Por Edmilson Siqueira
Após o enorme sucesso do histórico Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, lançado em 1967, o cantor voltou a explorar a sofisticação da música brasileira. O resultado saiu em 1971, no disco "Sinatra & Company", onde um dos lados do LP só tem músicas de Jobim. Duas delas sem parceiros e a outras cinco divididas com Vinicius de Moraes, Dolores Duran e Newton Mendonça.
Para este disco, ou para as músicas brasileiras, os arranjos ficaram a cargo de Eumir Deodato e o próprio Jobim participa das gravações tocando violão.
No outro lado do LP, Sinatra canta um repertório mais alinhado ao pop orquestral norte-americano do início dos anos 1970, com arranjos de Don Costa, que era um colaborador frequente do cantor.
O lado A, com as músicas de Jobim, acaba sendo mais sofisticado, mas o lado B colabora para mostrar a versatilidade de Sinatra naquele momento de sua carreira: de um lado, o intérprete intimista e refinado que se adapta com naturalidade à estética econômica da bossa nova; de outro, o crooner grandioso que domina as baladas orquestrais com sua já lendária segurança interpretativa.
As faixas gravadas com Tom Jobim mantêm atmosfera elegante que marcou o álbum de 1967. Canções como “Drinking Water (Água de Beber)”, “Someone to Light Up My Life" ("Se Todos Fossem Iguais a Você") e “Wave” demonstram como Sinatra compreendia perfeitamente a essência da bossa nova: cantar menos para expressar mais. Aliás, é famosa a foto que mostra Jobim sentado, segurando com um dos braços um violão e com a outra mão fazendo um sinal de "pequeno" com os dedos para Jobim. Ruy Castro, no livro "Chega de Saudade", botou a seguinte legenda para esta foto: "Cantar baixinho: Tom dá a medida da voz a The Voice". Sinatra, por sua vez, disse que a última vez que ele cantara tão baixo foi quando teve laringite.
Mas, ao contrário de muitos cantores norte-americanos que tentaram interpretar o repertório brasileiro apenas como uma curiosidade exótica, Sinatra percebeu o caráter sofisticado dessa música. Sua interpretação evita exageros e vibratos excessivos, privilegiando uma emissão vocal mais suave e um fraseado relaxado, muito próximo da estética criada por João Gilberto. Ou seja, ele ouviu o conselho de Jobim e percebeu que sua interpretação só seria enriquecida respeitando o autor.
Jobim, por sua vez, aparece não apenas como compositor, mas como pianista, violonista e parceiro artístico. Seu toque econômico e sua harmonia refinada ajudam a criar o ambiente perfeito para a voz de Sinatra. O diálogo entre os dois artistas revela um respeito mútuo evidente: Sinatra canta com discrição para não invadir o espaço musical de Jobim, enquanto os arranjos preservam o protagonismo do intérprete.
Para este disco, ou para as músicas brasileiras, os arranjos ficaram a cargo de Eumir Deodato e o próprio Jobim participa das gravações tocando violão.
No outro lado do LP, Sinatra canta um repertório mais alinhado ao pop orquestral norte-americano do início dos anos 1970, com arranjos de Don Costa, que era um colaborador frequente do cantor.
O lado A, com as músicas de Jobim, acaba sendo mais sofisticado, mas o lado B colabora para mostrar a versatilidade de Sinatra naquele momento de sua carreira: de um lado, o intérprete intimista e refinado que se adapta com naturalidade à estética econômica da bossa nova; de outro, o crooner grandioso que domina as baladas orquestrais com sua já lendária segurança interpretativa.
As faixas gravadas com Tom Jobim mantêm atmosfera elegante que marcou o álbum de 1967. Canções como “Drinking Water (Água de Beber)”, “Someone to Light Up My Life" ("Se Todos Fossem Iguais a Você") e “Wave” demonstram como Sinatra compreendia perfeitamente a essência da bossa nova: cantar menos para expressar mais. Aliás, é famosa a foto que mostra Jobim sentado, segurando com um dos braços um violão e com a outra mão fazendo um sinal de "pequeno" com os dedos para Jobim. Ruy Castro, no livro "Chega de Saudade", botou a seguinte legenda para esta foto: "Cantar baixinho: Tom dá a medida da voz a The Voice". Sinatra, por sua vez, disse que a última vez que ele cantara tão baixo foi quando teve laringite.
Mas, ao contrário de muitos cantores norte-americanos que tentaram interpretar o repertório brasileiro apenas como uma curiosidade exótica, Sinatra percebeu o caráter sofisticado dessa música. Sua interpretação evita exageros e vibratos excessivos, privilegiando uma emissão vocal mais suave e um fraseado relaxado, muito próximo da estética criada por João Gilberto. Ou seja, ele ouviu o conselho de Jobim e percebeu que sua interpretação só seria enriquecida respeitando o autor.
Jobim, por sua vez, aparece não apenas como compositor, mas como pianista, violonista e parceiro artístico. Seu toque econômico e sua harmonia refinada ajudam a criar o ambiente perfeito para a voz de Sinatra. O diálogo entre os dois artistas revela um respeito mútuo evidente: Sinatra canta com discrição para não invadir o espaço musical de Jobim, enquanto os arranjos preservam o protagonismo do intérprete.
Os arranjos das faixas brasileiras apostam em formações pequenas e transparentes, onde cada instrumento tem função precisa. Violões, piano, sopros discretos e uma seção rítmica delicada criam uma textura sonora leve, que contrasta com o padrão mais grandioso das gravações tradicionais de Sinatra.
Essa escolha estética mostra a inteligência musical do cantor. Já consagrado como uma das maiores vozes do século XX, ele não precisava provar nada tecnicamente. Em vez disso, preferiu adaptar-se ao espírito das canções. Esse tipo de postura demonstra uma qualidade rara entre artistas consagrados: a humildade musical.
A segunda metade do disco apresenta uma mudança clara de atmosfera. Sob a direção de Don Costa, Sinatra retorna ao território das grandes baladas orquestrais. Faixas como “I'll Drink The Wine” e “Leaving on a Jet Plane” mostram o cantor dialogando com o repertório contemporâneo da época, aproximando-se da canção pop que dominava as paradas no início da década de 1970.
Sinatra & Company surge em um momento de transição na carreira do artista. O cantor já não era apenas o ídolo juvenil dos anos 1940 nem apenas o intérprete sofisticado dos anos 1950 e 60. Ele agora buscava reafirmar sua relevância em um cenário musical dominado pelo rock e pelas novas tendências da música pop.
Embora não seja considerado um dos álbuns mais famosos de sua discografia, Sinatra & Company tem grande valor artístico. Especialmente as gravações com Jobim são frequentemente redescobertas por admiradores da bossa nova e do jazz vocal.
Com o passar do tempo, muitos críticos passaram a ver essas faixas como uma continuação natural do encontro histórico entre a música americana e a música brasileira que marcou os anos 1960. Sinatra ajudou a legitimar internacionalmente o repertório de Jobim, apresentando essas canções a um público ainda mais amplo.
Hoje, o disco é apreciado principalmente por quem busca conhecer as facetas menos óbvias da obra do cantor. Não é um álbum de grandes sucessos radiofônicos, mas sim um trabalho de nuances, de detalhes e de encontros musicais sofisticados.
Sinatra & Company é um álbum que talvez não ocupe o centro das atenções na vasta discografia de Frank Sinatra, mas representa muito bem sua inteligência artística e sua abertura para novas experiências musicais. A parceria com Tom Jobim continua sendo o ponto alto do trabalho, oferecendo momentos de rara elegância e sensibilidade.
Em última análise, Sinatra & Company mostra que o verdadeiro talento não está apenas na potência da voz, mas na capacidade de ouvir, aprender e compartilhar a música com outros grandes artistas.
Essa escolha estética mostra a inteligência musical do cantor. Já consagrado como uma das maiores vozes do século XX, ele não precisava provar nada tecnicamente. Em vez disso, preferiu adaptar-se ao espírito das canções. Esse tipo de postura demonstra uma qualidade rara entre artistas consagrados: a humildade musical.
A segunda metade do disco apresenta uma mudança clara de atmosfera. Sob a direção de Don Costa, Sinatra retorna ao território das grandes baladas orquestrais. Faixas como “I'll Drink The Wine” e “Leaving on a Jet Plane” mostram o cantor dialogando com o repertório contemporâneo da época, aproximando-se da canção pop que dominava as paradas no início da década de 1970.
Sinatra & Company surge em um momento de transição na carreira do artista. O cantor já não era apenas o ídolo juvenil dos anos 1940 nem apenas o intérprete sofisticado dos anos 1950 e 60. Ele agora buscava reafirmar sua relevância em um cenário musical dominado pelo rock e pelas novas tendências da música pop.
Embora não seja considerado um dos álbuns mais famosos de sua discografia, Sinatra & Company tem grande valor artístico. Especialmente as gravações com Jobim são frequentemente redescobertas por admiradores da bossa nova e do jazz vocal.
Com o passar do tempo, muitos críticos passaram a ver essas faixas como uma continuação natural do encontro histórico entre a música americana e a música brasileira que marcou os anos 1960. Sinatra ajudou a legitimar internacionalmente o repertório de Jobim, apresentando essas canções a um público ainda mais amplo.
Hoje, o disco é apreciado principalmente por quem busca conhecer as facetas menos óbvias da obra do cantor. Não é um álbum de grandes sucessos radiofônicos, mas sim um trabalho de nuances, de detalhes e de encontros musicais sofisticados.
Sinatra & Company é um álbum que talvez não ocupe o centro das atenções na vasta discografia de Frank Sinatra, mas representa muito bem sua inteligência artística e sua abertura para novas experiências musicais. A parceria com Tom Jobim continua sendo o ponto alto do trabalho, oferecendo momentos de rara elegância e sensibilidade.
Em última análise, Sinatra & Company mostra que o verdadeiro talento não está apenas na potência da voz, mas na capacidade de ouvir, aprender e compartilhar a música com outros grandes artistas.
As músicas de "Sinatra & Company" são as seguintes:
- Drinking Water (Água de Beber) - (Vinicius de Moraes, Antônio Carlos Jobim, Norman Gimbel )
- Someone To Light Up My Life (Se Todos Fossem Iguais a Você) (Antonio Carlos Jobim, Viniciu de Moraes e Gene Lees )
- Triste (Antonio Carlos Jobim)
- Don't Ever Go Away (Por Causa de Você) " (Ray Gilbert, Dolores Durán e Antonio Carlos Jobim)
- This Happy Madness (Estrada Branca) (Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e Gene Lees)
- Wawe (Vou Te Contar) (Antonio Carlos Jobim)
" One Note Samba (Samba de uma Nota Só)" (Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça e Jon Hendricks)
- I'll Drink The Wine (Paul Ryan)
- Close To You (Burt Bacharach e Hal David)
- Sunrise In The Morning (Paul Ryan)
- Bein' Green (Joe Raposo)
- My Sweet Lady (John Denver)
- Leaving On A Jet Plane (John Denver)
- Lady Day (Bob Gaudio e Jake Holmes)
O disco (vinil e CD) pode ser encontrado nos bons sites do ramo e pode ser ouvido no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=thS3uO9pnPA&list=PLph8hEsdeSe0NgYfvMoZZoycYYVZ1i2_1
- Drinking Water (Água de Beber) - (Vinicius de Moraes, Antônio Carlos Jobim, Norman Gimbel )
- Someone To Light Up My Life (Se Todos Fossem Iguais a Você) (Antonio Carlos Jobim, Viniciu de Moraes e Gene Lees )
- Triste (Antonio Carlos Jobim)
- Don't Ever Go Away (Por Causa de Você) " (Ray Gilbert, Dolores Durán e Antonio Carlos Jobim)
- This Happy Madness (Estrada Branca) (Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e Gene Lees)
- Wawe (Vou Te Contar) (Antonio Carlos Jobim)
" One Note Samba (Samba de uma Nota Só)" (Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça e Jon Hendricks)
- I'll Drink The Wine (Paul Ryan)
- Close To You (Burt Bacharach e Hal David)
- Sunrise In The Morning (Paul Ryan)
- Bein' Green (Joe Raposo)
- My Sweet Lady (John Denver)
- Leaving On A Jet Plane (John Denver)
- Lady Day (Bob Gaudio e Jake Holmes)
O disco (vinil e CD) pode ser encontrado nos bons sites do ramo e pode ser ouvido no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=thS3uO9pnPA&list=PLph8hEsdeSe0NgYfvMoZZoycYYVZ1i2_1
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*A pesquisa para este artigo foi auxiliada pela IA do ChatGPT.

