quinta-feira, 15 de maio de 2025

Na citronela sem ser vela

 Por Ronaldo Faria



Quase noite ou quem sabe madrugada, citronela queima na procela da vida. “Quem sabe ela espanta o mal do meu sorriso?” Marcos, marco próprio do impropério etéreo ser, esperava que o incenso sem senso ou marca ao menos impedisse que o pernilongo barulhento dos ouvidos alheios o deixasse em paz. “Mas, agora, tanto faz... Meu amor, mordaz, já não me apraz.” Teclado nos dedos sem enredo, seguia seus santos vorazes e tantos exus sagazes. No exangue sangue que corria entre o coração e as veias, jatos de versos e canções jogavam poesia nas suas desilusões. A todas ou todos, as melhores e predestinadas unções.
No mar silencioso e cioso de amores que chegarão com a madrugada deitados em camas de algodão ou estofados de carros populares, o cheiro e a brisa de cigarros mil. Nas ervas que dizem ser das trevas, a liberdade da nostalgia que flui sem parar. Certamente, em algum lugar do mundo, Efigênia, Lucrécia ou Valentina estarão a sonhar sua própria ilusão. Já noutro, inverossímil e torto, Honório, Tarcísio e Otílio se embriagarão de desejos e sofreguidão. Cáusticos, todos eles e elas, nas procelas, povoarão seus vinténs e infaustos em único porém.

(Ao som de Ivan Lins)

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