Por Edmilson Siqueira
"Não acho que muitos grupos soem como o Jazztet. Tentamos ser únicos. O que eu escrevi para nós foram mensagens pessoais." (Benny Golson)
E é um jazz exatamente "pessoal" que deparamos ao ouvir o CD "Blues On Down", com as performances de Art Farmer ao trompete e Benny Golson no sax tenor, com o seu Jazztet.
O álbum em vinil foi lançado em 1960 pela Argo Records e representa um dos momentos mais elegantes e refinados do hard bop, um estilo muito mais suave que o be pop. Mais do que apenas um encontro entre dois grandes músicos do jazz, o disco marca a consolidação de um grupo com identidade própria, sonoridade sofisticada e liberdade de improvisar.
Para nos dar uma perfeita aula de sonoridade, Golson e Farmer juntaram-se a Tom McIntosh no trombone, Cedar Walton no piano, Tommy Willians no baixo e Albert "Tootie" Hearh na bateria.
Uma composição que não foge muito do usual, na combinação de metais, cordas e percussão. O que torna esse disco especial é justamente o modo de encarar não só as partituras que Golson escreveu, como olhar para clássicos como My Funny Valentine (quarta faixa) com o respeito e originalidade.
Quando Golson e Farmer criaram o Jazztet, os dois músicos que já haviam conquistado reputação no cenário jazzístico dos anos 1950. Golson, além de instrumentista, era um dos grandes compositores do jazz moderno, autor de standards como "I Remember Clifford", "Whisper Not" e "Killer Joe". Farmer, por sua vez, era reconhecido pelo timbre suave, pela técnica impecável e por sua abordagem melódica extremamente refinada, que contrastava com o estilo mais explosivo de outros trompetistas da época.
A proposta do Jazztet era clara: criar um grupo que funcionasse como uma espécie de “pequena big band”, com arranjos elaborados e forte preocupação com a arquitetura musical. Isso diferenciava o conjunto de muitos quintetos e sextetos da época, que privilegiavam mais a espontaneidade do que o trabalho de arranjo. Nesse sentido, a influência da experiência de Golson como arranjador foi decisiva.
Não que outros grupos estivessem fazendo algo que não agradava. É que o Jazztet surgiu com um som diferente que também caiu nas graças dos apreciadores de jazz. Isso porque, o que tocavam refletia bem a proposta artística do Jazztet. E isso fica claro no disco: as composições alternam momentos de grande sofisticação harmônica com passagens de forte apelo melódico.
Art Farmer demonstra ao longo do disco porque era considerado um dos trompetistas mais elegantes de sua geração. Seu fraseado é sempre econômico, priorizando a beleza melódica em vez do virtuosismo exibicionista. Sua capacidade de construir solos lógicos e cantáveis reforça o caráter acessível, mas sofisticado, do álbum.
E é um jazz exatamente "pessoal" que deparamos ao ouvir o CD "Blues On Down", com as performances de Art Farmer ao trompete e Benny Golson no sax tenor, com o seu Jazztet.
O álbum em vinil foi lançado em 1960 pela Argo Records e representa um dos momentos mais elegantes e refinados do hard bop, um estilo muito mais suave que o be pop. Mais do que apenas um encontro entre dois grandes músicos do jazz, o disco marca a consolidação de um grupo com identidade própria, sonoridade sofisticada e liberdade de improvisar.
Para nos dar uma perfeita aula de sonoridade, Golson e Farmer juntaram-se a Tom McIntosh no trombone, Cedar Walton no piano, Tommy Willians no baixo e Albert "Tootie" Hearh na bateria.
Uma composição que não foge muito do usual, na combinação de metais, cordas e percussão. O que torna esse disco especial é justamente o modo de encarar não só as partituras que Golson escreveu, como olhar para clássicos como My Funny Valentine (quarta faixa) com o respeito e originalidade.
Quando Golson e Farmer criaram o Jazztet, os dois músicos que já haviam conquistado reputação no cenário jazzístico dos anos 1950. Golson, além de instrumentista, era um dos grandes compositores do jazz moderno, autor de standards como "I Remember Clifford", "Whisper Not" e "Killer Joe". Farmer, por sua vez, era reconhecido pelo timbre suave, pela técnica impecável e por sua abordagem melódica extremamente refinada, que contrastava com o estilo mais explosivo de outros trompetistas da época.
A proposta do Jazztet era clara: criar um grupo que funcionasse como uma espécie de “pequena big band”, com arranjos elaborados e forte preocupação com a arquitetura musical. Isso diferenciava o conjunto de muitos quintetos e sextetos da época, que privilegiavam mais a espontaneidade do que o trabalho de arranjo. Nesse sentido, a influência da experiência de Golson como arranjador foi decisiva.
Não que outros grupos estivessem fazendo algo que não agradava. É que o Jazztet surgiu com um som diferente que também caiu nas graças dos apreciadores de jazz. Isso porque, o que tocavam refletia bem a proposta artística do Jazztet. E isso fica claro no disco: as composições alternam momentos de grande sofisticação harmônica com passagens de forte apelo melódico.
Art Farmer demonstra ao longo do disco porque era considerado um dos trompetistas mais elegantes de sua geração. Seu fraseado é sempre econômico, priorizando a beleza melódica em vez do virtuosismo exibicionista. Sua capacidade de construir solos lógicos e cantáveis reforça o caráter acessível, mas sofisticado, do álbum.
Benny Golson, por sua vez, apresenta um som robusto e um discurso com improvisações marcado pela clareza narrativa. Seus solos mostram a preocupação com o desenvolvimento temático.
Segundo a crítica da época, "um dos aspectos mais interessantes do disco é justamente a complementaridade entre Farmer e Golson. Enquanto o trompete traz leveza e lirismo, o saxofone oferece densidade e profundidade. Essa combinação cria um contraste expressivo que se torna a marca registrada do Jazztet."
Historicamente, o álbum também é importante por representar uma alternativa estética dentro do hard bop. Em vez de enfatizar apenas a energia e o blues, o Jazztet buscava sofisticação formal e refinamento sonoro. Essa proposta antecipava, de certa forma, a valorização de arranjos mais elaborados que se tornaria comum em grupos posteriores.
Embora o Jazztet não tenha tido a mesma longevidade de outros grupos históricos, sua influência é perceptível na maneira como pequenos conjuntos passaram a valorizar mais o trabalho de arranjo e o coletivo. O disco permanece como um exemplo de como o jazz pode equilibrar emoção e inteligência musical.
O Jazztet, criado em 1959, viveu até 1962. Farmer e Golson reviveram o Jazztet em 1982 para turnês e gravações, incluindo uma notável apresentação no North Sea Jazz Festival.
O disco, mais de seis décadas após seu lançamento, continua sendo uma audição essencial para quem deseja compreender o jazz moderno. Trata-se de um álbum que recompensa a escuta atenta, revelando novos detalhes a cada audição.
Art Farmer morreu em outubro de 1979 aos 71 anos e Benny Golson em setembro de 2024 aos 95 anos.
As músicas do álbum são as seguintes:
- Hi-Fly (Randy Weston)
- Blues On Down (Benny Golson)
- Five Spot After Dark (Benny Golson)
- My Funny Valentine Richard Rodgers e Lorenz Hart)
- Wonder Why (Sammy Cahn e Nocholas Brodszky)
- Con Alma (Dizzy Gillespie)
- Bean Bag (Benny Golson)
- Junction (Benny Golson)
- Farmer's Market 9Art Farmer)
- 'Round Midnight (Thelonius Monk, Cootie Willians e Bernie Hanighen)
- A November Afternoon (Tom McIntosh
O CD (importado) ainda está à venda nos bons sites do ramo. Não encontrei o áudio no YouTube, mas encontrei um vídeo de mais de 30 minutos com o retorno do grupo no North Sea Jazz Festival em 1982, que eu cito no artigo. O link é https://www.youtube.com/watch?v=rumaonfAMvo .
Segundo a crítica da época, "um dos aspectos mais interessantes do disco é justamente a complementaridade entre Farmer e Golson. Enquanto o trompete traz leveza e lirismo, o saxofone oferece densidade e profundidade. Essa combinação cria um contraste expressivo que se torna a marca registrada do Jazztet."
Historicamente, o álbum também é importante por representar uma alternativa estética dentro do hard bop. Em vez de enfatizar apenas a energia e o blues, o Jazztet buscava sofisticação formal e refinamento sonoro. Essa proposta antecipava, de certa forma, a valorização de arranjos mais elaborados que se tornaria comum em grupos posteriores.
Embora o Jazztet não tenha tido a mesma longevidade de outros grupos históricos, sua influência é perceptível na maneira como pequenos conjuntos passaram a valorizar mais o trabalho de arranjo e o coletivo. O disco permanece como um exemplo de como o jazz pode equilibrar emoção e inteligência musical.
O Jazztet, criado em 1959, viveu até 1962. Farmer e Golson reviveram o Jazztet em 1982 para turnês e gravações, incluindo uma notável apresentação no North Sea Jazz Festival.
O disco, mais de seis décadas após seu lançamento, continua sendo uma audição essencial para quem deseja compreender o jazz moderno. Trata-se de um álbum que recompensa a escuta atenta, revelando novos detalhes a cada audição.
Art Farmer morreu em outubro de 1979 aos 71 anos e Benny Golson em setembro de 2024 aos 95 anos.
As músicas do álbum são as seguintes:
- Hi-Fly (Randy Weston)
- Blues On Down (Benny Golson)
- Five Spot After Dark (Benny Golson)
- My Funny Valentine Richard Rodgers e Lorenz Hart)
- Wonder Why (Sammy Cahn e Nocholas Brodszky)
- Con Alma (Dizzy Gillespie)
- Bean Bag (Benny Golson)
- Junction (Benny Golson)
- Farmer's Market 9Art Farmer)
- 'Round Midnight (Thelonius Monk, Cootie Willians e Bernie Hanighen)
- A November Afternoon (Tom McIntosh
O CD (importado) ainda está à venda nos bons sites do ramo. Não encontrei o áudio no YouTube, mas encontrei um vídeo de mais de 30 minutos com o retorno do grupo no North Sea Jazz Festival em 1982, que eu cito no artigo. O link é https://www.youtube.com/watch?v=rumaonfAMvo .
*A pesquisa para este artigo teve o auxílio da IA do ChatGPT.

