sábado, 24 de setembro de 2022

Ao Eduardo Gudin

 Por Ronaldo Faria

Eduardo Gudin, o que nos separa nesta noite quase madrugada que se enquadra entre a vida e o céu? Uma mulher, um samba, um violão, um São Paulo de esquinas e sinas, um bordel? Olhos marejados e malfadados de tanto passado e falsa mansidão, cá estamos a criar na ilusão? Entre vozes femininas, verdades e anginas, cantorias e ilusórias meninas. Poesias trancadas em porões mil, coisas que se foram e não voltam que nem pingo de cantil, cândidas verdades num corpo quase senil. Quem sabe um samba redescoberto na certeza incerta da mansidão em ardil.

Grande poeta, em falsete e modéstia, ouça-me nessa brincadeira imodesta. Nem sei mais se aqui estou, mas suas trovas e rimas, notas e fonemas, tremas e mínimas a brincarem num papel em branco, estão a aqui, a creditar e crer que algo virá. A ir e vir entre caminhos e descaminhos paulistanos, insanos e tamanhos. Um cantinho aqui, uma cantina ali, um pedacinho milimétrico e tétrico dos filhotes em si. Se não pude mais dar é porque não tive mais no balacobaco e aí. Mas, acredite, Eduardo Gudin, se errei é porque tentei acertar. Um dia acerto minha sorte grande, mesmo que em além-mar.

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