sexta-feira, 22 de maio de 2026

Procê

 Por Ronaldo Faria 


A menina, infinda e ferida nunca sarada do coração, caminha na calçada que existe entre o emaranhado do sim e do não. Musa da poesia tardia que a antevisão faz, efeméride perdida no calendário que nem as corcovas do dromedário trazem, é apenas juras de um passado esférico como a Terra que roda em si mesma sem parar.
A menina, há muito mulher formada, performática e atávica, dramática e sórdida, utópica e calórica, ilusionista ao tempo que foi, segue na noite a desvirginar onde um castrado amor ainda pensa em chegar. Na dor, fragilizada em poemas e torpor, sabe que a festa traduz a luz que o sol coberto de nuvens não traz mais.
Mas a menina, grandiloquente e rente entre a loucura e o dissabor, sabe ainda que cada beijo seu perdido ao nada é apenas uma pena que o vento deixou de fazer voar. Sobremaneira, entre uma eira e outra beira, segue linda e infinda a pisar no chão que agradece por ela existir. Longe, olhares mil a fazem reluzir em crível brilhar.
No traduzir da poesia infinita, procura rebrilhar em algum pesar. Na cena, a menina caminha profícua e célere à chegada que traduz nova procura. Alhures à serenidade da serena que na poesia se traduz, resta a tradução do descobrir, ter e perder. Na inenarrável e perdida lucidez que ainda resta, a mulher para e vê nos olhares que a seguem que, longe, ainda há aonde chegar.
 
A ti, pra ti, por ti, em ti, para a eternidade que não há ou existe a resistir.

Procê

 Por Ronaldo Faria   A menina, infinda e ferida nunca sarada do coração, caminha na calçada que existe entre o emaranhado do sim e do não....