Por Ronaldo Faria
-- Não vou generalizar, mas
música é em Minas Gerais!
-- É sério? Vai radicalizar? E
Pernambuco, Bahia, Rio e São Paulo?
-- Meu, lá em Minas o trem é
bom demais além da conta...
-- Tudo bem, mas fechar a
questão é também foda demais.
Benício de BH e José do Brasil
tinham mais uma discussão de suma importância a ter.
-- Genésio, manda ver mais uma
das outras de depois e após a saideira. Isso aqui vai longe.
No bar, braquicéfalos humanos sequer
dão atenção aos dois amigos.
-- Tudo bem, vá lá. O restante
do país também tem o que tocar e cantar.
-- Nossa, ainda bem que você reconhece
isso.
-- Mas agora você tem de me
dar razão: mulher como a mineira não há.
-- Cacete, Benício, você está
virando um estrupício.
-- Como assim?
-- Porra, o Brasil feminino é lindo
de norte a sul, de leste a oeste. Em cada canto desse nosso mundinho verde e
amarelo existem mil Marílias de Dirceus. Todas lindas, inigualáveis, com a
formosura e o jeito que só esse canto da Terra nos dá.
-- É, até pode ser. A mulher
brasileira está no topo que possa existir.
-- Mano, são lindas, inteligentes, donas de si, diferentes...
-- Então tá. Mas e a
culinária. Pão de queijo igual há?
-- Talvez não. Ou melhor, não.
Mas a culinária tupiniquim é do caralho e vai além do pão de queijo.
-- Se você não gostar de
tomar café da manhã com classe, talvez.
-- Tá bom. Agora vai falar de
quê? Do queijo branco?
-- Aí nem vou falar nada pra não
humilhar.
-- Puta que pariu. Mas e o
Otto Lara Resende que disse que o mineiro só é solidário no câncer. É verdade?
-- Sei lá. Eu sou solidário
pro monte além da conta. De câncer nem gosto de falar. Agora de cachaça, vai
querer discutir?
-- Aí já é covardia. Claro que
não.
-- Viu: Minas é foda!
-- Nunca falei que não era.
Mas não exagera.
-- Eita, trem bão. Enfim, uma
nota 100.
-- Benício, você é impagável.
Genésio, meu rei, traz mais umas tantas mais até que essa anta acabe de se gabar.
No derredor do lugar, a prosa
se mistura às buzinas famigeradas geradas por gente estressada, pessoas que
caminham bucéfalas em busca do nada, danadas e famigeradas cenas intercaladas
de quaresmas e notícias fatais de jornal. Afinal, ao fim de toda discussão sem
começo e fim não há vida que comece ou termine aos tempos ou aos ventos.
Assim, a conta é pedida.
-- Genésio, manda a dolorosa
pra aquele que nasceu no maior lugar do mundo, onde nada é igual ou melhor.
-- Caralho, José, aí você me
fode. O dinheiro em Minas é igual ao daqui!
-- Sério? Achei que você
tivesse santos do pau oco para tirar pepitas de ouro a mil.
-- Puta que pariu, por causa
disso tentamos fazer uma revolução e Tiradentes perdeu a cabeça e outras partes
do corpo. Topa rachar?
-- Claro, bundão. Eu sou
solidário em tudo.
Mudo, Benício dividiu a conta
em dois e agradeceu ao amigo. Mas, na esquina, fez questão de gritar: “Liberdade,
ainda que tardia!” No ponto de ônibus que existe ali, meia dúzia de pessoas
aplaudiu.
(Com Cambada Mineira)

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