Por Ronaldo Faria
Ramiro, que nunca foi a retiro por viver num desde a nascença, está a
olhar a noite pela janela principal. Letal, a lua cris ilumina, em eclipse, os
últimos seres que ainda teimam em caminhar e rodar em quatro rodas na sórdida
avenida cercada de ruas e esquinas, sinas. Para Ramiro, ser que a madrugada já
viu ser tragado em tragos mil nunca derradeiros, o inóspito e próximo dia é
apenas uma parte que pode dar em qualquer destino. Quem sabe um desvio a levar
barcos desse imenso mar de crenças a marés e tormentas que a lugar nenhum aportarão. Com suas resmas de papel a acreditar que escrever pode redimir a
tristeza e a solidão, segue frenético e quase clérigo a dar hóstias para seus
medos e ilusões. O vinho ele guarda para si mesmo.
Sônia, na insônia que a noite traz, se apraz das loucuras tardias, do dia que chamou de louco e tarado seu amor pequeno. Mal sabia ela que naquele momento havia, numa beliche, a bola que acertou todos os pinos na pista de boliche. Dona de um hotel que era na verdade pensão, Sônia carregava um filho a tiracolo que espantaria de si até mesmo o homem mais venal. Sexo é bom, mas tudo tem um final que não pode terminar no zero a zero. E Sônia, sonífero da imensa realidade que há entre a terra e o céu, acredita que a desdita possa num momento terminar. A germinar num quintal qualquer, no cheiro de si, mulher, brota em ruas e olhares. Nos lânguidos e cândidos poemas e versos, vira epígrafe que se eternizará.
Ramiro, na mira impregnada de desamores e desejos que se esvaneceram muito mais cedo do que tardiamente, demente, no desmonte que as emoções fazem chegar, sabe que tudo aquilo que provar pouco será. Sua alma, à venda, parece um cesto estendido e entregue ao sol que esturrica na futrica que as tias e vizinhas septuagenárias jogam ao léu.
Sônia, enlouquecida na busca de alguém de alma nova que aceite o rebento como se ele fosse 100% bom e bem, senta no assento que a leva de volta às minas gerais. Se esperava a companhia de um menino/homem e homem/menino louco por seu hímen, quando o motorista pai da sua cria zarpou descobriu que nem todas as toadas são feitas de desejos encardidos ou encarnados.
Ramiro, no seu intranquilo ser, continuará a vagar em busca do par perfeito que a laranja promete juntar em lado e traço. Besteira que alguém criou. Logo descobrirá que nada disso não há.
Sônia desceu na rodoviária de um pouso qualquer e assumiu seu posto com gosto. Hoje, feliz, agradece a Deus (esse ser inexistente e ausente) que o louco e tarado não a acompanhou.
Na escrita de oito, quatro, dois e um parágrafos, grafismos escritos e até hoje inalterados, "pelamor", como disse o poeta das ruas na juntada de letras, saberemos que o passado não foi apenas bola dividida. Foi sorte ardida. Da arquibancada, a torcida grita mesmo que desiludida...
Sônia, na insônia que a noite traz, se apraz das loucuras tardias, do dia que chamou de louco e tarado seu amor pequeno. Mal sabia ela que naquele momento havia, numa beliche, a bola que acertou todos os pinos na pista de boliche. Dona de um hotel que era na verdade pensão, Sônia carregava um filho a tiracolo que espantaria de si até mesmo o homem mais venal. Sexo é bom, mas tudo tem um final que não pode terminar no zero a zero. E Sônia, sonífero da imensa realidade que há entre a terra e o céu, acredita que a desdita possa num momento terminar. A germinar num quintal qualquer, no cheiro de si, mulher, brota em ruas e olhares. Nos lânguidos e cândidos poemas e versos, vira epígrafe que se eternizará.
Ramiro, na mira impregnada de desamores e desejos que se esvaneceram muito mais cedo do que tardiamente, demente, no desmonte que as emoções fazem chegar, sabe que tudo aquilo que provar pouco será. Sua alma, à venda, parece um cesto estendido e entregue ao sol que esturrica na futrica que as tias e vizinhas septuagenárias jogam ao léu.
Sônia, enlouquecida na busca de alguém de alma nova que aceite o rebento como se ele fosse 100% bom e bem, senta no assento que a leva de volta às minas gerais. Se esperava a companhia de um menino/homem e homem/menino louco por seu hímen, quando o motorista pai da sua cria zarpou descobriu que nem todas as toadas são feitas de desejos encardidos ou encarnados.
Ramiro, no seu intranquilo ser, continuará a vagar em busca do par perfeito que a laranja promete juntar em lado e traço. Besteira que alguém criou. Logo descobrirá que nada disso não há.
Sônia desceu na rodoviária de um pouso qualquer e assumiu seu posto com gosto. Hoje, feliz, agradece a Deus (esse ser inexistente e ausente) que o louco e tarado não a acompanhou.
Na escrita de oito, quatro, dois e um parágrafos, grafismos escritos e até hoje inalterados, "pelamor", como disse o poeta das ruas na juntada de letras, saberemos que o passado não foi apenas bola dividida. Foi sorte ardida. Da arquibancada, a torcida grita mesmo que desiludida...
