Por Ronaldo Faria
O entardecer se faz crepúsculo
na orgia que une luz de sol e nuvens brancas que escurecem sob as montanhas que
nada mais são do que entranhas que viajam no céu avermelhado e amarelo que bronzeia
a cadela caramelo. Entre pedras de um santo que pede para ver e crer, nas
letras diversas das efemérides plenas, o tempo se perde em pedras e paixões.
Nas entranhas, de mochilas encilhadas na própria estrada, calcinadas nas
montanhas brancas de pó e fuligem, casais vão a se misturar na maré além-mar.
No olhar, mistura de paixão e brancas névoas de brisa a se largar, o amor de
dois corpos se entrega a mais um trago. Largado em seus próprios pensamentos, feito
unguentos que curam até o santo preso numa cruz, o poeta cumpre a complacência
de apenas sê-lo. Ser do tempo de lamber selos e envelopes de carta com a língua
pra se entregar à saudade transitória que está em trânsito entre os olhos e o
coração. Na cachoeira que se estreita aos sentidos vãos, uma brincadeira entre
a dor e o sobrenatural.
(Com Ventania na cuca)
