quarta-feira, 8 de junho de 2022

Noite de vida à música

 Por Ronaldo Faria


Noite de vida. No bar, o fim barbárie. Nas gotas do copo, as gotículas minúsculas que se entrelaçam e sabe-se lá onde for que se darão. Na música, a túnica atônita que se entorna em palavras ávidas de sede de verter saudade e sorver ambiguidades mil. No frio notívago vem a certa e incrédula vastidão do nada no amargo afago longínquo que se traveste de veste profana a dançar em qualquer lugar. No largar do lagar múltiplo, o lugar onde nascerá o sol. Na profusão de cores e odores, sabores e dores, a quântica realidade de se estar para logo nunca mais voltar. No ar, a negritude que se amplifica nítida e performática, atávica em ser apenas si mesma, na pujança inexistente de cada mente. E que a mentira se vá incongruente e demente para um solo solitário de uma guitarra qualquer.

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