Por Ronaldo Faria
Caleidoscópio que mostra
corpos e portos ao longe, brincando de pedaços de vidros coloridos. E traz mil mulheres
sem pecado, homens dissecados do amor, barcos afundados na busca de continentes
que se perderam sem que nenhuma bússola pudesse descobrir.
Do alto do mais alto mastro,
no ato de recomeçar a incerta estrada que trocaria tudo por um estrado onde
estivesse o corpo da amada, o grumete se mete a sonhar. Entre ele e chegada ao
mundo novo está um imenso mar e suas sirenas e sereias a também navegar.
Na esquina derradeira, onde acontece
o romance ou a feira dominical, o silêncio inviolável dos beijos dos casais
casuais é a tônica do luar. No bar logo defronte, o barman acaba de preparar um
gim com tônica para a moça já afônica de tanto falar, aquiescer e beber.
Entre trajes de passeio,
andrajos do mendigo deitado no asfalto e o vestido preto básico da mulher que
desfila na fila da felicidade, há pessoas a vagar e divagar. Devagar, o ancião,
perplexo de nada mais saber, olha para os lados antes de atravessar a avenida.
Na busca da rota e da tralha,
como uma trolha ou a rolha de vinho tinto, o escriba escreve a verve que se
joga da boca para fora. Agora, a sentir o gosto de amora na boca, o presente é
o tempo que o passado doou ao futuro inexistente e ausente dos casais em sua
dor.
Mas nas tabernas com cheiro de
vela queimada e queixas das gueixas que foram perdidas entre tragédias e sinas,
marinheiros marejam os olhos de sal e sol. Nalgum momento, em lamento, um
soneto do mais bêbado será a chegada a findar a imensidão do mar.
Agora, sem algoritmos e sequer
istmos que juntem continentes contundentes e irreais, serpentes marítimas colocam
os barcos a balançar. No cesto da gávea, engolfado de rum e sabe-se lá mais o
que, o homem ao menos tem forças para gritar que terra há. Só falta encontrar.
(Com Marco Vilane)

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