segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Ao Tito Madi

 Por Ronaldo Faria

Anos 60 de uma proficiência do garoto a crescer desde o fim dos 50. E Tito Madi, menestrel, ficou. Entre velas acesas nos bares da Lagoa ou do Méier, ser que se esvazia e se esvai feito as marés de um eterno desaguar. A brincar de tempos entre tempos atemporais que vivem num arranhar de agulha no vinil a rodar.

Talvez uma orquestra de canhotos e destros a dedilhar um poema que se devora mundo afora a se recriar. Desejo efêmero de efemérides no fundo da alma ver, crer e fervilhar. Quem sabe um piano largado ao largo, um apócrifo poeta a transgredir a eternidade da saudade, a incerteza da mentira que se perpetuou.

Na entrega do tempo, desfeito lamento que não se vê, um interregno entre o nascer e morrer. Quem sabe uma mesa encravada entre a lua que surge e a saudade que urge. Um pedaço de alvorecer a se atirar no abismo findo do ser, a tentar fugir da morte que se afoga no mundo que parece não ver que tudo é só fingir e descrer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Um coletânea feita há 54 anos

  Por Edmilson Siqueira Em 1972, ou seja, há 54 anos, Sergio Mendes já tinha sucessos suficientes para produzir uma coletânea. Ela foi lança...