segunda-feira, 4 de julho de 2022

Ao Bob James e David Sanborn

 Por Ronaldo Faria

Cantilenas de loucas falenas a se despojarem nuas e cruas na cama do poeta que se entrega à sina infinda de criar e recriar. No meio das pernas, duas outras pernas num sair e entrar sem findar. Doutas senhoras na imprecisa e narcisa chegada ávida da vida procrastinar. Quem sabe um som diuturno e soturno ainda paira no ar. Um brinquedo nunca dado, um derradeiro afago, uma voz que soa inaudível ao tempo crível e tolo. Na imensidão que pode haver além do infinito, o trocar de carícias e sevícias, semeaduras prolixas, tardias urgências findas. Numa visão dupla, o gole que se dá em suores lambidos e findos, o entardecer crivo, o luar dado, o sol que se abre para acordar os dois do promíscuo mundo em limbo. No meio do nada, cantares de roucas gargantas, sacripantas emoções em prantos, páginas escritas em branco. A incerteza de um amanhã que surge entre nuvens e névoas, incólumes lumes sem luz. Um sol que se esconde à margem da morte e da fronte. De mãos em sangue, o poeta sorve sua sede na fonte. Ao redor, chamas frias enchem de fogo e calor o torpor da exígua vastidão. No derrear do que ainda pode haver ou haverá, a embriaguez que tira sabe-se lá de onde a hedionda chegada do findar e ser...


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