terça-feira, 14 de abril de 2026

Na vibe de crer e acreditar

 Por Ronaldo Faria



-- Eita doideira, esse trem não tem apito de parar?
Na velocidade que as chamas de carvão queimado dão às composições, o trem vocifera que o destino, como diria o poeta Ferreira Gullar, um dia novo vai encontrar. Do lado de fora dos vagões, bois no pasto à espera do abater e gente na saudade de algum bom momento em flor dão adeus ao Deus que se esqueceu deles. Ermo, no esmero prosaico de um fado que termina em foda logo depois de tocado, o toque do amado na amada que dorme saciada. Na estrada logo ali, o LGBTQIA+ é Mike Tyson. E se orelhas forem arrancadas, valeu o lugar comum onde um qualquer é sempre qualquer um, sem julgamentos ou verbo social.
-- Eita loucura, esse trem não sabe que carrega mil formosuras?
Nos tantos quilômetros daltônicos e atônitos de tantos dias vividos, o maquinista não sabe sequer se existe singularidade entre fé e forfé. Afinal, tudo rima. E, às vezes, acaba na mesma ruína. Na semiótica, sina.
-- Eita coisa despirocada e lacrada nos dias de hoje. Cadê a plenitude da vida?
No velocímetro quebrado no odômetro do mundo, as paisagens pairam na simetria que a vida dá. Talvez um fim ou outro começo ao avesso.  Talvez, nas transversas trilhas que a existência dá, exista um lugar onde o trem da existência possa parar. Senão, sigam os trilhos onde não se pode parear. E então, a parafrasear algum espírito que toma conta do lugar, "para que uma estrada se há tanta trilha a se trilhar"?
-- Seu maquinista, vê se segura essa merda e para na próxima estação onde tem tanta gente com fome a querer apenas descer. Se você endoidou, vá se tratar! No sistema de saúde, daqui a alguns meses, quem sabe, alguém de bom grado o ouvirá.
 
(Aos trens da vida e o Boca Livre)

Na vibe de crer e acreditar

 Por Ronaldo Faria -- Eita doideira, esse trem não tem apito de parar? Na velocidade que as chamas de carvão queimado dão às composições, ...