Por Ronaldo Faria
Gabriela, dessas que diria o
poeta tem cheiro de cravo e cor de canela, caminha despreocupada pelas ruas descendentes
(que descem e descendem de outras ruelas) da favela. Caminha devagar, como a
vagar em forma de levitar e ficar acima das pedras quentes que se esquentam do
sol que desdobra e entorta espaços e faz queimar corpos e suar rostos cansados.
Para ela, olhares sedentos dos homens e mulheres que a enxergam sublime e etérea
estão em sobressalto como qualquer quimera. Na boca do morro, Zé Zoitão celebra
com camaradas de armas mais um assalto.
Gabriela, dessas que faz uma viela virar avenida, caminha a deixar sob seus passos o descompasso que a porta-bandeira tem no asfalto ao ser reverenciada pelo seu mestre-sala. Vai a rebolar toda a sua beleza pelo lugar que pouca formosura tem. Casebres de madeira, alumínios que brilham na luz, telhas de amianto e tantos prantos de mães que buscam encontro para o término da dor nas bênçãos das mães de santos, ela serpenteia o mundo enquanto as nuvens se penteiam no vento ao relento. No alto da comunidade, a cidade parece perene no solene, incansável e próximo fim.
Gabriela, dessas que qualquer poeta gostaria de ter ao lado para quando a inspiração decidisse lhe largar, caminha entre tramas e dramas que a vida dá. É a sentença que mostra que a demência nunca deveria chegar. É um quadro pintado em cores que nenhum olho pode enxergar. Caminha devagar, como se fosse vagar em vagas que as ondas do mar logo embaixo quebram nas pedras sujas do verão. Ela e mais ninguém sabe que a vida, sobremaneira, corre a cada dia para o dia em que tudo vai terminar. Mas o tempo, resiliente e temente à morte, apenas entrega minutos onde a beleza é a dona do lugar.
Gabriela, dessas que a ausência nas íris faz tudo parecer sem razão de ser, caminha como fosse parte da carta de Caminha para o rei no além-mar: “Aqui, em se embelezando, Gabriela decerto dá”. Aos poucos, o fim da descida se faz merecer. O asfalto plano, desses que mistura planos de vida com planícies cheias de prédios e luzes de neon, está perto de receber seu corpo. Daí deixará de ser tosco. Voltará à vida que a perfídia o fez perder em piche e negror. Logo acima, no meio da sina, algum poeta popular irá rimar no próximo samba-enredo que cerveja e remédio com opioide dá um barato bem legal.
Gabriela, dessas que faz uma viela virar avenida, caminha a deixar sob seus passos o descompasso que a porta-bandeira tem no asfalto ao ser reverenciada pelo seu mestre-sala. Vai a rebolar toda a sua beleza pelo lugar que pouca formosura tem. Casebres de madeira, alumínios que brilham na luz, telhas de amianto e tantos prantos de mães que buscam encontro para o término da dor nas bênçãos das mães de santos, ela serpenteia o mundo enquanto as nuvens se penteiam no vento ao relento. No alto da comunidade, a cidade parece perene no solene, incansável e próximo fim.
Gabriela, dessas que qualquer poeta gostaria de ter ao lado para quando a inspiração decidisse lhe largar, caminha entre tramas e dramas que a vida dá. É a sentença que mostra que a demência nunca deveria chegar. É um quadro pintado em cores que nenhum olho pode enxergar. Caminha devagar, como se fosse vagar em vagas que as ondas do mar logo embaixo quebram nas pedras sujas do verão. Ela e mais ninguém sabe que a vida, sobremaneira, corre a cada dia para o dia em que tudo vai terminar. Mas o tempo, resiliente e temente à morte, apenas entrega minutos onde a beleza é a dona do lugar.
Gabriela, dessas que a ausência nas íris faz tudo parecer sem razão de ser, caminha como fosse parte da carta de Caminha para o rei no além-mar: “Aqui, em se embelezando, Gabriela decerto dá”. Aos poucos, o fim da descida se faz merecer. O asfalto plano, desses que mistura planos de vida com planícies cheias de prédios e luzes de neon, está perto de receber seu corpo. Daí deixará de ser tosco. Voltará à vida que a perfídia o fez perder em piche e negror. Logo acima, no meio da sina, algum poeta popular irá rimar no próximo samba-enredo que cerveja e remédio com opioide dá um barato bem legal.
(Com Gal ao fundo)
