domingo, 9 de fevereiro de 2025

O cool jazz renasce com Gerry Mulligan

Por Edmilson Siqueira


Em 1957, a Capitol Records fez uma compilação das faixas gravadas pelo noneto de Miles Davis ao longo de três sessões entre 1949 e 1950. O resultado dessa compilação foi o LP "Birth of the Cool". O nome pomposo se devia ao fato de que a obra toda apresentava instrumentação incomum e esteve a cargo de vários músicos notáveis. Arranjos inovadores influenciados pela música afro-americana e técnicas de música clássica também se fizeram ouvir. Foi, sem sombra de dúvida, o desenvolvimento do jazz depois do be-bop. E, claro, as gravações acabaram sendo consideradas como seminais na história do cool jazz. Curiosamente, todas as 12 músicas selecionadas das três sessões, tinham cerca de três minutos de duração. 
Trinta e quatro anos depois, no verão de 1991, Gerry Mulligan, que tivera importante participação no disco anterior, com composições e arranjos, decidiu revisitar as gravações. Ele conversou com o próprio Miles Davis que disse que estaria interessado em participar, mas, infelizmente, Davis morreu alguns meses depois.  
Gerry, porém, estava disposto a levar o projeto adiante. Chamou Wallace Roney para o lugar de Davis e conseguiu o pianista e o tocador de tuba originais da banda (John Lewis e Bill Barber); usou seu próprio baixista (Dean Johnson) e baterista (Ron Vincent) e encontrou substitutos capazes no sax alto (Phil Woods), pois, infelizmente, Lee Konitz não estava disponível para tocar suas partes antigas, no trombone (Dave Bargeron) e na trompa francesa (John Clark). E ainda Mel Tormé para o vocal de Pancho Hagood na única faixa cantada.  
Com o time pronto, o grupo revisitou o exato repertório de 1957, com novos arranjos e novos improvisos, o que deu ao disco um tempo maior que o original. 
Esse novo disco foi batizado de "Re-Birth of the Cool". Scot Yanow, crítico de música, escreveu o seguinte sobre o trabalho:  "Embora as músicas sejam as mesmas (e seja um prazer particular ouvi-las com a qualidade de gravação melhorada), os solos são todos diferentes e, em muitos casos, foram alongados; não há necessidade de se limitar a apenas três minutos cada. Este disco fascinante é altamente recomendado para colecionadores veteranos de jazz que conhecem os discos originais do Birth of the Cool." 



David Badham, do site "Jazz Jounal", apresenta o disco assim: "Pessoalmente, sempre considerei as sessões originais como se fossem de Gerry Mulligan, não de Miles Davis, já que ele arranjou sete dos 12 números e foi de longe a voz solo mais impressionante! Se alguma coisa mudou, é porque ele está ainda melhor agora, então eu acolho esta edição de todo o coração. 
O tempo total de execução foi aumentado em 38 por cento, com a maioria das faixas aumentando em pelo menos um terço e algumas em mais de 60 por cento - e todas com trabalho de primeira classe. 
 Três dos artistas originais ainda estão aqui – Mulligan tocando tão bem quanto sempre (e isso quer dizer alguma coisa), John Lewis tão peculiarmente apto como sempre, e Bill Barber tocando tuba com bom efeito.  
Phil Woods é um substituto tão perfeito para Konitz quanto você poderia encontrar, enquanto para a outra voz solo principal Wallace Roney fornece o estilo Miles conforme necessário e lidera bem os conjuntos." 
As 12 músicas revisitadas são as seguintes: 
"Israel" (Johnny Carisi); "Deception" (George Shearing e Miles Davis); "Move" (Denzil Best); "Rouge" (John Lewis); "Rocker" (Gerry Mulligan); "Godchild" (George Wallington); "Moon Dreams" (Chummy MacGregor e Johnny Mercer); "Venus De Milo" (Gerry Mulligan); "Budo" (Miles Davis e Bud Powell); "Boplicity" (Cleo Henry); "Darn That Dream" (Edgar DeLange e Jimmy Van Heksen) e "Jeru" (Gerry Mulligan).   
Dito isso, acho que não resta praticamente nada para sugerir ao amante de jazz e de boa música além de que saia correndo atrás do CD. Ele está à venda nos bons sites do ramo e pode ser ouvido na íntegra no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=2DbUrQaB294&list=OLAK5uy_mzL85Aufeut6pUlFvRKvX9pQ5dLKXhz8U&index=2 .

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