por causa do tiroteio na Maré, as orações do passageiro do lado
para a bala perdida não o achar. Chegou cansado, com vontade apenas de um banho
e de um prato de comida junto com uma dose de cachaça. Mas qual, Clementina
tinha ido para o templo honrar a Deus, convencida pelo pastor que precisava de
nova ovelha para o dízimo doar. Diante de uma panela de feijão queimado e
esturricado, Astrogildo, sem entender o sentido daquilo, pôs-se apenas a chorar.
Nos trilhos defronte, outra composição passa a levar vidas e ilusões.
quarta-feira, 30 de julho de 2025
Dia útil
Por Ronaldo Faria
Despejar o líquido insípido e amarelo no ralo que há entre a garganta e a tântrica certeza do cérebro a se embriagar. Brincar de ser e rever os raros momentos em que os tormentos lavam de sabão em pó o pó que move a amplidão da criação. Nas mazelas que correm feito gazelas, as procelas que se escondem nas pradarias cercadas de padarias para a larica fugaz, o cismo de voltar.
Entregar os tragos dados aos orixás, libertar nas têmporas que o tempo sintetiza em segundos próximos e últimos, fugir na prisão que a liberdade da loucura procrastina, mas dá. Sequenciar sequelas e sequências, ausências, proficiências, ciências ocultas e cultas que o tempo faz prenunciar. Nas etéreas lambidas das feridas, nos unguentos que regem a sanidade profanar, se recriar.
Dançar entre pernas, paixões e derradeiras brincadeiras. Suar nas camas sorrateiras que se dão sobremaneira. Feito asneira, rodar por aí sem eira e nem beira. Brincar de papai e mamãe antes desses terem filhos e deixarem de se amar. Catar conchas e esconde-las entre as coxas para o pescador não dar falta delas. Pecador, rezar mil terços e a cada continha do crucifixo jurar que vai mudar.
Fazer lençóis como anzóis que pescam os pecadores que se entregam à luxúria que a vida dá. Falar pelos cotovelos, silenciar nos novelos que o amor faz enrolar. Esfolar a pele nos pedidos sofridos que a amada ou o amado dão para fugir da solidão. Ser talvez ou senão. Em verbos rompidos, versos retorcidos, bisonhos gritos entoados em pleno torpor, saber que a loucura é a maior razão.
terça-feira, 29 de julho de 2025
Mel Tormé & Tony Bennett: os estilistas da canção *
segunda-feira, 28 de julho de 2025
A pensar em pitibiriba longe de Pirituba
Por Ronaldo Faria
sábado, 26 de julho de 2025
Outrinha felizinha, com Caetano e filhos
Bustamante, amante colérico eclético, estava casado com Clotilde, besuntada de mel e lua. Diria até que era algo que não há palavra apalavrada para cultuar ou explicar. Era! Apenas era, feito hera que nasce de repente num rompante. Isso bastava.
Eram casal acasalado no maior primor, mesmo tivesse ele voz anasalada. Meio gordinho e fanho, ex-favelado largado, alargado pelos aros de luz que chegam logo depois da escuridão nos buracos do teto de zinco, Bustamante sentia-se órfão infindo nos braços de Clotilde.
Ela, donzela de um cavaleiro só, dessas que zela seus orifícios apenas para o amado, vivia a sambar no lar. Mesmo com sua vida fora das paredes, como benzedeira da paz, Clotilde vivia a vida a brincar de vestido que rodopia na barra que a saia faz subir até o joelho no luar.
Loquazes, algozes de si mesmos, feito amor a esmo, brincavam todas as noites como animais que convergem num açoite à volúpia que a coruja, atenta, tenta decifrar. Viram uma meiose que o poeta, na sua ignorância bíblica e real, sabe lá o que pode ser ou será. “Meinha pode ser?” – pergunta o depravado que Carlos Zéfiro fez feliz em gerações de um século atrás.
Viventes e crentes, emergentes de lembranças infindas nas findas esferas que as mais bestas feras entrelaçam nos pesadelos noturnos, eram um só. Sem dor e nem dó. Caçadores de urgências frígidas, frágeis seres, volúpias efêmeras, sabiam traduzir a vida. Crianças cruas naquilo que o mundo traz e dá, eram e são anciões nas loucuras que as agruras de cada dia deixam como semente para brotar.
Logo, se amaram e se jogaram nos precipícios que nem os prepúcios ainda virgens sabem onde vão adentrar. Entre lábios que se misturam de bocas e línguas e aqueles que ficam escondidos nas pernas da mulher, foram em desterros a se entregar. Onde? Em qualquer lugar. Afinal, quando você tiver vontade de se largar, faça-o. Face na face. O resto, proscrito céu com gosto de mel, saberá criar nuvens fugidias à loucura do amor. Senão, valeu a intenção no tesão que nesse momento, feito minueto, é apenas sentimento de Orfeu.
quinta-feira, 24 de julho de 2025
Na vibe de Vander Lee
Cego em seus egos vesgos nos périplos, Gumercindo vociferava a lavra de quem caminhava entre nuvens ou preamar. Na canseira de se achar, proliferava matizes no que hoje se chama expertise. Experiente nas estradas famélicas que nem as velas sabem iluminar, brinca de brincar na irreal crença de ser ou estar. Nos goles de cachaça rechaça a tristeza que teima em chegar para se aconchegar.
De olhos vívidos e brilhantes, borbulhantes, Catarina tinha nas retinas a mansidão. Entre a vastidão do mundo e a devassidão da vida, ia no seguir de ir e vir. Na prece de quem não tem pressa, passeia incólume na luminosidade da cidade que vive, gira e roda. Dá mil cambalhotas. Deixa versos jogados no chão em reviravoltas. Se entrega. Ou será entrega-se? Para ela, pouco importa se tiver de cruzar mais outra porta.
Agiota de voltas e reviravoltas, Gumercindo é talvez mero pretérito imperfeito, seja lá o que isso for. Na dor do analfabetismo do destino, sabedor de sua ignorância plástica e lacônica, platônica quiçá, segue agora no torpor da hora.
Menina que surge feito crisântemo que flora e aflora lá fora, onde achamos enxergar, Catarina cata sílabas e gestos, tece frases e versos, caminha no alvorecer. Na sua estrada calcinada em que o silêncio é nada, apenas surge em todo esplendor.
No fim, enfim, na efeméride que se escreve sem saber, se juntam e se untam de paixão. E fica apenas o poeta, apostata de qualquer fé, a viajar nas suas trevas que se entrevam e se entregam no muito que parece ainda pouco em toda imensidão.
terça-feira, 22 de julho de 2025
Predestinação na procrastinação
Por Ronaldo Faria
-- Angélica, onde está você? Cadê aquele amor que invadia a madrugada e viajava pelos mais loucos lugares e camas desforradas como rosas defloradas no vento para o nosso alento? Que fim levou nosso amor? De herança ficou apenas essa infinita dor?
Wanderley, parado diante do sinal que piscava vermelho para o carro da cena parar, viajava na maionese própria, antípoda da felicidade. Amante que já fora arfante entre lençóis do antes de sóis, seu caminho era hoje um descaminho franzino. Pequeno diante das mágoas do mundo e gigante na solidão sempre a renascer, quase menina.
Andarilho de estribilhos, equilibrista de trilhos, mergulhava nas próprias palavras para tentar se fazer entender. No cerzir de atalhos, caminhava na busca de ser. Ébrio contumaz, pouco ou nada loquaz, vivia nos seus oceanos a tentar algum porto de continente qualquer alcançar. De bússola, seu soluçar. Logo ali, na esquina onde se escondia a próxima sina, a luz solidária do olhar perdido. No anhangá em todos nós, nós que se desatam na madrugada escura.
-- Angélica, em que deriva de maré a tua jangada se desfez e adernou na dor? E me deixou aqui, grumete de nenhuma viagem a buscar alguma galé. Aonde navegar? Em que tormenta naufragar? Talvez no mar infinito em díspares rotas de insensata imensidão.
Sabendo-se eterno catador de conchas tronchas e quebradas, com os pés da amada ali do lado, dança agora um fado. Sem par. Para Wanderley, o mundo é globo sem lei. Mas, talvez, a da gravidade exista na grave verdade do mar que não despenca universo a fora. E assim ele vai. Grandiloquente sem a trema que dava sabor à trama de escrever. Na taberna quente onde faz a verve verdadeira transpirar, suplica por sirenas, sereias ou até a sirene de ambulância que traga Angélica, mesmo estropiada e escalafobética, para sua parca fonética. Mas, como todo canto ou conto barroco, virou somente mais um escritor escroto para quem é aquele que não sabe sequer ler.
domingo, 20 de julho de 2025
Ray Charles, a essência musical de um gênio *
sexta-feira, 18 de julho de 2025
No cantarolar
A cidade, na sua idade antropológica e própria decadência, se esfacela e se esfarela feito quirela de pão. Quisera sabe dizer que tudo terminará em procela. Mas qual... Num quarto e sala, João se apropria do passado e corre feito louco das lembranças de infância. Nessa instância, o psiquiatra junto com o geriatra diriam: “Interna, é caso perdido”.
Mas João não liga para a essência de ser hermafrodita. Na desdita, se entrega ao desdém da vida. Vinho português na taça, traça a comer seus alfarrábios, viaja nas letras e versos. Faz-se reverso na crença de que estará ao amanhecer, como disse o poeta, pra lá de Marrakesh. “Amanhã a gente vê a merda que vai dar”.
Incenso de arruda aceso, dois novos santos africanos no santuário (uma com a navalha que corta o mal e o outro que faz novo ciclo chegar no tempo), na certeza de pesadelos logo mais, João se embrulha solitário feito sabugo na palha do milho. “Vim só caminhar nesse mundo e só irei embora.” Lá fora, o aforismo de falácias e dramáticas histriônicas histórias. Atônitas, células dançam um tango/bolero qualquer.
Na cidade, cheia de iniquidade e dramaticidade que enche o roteiro de amantes e poetas, homens e mulheres se juntam, se separam, reparam que estar junto pode ser coisa boa ou mazela. Na esquina, quimera de prosopopeia, um personagem que por obrigação da rima se chama Zélia.
Chico sem sobrenome deu sua sentença. O resto logo irá virar resto sem opção ou oração, senão.
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Pra esquentar
terça-feira, 15 de julho de 2025
Charlie Byrd e a música brasileira *
segunda-feira, 14 de julho de 2025
Friorento e acalantado
Por Ronaldo Faria
Faz frio. O corpo tem arrepio
e não se ouve da coruja sequer um pio. Ela está entocada numa toca qualquer, a
tentar agasalhar seu pé. Na rua, casais se agarram e se juntam mais do que o normal,
como fosse junho o início de mais um Carnaval. Quem sabe a roçar pernas e braços,
com tantos alentos e enlaces, aconchegos e abraços, não se consiga fazer a
noite perpetrar o resto de sol e fazer o mundo esquentar? Mas qual, na Terra
não há mais lugar para anjos. Os demônios que passeiam nas esquinas e camas
fazem da lua seu réquiem e ruminam a estapafúrdia certeza de que não vale a
pena viver.
As janelas fechadas para as
fachadas cinzas e cheias de concreto armado parecem armas prontas para dispararem
no disparate que vem a cada gole de vinho tinto. A tintilar nalgum lugar perto,
moedas caem do bolso do avarento que deixou de pagar a conta de luz. Sem aquecedor,
vive a bater seus dentes e ranger ossos na plena dor. O odor em volta é de
restos de comida carcomida por vermes que aprovaram o fim do frio no
congelador. Deitado no sofá, soturno e alquebrado pelo tempo, Gumercindo é um
gourmet da tristeza, quase um comensal. Lá fora, afogada em formas e versos, vive
Beatriz.
Desejada por todos aqueles que
a conseguem ver ou enxergar, está a ler um livro de poesias, desses que se lê
junto com café quente num boulevard. Quase desnuda, sob as cobertas que chamam
de edredom, sente sua pele tocar o cetim que serve de lençol. Seus raros pelos
brincam de levantar numa estática e elétrica estética a quem gostaria de estar
ali, a servir de calor à falta de pudor. Beatriz, que Michelangelo teria
esculpido em tamanho real e desejo irreal, sabia que vive nos sonhos e
pesadelos de homens e mulheres mil. Mas, agora, na fria noite que se atira
gelada, é apenas um pedaço de sina.
“Cretina, por que me deixou?” O
grito de Evangelista sai de uma lista de impropérios etéreos que surgem da sua
garganta seca e perdida na derradeira mesa de um bar. Ébrio desde menino, famélico
e magrelo, se fosse visto de lado ninguém o enxergaria. Aliás, mesmo de frente,
bem defronte que seja, ninguém o vê. Mas ele não liga mais para isso. Submisso
às lembranças de infância, refém do amor de Maria, é outro Zé na fila do bonde
que há muito deixou os trilhos enferrujados. Penitente renitente de uma oração,
dessas que se recita nas procissões, apenas espera o garçom expulsá-lo do
lugar.
Mas na boate que funciona no
meretrício em tênue luz vermelha plena de devassidão, Joana gargalha ao último
freguês. “Esse albanês é uma besta de pinto pequeno!” Bento, segurança do
local, ri também. O turista, de nome Vasil (não vaselina), sequer entendia o
que os gentios falavam. Feliz pela noite tragada e entumecida, pagou em dólares
e partiu. Seu navio iria sair logo no amanhecer. Para Joana, a trama tinha
findado. Era hora de tomar mais um trago, por conta da casa, seguir para o
subúrbio e dormir. A névoa gelada ao derredor não sabe ver ou ler a sua dor. Daqui
a pouco, novo retomar do mundo louco.
Um dia Gumercindo encontrou Joana a trabalhar e logo descobriu que era nela e nas suas pernas que seria feliz. Catou cada vintém que tinha escondido debaixo dos tacos de madeira e entregou um a um à sua nova amada. Ela, estupefata com tal querer, adotou o homem e prometeu morar com ele, desde que esse pagasse a conta atrasada da Light. No dia seguinte, na fila do Serasa ele estava lá. Já Evangelista viu Beatriz numa livraria tosca na busca de nova leitura atávica. De lado, para que ela não o enxergasse e se assustasse, não acreditou na cena e demasiada beleza. De repente, ela lhe tocou o ombro: “Sabe onde eu encontro Baudelaire?” Foi amor à primeira pergunta e o esquecer eterno de Maria.
Hoje os quatro vivem os dias frios a trocar cobertores, chaves de aquece/esquenta no chuveiro e brincadeiras que surgem depois de garrafas de vinho, conhaque ou bourbon. No interior da metrópole que aos poucos vira acrópole, vão tocando seus dias entremeados de madrugadas onde cada respirar faz fumaça das gargantas brotar. E o tempo e os minutos passam no relógio, perpassam novos aniversários e a certeza de que a esteira da história não para de rodar. Lá de cima, bem acima do celeste luar, alguém ri de seus personagens e daquele que, quando o sol chegar, estará a descobrir como nova ressaca suprimir.
(Ao som de muitos músicos e canções)
sábado, 12 de julho de 2025
Edu que foi e eu logo me acho lá
Por Ronaldo Faria
-- A todos nós, loucos no tempo que a terra deu pra estar, a certeza de que cada ressaca valeu o tempo que se fez em si, sem invólucros, estar.
quinta-feira, 10 de julho de 2025
Arrigo com Lupicínio
Por Ronaldo Faria
A frase de Apolinário, que nunca fora otário na vida (apesar de assim uns imbecis o acharem), apenas se escondeu no personagem atávico e quase trágico de uma música que Lupicínio Rodrigues assina. Sentado e quieto, ereto ainda, ele revê e vê os tempos áureos e plausíveis, sensíveis e críveis, ou como diria Lupicínio, quando os espelhos lhe dão conselhos.
Na cama, azáfama e vestal, o personagem imaginário e etário vive as juras largadas e versejadas do ultimato trágico e fugidio. Para ele, parafraseado em cada nota da canção, toda a nota belisca seu coração. Proscrito e escrito o tal dito no ditame infame do versículo maldito. No palco que aplaca a falta da falácia que deixa a barganha buscar a felicidade na tonalidade melhor para o bálsamo que se refaz a cada doce beijo doado e doído nos lábios que nunca mais se verá nos versos. Quiçá, novos amores se descobrirão. E cada vida se verá na transgressão da iluminada realização.
-- Escrever mais, por quê?
-- Sei lá! Talvez porque na geladeira ainda há algumas latas a beber.
-- Ou talvez dependa apenas daquilo que você queira falar e dizer.
-- Pode ser...
No palco nostálgico, que já está difícil descrever ou prever nas pernas da mulher que se alisa a cada estrada que poderá chegar, a sina. Tudo como uma metonímia, seja lá o que isso quiser ser. Ao resto, talvez um saravá. Mistura de letras, sílabas e palavras, frases desanuviadas, desvairadas, declamadas por um bêbado qualquer. Na fé, façamos a tragédia que a comédia emerge nas águas lavadas. Catatônicas, afônicas, tragicômicas, atônitas, as deixemos tornar desejo em louvor.
Chick Corea e Lionel Hamptom: encontro histórico
Por Edmilson Siqueira Chick Corea ainda não tinha 30 anos quando fez um show ao vivo em Cannes, no Theatre du Casino. na França, durante o M...
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