terça-feira, 5 de maio de 2026

Josee Koning, a holandesa quase brasileira*

 Por Edmilson Siqueira


"Eu nasci na Holanda, mas na primeira vez que fui ao Brasil fui fisgada. Fascinada pela beleza do país, do povo e, mais que tudo, pela sua música."  
As palavras são de Josee Koning, escritas no encarte que acompanha o disco "Dois Mundos - Two Worlds", escrito assim mesmo, nas duas línguas na capa. 
Confesso que não conhecia a cantora, apesar de ela ser fissurada por música brasileira e já ter gravado um disco só com músicas de Tom Jobim dois anos antes desse "Dois Mundos", lançado na Europa em 1998 e, no Brasil, em 2002.  
E, claro, a "novidade" pra mim foi ótima. Comprei o CD e comecei a ouvi-lo.  
Apesar de holandesa, há vários momentos em que, cantando em português, poder-se-ia dizer que se trata de uma brasileira, o que demonstra seu grande respeito pela nossa língua. O repertório é ótimo e conta com a participação de Ivan Lins e Dori Caymmi, o que é um verdadeiro atestado de qualidade. Mas ela não canta músicas só desses dois grandes compositores brasileiros (e se cantasse, o disco seria ótimo também).  
Além deles, Josee passeia por músicas de Caetano Veloso, Gordurinha e Almira Castilho, Edu Lobo, Chico Buarque e Rui Guerra, Milton Nascimento e Ronaldo Bastos e Dorival Caymmi. 
Não dá pra não dizer que o disco sintetiza muito bem a ideia de diálogo cultural através da música. Lançado em um momento de maturidade artística da intérprete, o disco reafirma seu profundo vínculo com a música brasileira, ao mesmo tempo em que preserva traços de sua formação europeia. O resultado é um trabalho sofisticado, sensível e repleto de nuances, que justifica plenamente o título Dois Mundos. 


Josee Koning não é uma cantora de excessos: sua abordagem privilegia o fraseado preciso, a dicção clara e uma interpretação que valoriza o conjunto.  
O repertório é um dos pontos altos do disco. A seleção de canções transita entre clássicos da música brasileira e composições menos óbvias, revelando um olhar refinado. Há uma clara intenção de evitar o lugar-comum, apostando em obras que permitam releituras mais pessoais. Nesse sentido, Josee consegue reconstruir cada música dentro de sua estética, frequentemente mais contida. 
Os arranjos com elementos do jazz europeu, com sua sofisticação harmônica e uso econômico dos instrumentos, convivem com ritmos brasileiros de forma pacífica e prazerosa.  
Já disse, mas repito: a pronúncia do português, frequentemente um desafio para intérpretes estrangeiros, é tratada com respeito e competência. Se fosse apresentada como uma cantora brasileira que viveu algum tempo num outro país e adquiriu um pouco do sotaque estrangeiro, muita gente acreditaria.  
Por fim, Dois Mundos é um belíssimo trabalho. Em tempos de produção musical acelerada e muitas vezes superficial, o álbum se destaca pela sua elegância e coerência. Vou comprar outros CD dela. 
As músicas são as seguintes: 
- Lua Soberana (Ivan Lins – Victor Martins) 
- Coração Vagabundo (Caetano Veloso) 
- Chiclete com Banana (Gordurinha – Almira Castilho) 
- Começar de Novo (Ivan Lins – Victor Martins) 
- Água Verde (Edu Lobo) 
- Ana de Amsterdam (Chico Buarque – Rui Guerra) 
- Aparecida (Ivan Lins – Maurício Tapajós) 
- Cravo e Canela (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos) 
- Doce Presença (Ivan Lins – Victor Martins) 
- Colors of Joy (Dori Caymmi – Tracy Mann) 
- O Bem do Mar (Dorival Caymmi) 
- Ninho de Vespa (Dori Caymmi – Paulo César Pinheiro) 
- Acqua Marcia (Ivan Lins – Marina Colasanti) 
O disco pode ser comprado por aí, nos bons sites do ramo. E pode ser ouvido na íntegra no YouTube em https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_nK_7wHXm5wG4a94yLkagMR_XljfCqErVE . 

*A pesquisa para este artigo teve auxílio da IA do ChatGPT.

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