sábado, 10 de setembro de 2022

João de Barro

 Por Ronaldo Faria

Canções de lírios e antúrios, augúrios e sofreguidão. Um pássaro aqui e outro acolá. Tico-Tico e João de Barro daqui e pouco de arco-íris dali e lá. Nas pernoitadas dos sons, pernas a se desvencilharem entre lençóis e devassidão. Talvez uma lua a morrer no céu, um desdém de gregos e troianos, canções desavisadas e etéreas a viajarem feito nuvens castigadas de paixão. Um cansaço medianeiro, desses de deitar na rede e se largar a ver e rever o inusitado tragado de marés e viés. Para onde tiver que ir, vá na fé. Quem sabe um marejar de olhos, abrolhos e escaravelhos. Um iluminar de olhares proscritos, gritos loucos e aflitos, Tordesilhas sem assinatura embaixo, canções na ilusão de chegar. Logo mais virá o derrear. Os olhos cegos ao sol, a solitária realidade do nada. Sem sensações, emoções, ilusões. Um inaudito e imperfeito defeito cravado no peito. Afeito a si mesmo. Deixado ao tempo, a esmo.

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