Por Ronaldo Faria
A menina, infinda e ferida
nunca sarada do coração, caminha na calçada que existe entre o emaranhado do
sim e do não. Musa da poesia tardia que a antevisão faz, efeméride perdida no
calendário que nem as corcovas do dromedário trazem, é apenas juras de um passado
esférico como a Terra que roda em si mesma sem parar.
A menina, há muito mulher
formada, performática e atávica, dramática e sórdida, utópica e calórica,
ilusionista ao tempo que foi, segue na noite a desvirginar onde um castrado
amor ainda pensa em chegar. Na dor, fragilizada em poemas e torpor, sabe que a festa
traduz a luz que o sol coberto de nuvens não traz mais.
Mas a menina, grandiloquente e
rente entre a loucura e o dissabor, sabe ainda que cada beijo seu perdido ao nada é apenas
uma pena que o vento deixou de fazer voar. Sobremaneira, entre uma eira e outra
beira, segue linda e infinda a pisar no chão que agradece por ela existir. Longe,
olhares mil a fazem reluzir em crível brilhar.
No traduzir da poesia infinita, procura rebrilhar em algum pesar. Na cena, a menina caminha profícua e célere à chegada que traduz nova procura. Alhures à serenidade da serena que na poesia se traduz, resta a tradução do descobrir, ter e perder. Na inenarrável e perdida lucidez
que ainda resta, a mulher para e vê nos olhares que a seguem que, longe, ainda há aonde
chegar.
A ti, pra ti, por ti, em ti, para a eternidade que não há ou existe a resistir.

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